15/09/2020 às 07h19min - Atualizada em 15/09/2020 às 07h19min

Lava Jato: MPF denuncia Lula, Palocci e Okamotto por lavagem de dinheiro

Denúncia do Ministério Público Federal indica repasse de propina pela Odebrecht em doações ao Instituto Lula

A força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal (MPF) no Paraná ofereceu, nesta segunda-feira (14/9), uma denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto. Eles são acusados de cometer o crime de lavagem de dinheiro.

Segundo a denúncia, os atos ilícitos ocorreram por meio de doações para dissimular o repasse de R$ 4 milhões durante o período de dezembro de 2013 a março de 2014. Os valores teriam sido repassados mediante quatro operações realizadas pelo Grupo Odebrecht em favor do Instituto Lula, cada uma no valor de R$ 1 milhão.

“São centenas de provas, de comunicações a planilhas e comprovantes de pagamento que ligam a doação formal de altos valores a possíveis ilícitos praticados anteriormente. Isso demonstra a complexidade e a verticalidade da análise realizada pela força-tarefa em diversas fases, nesse caso a lavagem de dinheiro, mas sem perder a noção de um contexto mais amplo de práticas”, diz a denúncia.

As investigações apontam que, para dissimular o repasse da propina, Marcelo Odebrecht, atendendo a pedido de Lula e Okamotto, determinou diretamente que o valor fosse transferido sob a forma de doação formal ao Instituto Lula.

“Porém, conforme indicam as provas reunidas, os valores foram debitados do crédito ilícito de propina contabilizado na “Planilha Italiano”, mais especificamente da subconta chamada “amigo” (rubrica referente a Lula, conforme as provas), na qual foi inserida a anotação “Doação Instituto 2014” no valor de R$ 4 milhões”, afirma a força-tarefa.

Em 23 de abril de 2016, Metrópoles informou, em matéria exclusiva, que Lula estava na mira da Receita Federal por causa de pagamentos feitos através do Instituto Lula. O inquérito que o órgão repassou à reportagem revelou que a entidade bancou gastos referentes a interesses pessoais e empresariais do ex-presidente, prática proibida pela legislação.

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