Pensa comigo o que isso significa. O que o Google está fazendo traz incertezas até para o seu modelo de negócios, baseado na venda de publicidade em torno dos links e da intenção de busca, que só funciona quando as pessoas navegam pela web. Quando um agente navega por nós e cria respostas e interfaces customizáveis, o que será comercializado para os anunciantes?
É uma mudança radical até mesmo para o Google, mas a empresa decidiu apostar em um novo modelo antes que o antigo colapse completamente.
Clayton Christensen descreveu décadas atrás um paradoxo que, mais cedo ou mais tarde, vai ser uma dor de cabeça para qualquer empresa que lidera o seu setor. Muitas vezes para sobreviver a uma disrupção, elas precisam destruir os seus próprios modelos de negócios que as tornaram grandes. É o que ele chamou de “O Dilema da Inovação”.
Só que tem um detalhe que muitas empresas e líderes erram nessa equação. Ficam olhando para a tecnologia e esquecem de olhar para o comportamento das pessoas. Esse é o erro que o Google, pelo menos agora, não parece estar cometendo. A empresa sacou que a tecnologia já estava impactando o comportamento das pessoas, e agiu antes que fosse tarde demais.
Esse fenômeno não fica restrito ao Google. Quando as pessoas mudam como pesquisam, como compram, como aprendem, o mercado inteiro vai precisar se reorganizar ao redor desse novo comportamento. E quem perceber antes tem uma janela de oportunidades.
Só que essa transição não vem tranquila. Ela cria desafios para os quais ainda não temos respostas prontas. Para os usuários, a IA na busca traz velocidade e ganho de eficiência, mas ao mesmo tempo reduz o contato direto com a fonte, a chance de descobrir algo por acaso, e impacta até o pensamento crítico.








