Correioweb
Polícia confrontou o material genético do acusado com o sêmen colhido nas vítimas. Homem trabalhava como garçom na Esplanada dos Ministérios e foi indiciado por abusar de uma estudante de letras da UnB, em março
Um exame de DNA feito pelo Instituto Médico Legal (IML) confirmou a autoria do estupro de uma estudante de letras da Universidade de Brasília (UnB), ocorrido em 15 de março deste ano. Frank de Oliveira Souza, 22 anos, que foi apresentado ontem para a imprensa, também é acusado de abusar sexualmente de outras cinco mulheres, abordadas nas asas Sul e Norte e na área central do Plano Piloto. O jovem foi preso na Cidade Ocidental (GO), no último dia 13. Ele estava com o carro de uma das vítimas, mas negou ter praticado os crimes. Entretanto, para a delegada-chefe da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), Sandra Melo, não há dúvida da autoria dos estupros. O sêmen colhido nas vítimas foi confrontado com o material genético do acusado. O resultado saiu na noite da última terça-feira e confirmou os crimes. “As vítimas não precisam reconhecê-lo. Os laudos já estão prontos e eles são incontestáveis”, disse.
Frank trabalhava há quatro meses como garçom em uma empresa terceirizada na Esplanada dos Ministérios. De acordo com a delegada, ele costumava agir entre as 19h e as 22h, após sair do serviço. Das seis vítimas, duas foram estupradas em 2007 e quatro, entre março e junho deste ano. Uma delas foi uma jovem de 23 anos que saía da Faculdade de Educação na UnB, no Câmpus Darcy Ribeiro, e subia em direção à L2 Norte para pegar ônibus. Frank teria levado a moça para um matagal, ao lado de uma escola de inglês, e a estuprado depois de vasculhar a bolsa dela e roubar os seus pertences.
Após o episódio, a Polícia Civil divulgou o retrato falado do acusado. A imagem com as características de Frank foram pregadas em diversas padarias e postos de saúde da Asa Norte. A descrição da ocorrência informava que ele ainda perguntou para a vítima “se ela gostava de funk” e, durante o ato sexual, ligou um aparelho MP3 com o estilo musical. Na maioria dos casos, ele usava a força física e ameaças de morte para inibir a vítima. Em dois casos, ele teria usado uma arma de fogo e um estilete para forçá-las a fazer sexo.
O garçom teria ainda roubado objetos de valor ou dinheiro de todas as mulheres. “Teve uma mulher de quem ele levou só R$ 2, mas não deixa de ser roubo”, contou a delegada. Com a detenção de Frank, a Deam pediu a prisão temporária do acusado para levantamento de provas. A partir do cruzamento de dados e depois de analisar as características e o modo de ação do criminoso, a polícia resolveu indiciá-lo por seis estupros e roubos. Conforme depoimento das vítimas, elas eram abordadas em locais mal iluminados. O algoz, porém, não aparentava más intenções. Bem vestido, sempre de camisa clara e calça social, passava despercebido. “Não parecia mendigo ou exalava mau cheiro. Ninguém chegou a desconfiar dele”, disse a delegada. Uma das vítimas, inclusive, foi abordada na Esplanada dos Ministérios no momento em que saía do trabalho. Ela foi levada no seu próprio carro para um local ermo entre o Setor de Embaixadas e o Setor de Clubes Sul.
A polícia também investiga o envolvimento de Frank em outros estupros em 2006. Ele foi levado para a carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE) e deverá ser encaminhado para o Complexo Penitenciário (Papuda). O resultado do laudo do IML será anexado ao inquérito e encaminhado à Justiça para julgamento do acusado. “Diante da quantidade de vítimas, ele não pode ser solto de forma alguma porque vai cometer outros crimes”, defendeu a delegada Sandra Melo.







Comentários recentes: