18/05/2020 às 07h22min - Atualizada em 18/05/2020 às 07h22min

Preso na Operação Faroeste, Adailton Maturino está com Covid-19 na Papuda

Acusado de se passar por falso cônsul perdeu 20kg desde que chegou ao presídio, segundo advogado, que pede internação do cliente em hospital

Investigado na Operação Faroeste, da Polícia Federal, pela acusação de ser um dos idealizadores do esquema de compra e venda de sentenças em disputa de terras no oeste da Bahia, Adailton Maturino, preso como falso cônsul de Guiné-Bissau, está contaminado com o novo coronavírus. Hipertenso, Maturino foi levado ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran) na última quinta-feira (14/05) com um pico de pressão. No mesmo dia, retornou para uma área de isolamento no Complexo Penitenciário da Papuda.

Preso preventivamente desde novembro de 2019, Maturino perdeu 20 quilos e está com a saúde fragilizada, segundo relatam seus advogados. O medo da família e da defesa é que ele morra devido a complicações da Covid-19 e que infecte ainda mais detentos que estão no local. Hoje, o sistema penitenciário do DF tem 729 infectados, entre detentos e policiais penais. O número incluiu Francisco Pires de Souza, 45 anos, 
policial penal cuja morte foi constatada neste domingo (17/05).
 

Antes da infecção ser confirmada por meio de exames, a defesa de Maturino já havia pedido a revogação da prisão preventiva. O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou. “Entramos com várias petições pedindo, inclusive por razões humanitárias, a mudança da prisão preventiva para cautelar. A razão dos pedidos era a situação dele em grupo de risco da Covid-19”, disse o advogado de Maturino, o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, ao Metrópoles.

Segundo Cardozo, em inspeção médica acompanhada de profissional particular, foi constatada pressão arterial elevada. “No mesmo dia, foi realizado o exame de coronavírus. Dado o prazo, o resultado da coleta foi positivo. Entramos com um novo pedido para que ele fosse transferido para hospital particular, para que não viesse a sobrecarregar a rede hospitalar pública. Mas ele ainda está na Papuda”, afirmou.

 

O advogado acredita que o cliente corre risco de morte. “Estamos insistindo para que o ministro Og defira sua transferência para um hospital. Ele precisa de tratamento. Se passar mal durante a noite, por exemplo, vai morrer. Não tem como ser monitorado”, afirmou o advogado.

O que diz a Sesipe

Por meio de nota, a Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe), vinculada à Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), informa que Maturino, “no momento, encontra-se em cela isolada no Centro de Detenção Provisória II (CDP II)”.

“Desde que os primeiros casos de contaminação pelo coronavírus foram detectados no Distrito Federal, a SSP-DF, por meio da Sesipe, tem adotado uma série de medidas para resguardar os policiais penais e reeducandos”, afirmou a pasta.

 
Operação Faroeste

Maturino foi preso após investigações realizadas no âmbito da Operação Faroeste. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), ele se apresentava como cônsul honorário de Guiné-Bissau, como juiz aposentado e como mediador.

As investigações do MPF apontaram a participação do falso cônsul no pagamento de propina a membros do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) e na condução de acordos espúrios em ações de posse de terras na Bahia.

Ainda segundo o MPF, foram identificadas movimentações financeiras pelo investigado em valor superior a R$ 33 milhões. Além disso, Maturino e sua esposa teriam tentado transferir, para a embaixada de Guiné-Bissau, a propriedade de vários veículos de luxo com o objetivo de ocultar o patrimônio.

Pris​​ão

Em novembro do ano passado, a prisão temporária de Adailton Maturino foi convertida em preventiva. No mês seguinte, o MPF apresentou denúncia contra ele pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A Corte Especial do STJ, em fevereiro, manteve a prisão preventiva, sob o fundamento de que o investigado exerceria papel de destaque dentro da organização criminosa e poderia continuar cometendo atos ilícitos caso ficasse em liberdade.

A Corte também considerou haver risco real de que o falso cônsul fugisse do Brasil, pois ele e sua esposa possuem avião particular e mantêm relações próximas com Guiné-Bissau – inclusive com o presidente do país.

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