18/05/2017 às 09h07min - Atualizada em 18/05/2017 às 09h07min

Lava Jato sozinha não muda o Brasil, diz Dallagnol

Mesmo com o friozinho incomum para os cariocas, a sala ficou lotada --o ingresso para o evento era a compra do livro do procurador

Por Carolina Farias - UOL
 

Uma fila enorme se formou na porta da sala Fernanda Montenegro, no Teatro Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro. Mas no palco não houve estreia ou alguma peça. A atração era uma entrevista do ex-deputado Fernando Gabeira com o coordenador da força-tarefa de procuradores da Lava Jato, Deltan Dallagnol. Mesmo com o friozinho incomum para os cariocas, a sala ficou lotada --o ingresso para o evento era a compra do livro do procurador "A luta contra a corrupção".

 

"Quem acha que a Lava Jato vai mudar o Brasil?" Após todos levantarem a mão, o procurador emendou. "Na minha perspectiva não transforma. Não é suficiente. Não há heróis na Lava Jato (...). Heróis somos nós aqui, a sociedade. Aqui cada um tem um papel de mudança. Somos vítimas de representantes que não nos representam. Nossa busca por heróis não deu certo no passado. Elegemos [o ex-presidente Fernando] Collor, o caçador de marajá", disse para defender a operação logo no começo do evento.

 

Na sequência dessa colocação de Dallagnol, Gabeira lembrou o polêmico Power Point que apontava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como chefe do esquema de corrupção envolvendo a Petrobras em uma entrevista coletiva de Dallagnol no ano passado.

 

"Uma grande crítica ao seu trabalho foi a apresentação de um Power Point [risos]. Eu vejo inúmeras autoridades internacionais usando. Mas ali você cometeu um erro: disse que o Lula é o comandante e agora sabemos que ele é o chefe", declarou Gabeira.

 

Já o procurador também aproveitou a deixa para brincar com a situação. "Acho que vou chamar meu advogado e me reservar no meu direito de permanecer em silêncio. Ainda bem que hoje não tem Power Point", emendou Dallagnol.

 

Pós-verdade

O termo "pós-verdade" também foi abordado pelo procurador para dizer que "manobras políticas" tentam tirar as atenções da operação, sem citar nomes de envolvidos e investigados.

 

"Quando as investigações são cuidadosas, alegam perseguição política como manobras para tirar do foco. Receio que essa narrativa pegue com tempo. [Joseph] Goebbels [ministro da propaganda na Alemanha nazista] dizia que uma mentira dita muitas vezes fica parecendo verdade. A única proteção que a Lava Jato tem são vocês. Não é o grupo de Curitiba", declarou o procurador.

 

Dallagnol contou que, por conta do volume grande de trabalho dos procuradores, principalmente no início da operação, o grupo se alimentava mal, e que ele acabou ficando doente do estômago, "tendo que ir várias vezes ao banheiro".

 

O procurador continuou: "Como estava sem tempo, resolvi consultar meu gastroenterologista por mensagem. O nome dele é Paulo Roberto Costa Claro, mas no meu telefone cliquei no primeiro Paulo Roberto e comecei a fazer perguntas. A resposta foi: 'sou engenheiro, sinto por não ajudar, torço pela sua recuperação'. Sorte que não enviei fotos", contou Dallagnol, sob muitas risadas da plateia. O 'alvo' errado da consulta do procurador foi Paulo Roberto Costa, primeiro delator da Lava Jato.

 

O evento terminou com uma sessão de autógrafos do livro do procurador. A entrevista foi organizada pela Editora Sextante, que lançou o livro de Dallagnol e também "Democracia Tropical", de Gabeira, lançado em abril.

 

 

Uma fila enorme se formou na porta da sala Fernanda Montenegro, no Teatro Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro. Mas no palco não houve estreia ou alguma peça. A atração era uma entrevista do ex-deputado Fernando Gabeira com o coordenador da força-tarefa de procuradores da Lava Jato, Deltan Dallagnol. Mesmo com o friozinho incomum para os cariocas, a sala ficou lotada --o ingresso para o evento era a compra do livro do procurador "A luta contra a corrupção".

 

"Quem acha que a Lava Jato vai mudar o Brasil?" Após todos levantarem a mão, o procurador emendou. "Na minha perspectiva não transforma. Não é suficiente. Não há heróis na Lava Jato (...). Heróis somos nós aqui, a sociedade. Aqui cada um tem um papel de mudança. Somos vítimas de representantes que não nos representam. Nossa busca por heróis não deu certo no passado. Elegemos [o ex-presidente Fernando] Collor, o caçador de marajá", disse para defender a operação logo no começo do evento.

 

Na sequência dessa colocação de Dallagnol, Gabeira lembrou o polêmico Power Point que apontava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como chefe do esquema de corrupção envolvendo a Petrobras em uma entrevista coletiva de Dallagnol no ano passado.

 

"Uma grande crítica ao seu trabalho foi a apresentação de um Power Point [risos]. Eu vejo inúmeras autoridades internacionais usando. Mas ali você cometeu um erro: disse que o Lula é o comandante e agora sabemos que ele é o chefe", declarou Gabeira.

 

Já o procurador também aproveitou a deixa para brincar com a situação. "Acho que vou chamar meu advogado e me reservar no meu direito de permanecer em silêncio. Ainda bem que hoje não tem Power Point", emendou Dallagnol.

 

Pós-verdade

O termo "pós-verdade" também foi abordado pelo procurador para dizer que "manobras políticas" tentam tirar as atenções da operação, sem citar nomes de envolvidos e investigados.

 

"Quando as investigações são cuidadosas, alegam perseguição política como manobras para tirar do foco. Receio que essa narrativa pegue com tempo. [Joseph] Goebbels [ministro da propaganda na Alemanha nazista] dizia que uma mentira dita muitas vezes fica parecendo verdade. A única proteção que a Lava Jato tem são vocês. Não é o grupo de Curitiba", declarou o procurador.

 

Dallagnol contou que, por conta do volume grande de trabalho dos procuradores, principalmente no início da operação, o grupo se alimentava mal, e que ele acabou ficando doente do estômago, "tendo que ir várias vezes ao banheiro".

 

O procurador continuou: "Como estava sem tempo, resolvi consultar meu gastroenterologista por mensagem. O nome dele é Paulo Roberto Costa Claro, mas no meu telefone cliquei no primeiro Paulo Roberto e comecei a fazer perguntas. A resposta foi: 'sou engenheiro, sinto por não ajudar, torço pela sua recuperação'. Sorte que não enviei fotos", contou Dallagnol, sob muitas risadas da plateia. O 'alvo' errado da consulta do procurador foi Paulo Roberto Costa, primeiro delator da Lava Jato.

 

O evento terminou com uma sessão de autógrafos do livro do procurador. A entrevista foi organizada pela Editora Sextante, que lançou o livro de Dallagnol e também "Democracia Tropical", de Gabeira, lançado em abril.


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