28/11/2019 às 05h04min - Atualizada em 28/11/2019 às 05h04min

“Se eu não fizesse, ele ia me matar também”, diz filho de Sandra

Em entrevista ao Metrópoles, Brendo Sousa Moraes explica por que ajudou o tio a ocultar o corpo de cabeleireira enforcada com fio no DF

METRÓPOLES
Acusado pela polícia de ter ajudado a ocultar o corpo da própria mãe, vítima de feminicídio, Brendo Sousa Moraes (foto em destaque), 21 anos, foi liberado pela Justiça do Distrito Federal em audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (27/11/2019). Já em liberdade, em entrevista exclusiva ao Metrópoles, o filho da cabeleireira Sandra Maria Sousa Moraes (foto abaixo), 39 anos, deu a sua versão para o crime e contou sobre a sua participação no caso.

Breno diz ter se sentido obrigado pelo tio, Danilo Moraes Gomes, a ajudar a enterrar a mãe em um matagal no Assentamento 26 de Setembro, em Vicente Pires. Segundo ele, caso não cooperasse, seria morto. “Se não fizesse [o que o tio mandava], ia me matar também”, resume.

Conforme conta, Brendo se encontrou com o tio no dia do crime – o último sábado, 23/11/2019. “Assisti ao jogo do Flamengo com ele, tudo normal”, lembra. Só depois de o jovem voltar para casa e se preparar para dormir, por volta das 22h, foi novamente contatado por Danilo. “Ele me ligou falando que tinha ganhado umas coisas e disse que poderia passar para me buscar. Tudo estaria na casa da minha mãe”, explica.

Segundo Brendo, a conversa dentro do carro correu normalmente e tudo levava a crer que Sandra teria conseguido algumas doações para a casa nova do filho. “Só quando chegamos no lote que meu tio disse: ‘Sua mãe já era’. Fiquei em estado de choque”, afirma.

A situação piorou quando Danilo afirmou que o crime teria sido cometido pela irmã de Brendo, Samara Sousa Moraes, 22 anos. “Falou que minha mãe puxou uma faca e minha irmã a empurrou. Aí ela teria batido a cabeça e morrido”, resume o caçula de Sandra.

A reação imediata de Brendo foi querer vingança, mas o tio tentou repelir a ideia. A atitude levantou suspeitas. “Quando ele disse para eu não fazer nada eu gelei. Já vi que ele estava mentindo”, diz.

Sem opção

Vendo-se sozinho com o tio, à noite e com o cadáver da mãe no chão, Brendo diz que sentiu medo de não obedecer as ordens de Danilo. “Tinha que fingir que estava com ele. Me mandou carregar o corpo e, mesmo não querendo, eu tive que fazer. Se não fizesse, ia me matar também”, relata.

Dessa forma, ele ajudou Danilo a enrolar o corpo de sua mãe em um lençol e colocá-lo no carro da própria cabeleireira. “Chegando na casa dele, me obrigou a ficar lá, sendo vigiado o tempo todo. Largou o corpo por ali e deixou por uma noite”, afirma o rapaz.

No domingo, por volta das 10h, Danilo voltou a intimar Brendo. “Tive que pegar o corpo e colocar perto de onde seria enterrado. Ele mesmo que cavou o buraco e jogou lá. Não tive nada a ver com isso”, diz.

Conforme revelado pela coluna Grande Angular, do Metrópoles, o corpo de Sandra foi localizado pelos investigadores da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires) na segunda-feira (25/11/2019), após Samara, a filha da vítima, denunciar o crime às autoridades. Ela estava com um fio enrolado no pescoço: segundo o delegado titular da 38ª DP, Yury Fernandes, era um cabo que Danilo arrancou da TV minutos antes de estrangular a irmã até a morte.

Veja fotos do caso:

 
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