19/10/2019 às 11h23min - Atualizada em 19/10/2019 às 11h23min

Brasil parece viver suspense e aguarda o desenrolar do novo capítulo da saga iniciada com a Lava Jato

Circe Cunha
Correio Braziliense -
 
 

 

Todo o país parece viver numa espécie de suspense no qual se aguarda o desenrolar do novo capítulo referente à grande saga iniciada com a Operação Lava-Jato. Como um folhetim onde os novos episódios vão se sucedendo a passos lentos, a próxima subtrama irá tratar justamente da possibilidade de prisão após decisão colegiada em segunda instância. As atenções da população se voltam, nesse caso, tanto para o Supremo Tribunal Federal (STF) como para a Câmara dos Deputados, onde a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deu início a discussões, em caráter extraordinário, sobre o projeto que trata do mesmo assunto.

 


Esse contraponto entre o Legislativo e o Judiciário, em boa medida, foi induzido pelo poder de pressão de um novo player que vai se estabelecendo no país, à medida que cresce a influência e a participação das redes sociais nos principais assuntos nacionais. O vaivém das decisões da Alta Corte, que muda de entendimento sobre esse e outros temas de interesse da nação a cada novo acontecimento, criou, e não poderia ser de outra maneira, mais um momento de grande instabilidade política.


Nos últimos cinco anos, a principal pauta política do país tem sido ditada justamente pelos desdobramentos da Operação Lava-Jato e pelo ineditismo da condenação e prisão de grandes lideranças, indivíduos que, até pouco tempo, eram tacitamente considerados intocáveis. O grande iceberg de corrupção revelado por essa investigação abriu um racha intransponível no antigo status quo da República, transformando-se num divisor histórico entre dois Brasis: o da impunidade perpétua e o país que se quer moderno, da universalidade da lei.


Na atual fase em que esse folhetim histórico se apresenta e que, talvez, seja o seu ápice, mostra os esforços sobrenaturais que estão sendo gestados pelas forças do atraso para recuperar terreno e seguir, como se fez na Itália, para enterrar todo o trabalho de saneamento ético feito até aqui. Bem se sabe que a maioria dos esforços que foram realizados até o momento tem sofrido revés desesperado tanto no Legislativo como no Judiciário. Esses contra-ataques por parte do “ancien régime” em favor dos condenados e contra o endurecimento das leis contra a corrupção vêm arregimentando cada vez mais a participação da população, que se posiciona a favor da continuidade da Lava-Jato.


Mesmo parte dos ocupantes do poder Executivo e do Legislativo que aí estão conseguiram se eleger justamente com a bandeira da ética no trato com a coisa pública. Infelizmente, alguns desses personagens usaram desse mote apenas para conseguir acesso ao poder, mudando de lado tão logo garantiram seu quinhão.


A sociedade tem acompanhado de perto a performance de cada uma dessas figuras. Desta vez, com a grande vantagem de ter acesso à fala dos próprios personagens por vários canais das redes sociais. Com isso, parte dos brasileiros já pode se certificar de que é preciso fazer mudanças tanto no sistema político-partidário do país como no sistema de escolha e composição das altas cortes. Nesta altura dos acontecimentos, os cidadãos sabem muito bem o que precisa ser feito, não apenas para que um novo Brasil nasça, mas o que é necessário expurgar para que essa condição se estabeleça definitivamente.

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