14/04/2017 às 07h20min - Atualizada em 14/04/2017 às 07h20min

Cláudio Melo Filho confirma pagamento de R$ 2,8 milhões a Gim Argello

Segundo o ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Gim pediu “apoio financeiro” da empreiteira em 2010 e em 2014.

Metrópoles
 

Preso e já condenado a 19 anos de prisão no âmbito da Lava Jato, o ex-senador Gim Argello também esteve na mira dos delatores da Odebrecht — assim como de outras empreiteiras envolvidas no esquema. Ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho afirmou aos procuradores que Gim recebeu ao menos R$ 2,8 milhões entre 2010 e 2014. Também relatou o pedido de propina que ele teria feito em troca de não atacar as empreiteiras na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras no Congresso Nacional enquanto era senador.

 

A delação de Cláudio Melo foi feita em 13 de dezembro do ano passado. Segundo o ex-executivo, ele mesmo recebeu o pedido de “apoio financeiro” feito por Gim durante as campanhas eleitorais de 2010 e de 2014. O delator disse que o ex-senador recebeu a verba, mas não sabe se ele usou o dinheiro na disputa eleitoral.

 

Em 2010, Gim, que tinha mandato no Senado, não concorreu a um novo cargo político. Mesmo assim, Marcelo Odebrecht teria autorizado um repasse de R$ 1,5 milhão a ele, então presidente regional do PTB. A carta branca para o repasse do dinheiro foi dada durante um café da manhã entre Marcelo, Cláudio Melo e Gim em um hotel em Brasília.

O pagamento foi feito em três parcelas, entre julho e agosto de 2010, em São Paulo. Gim Argello é identificado com o codinome “Campari” na planilha de corrupçãa da empreiteira. O repasse foi feito por meio do Setor de Operações Estruturadas da empresa, destinado ao pagamento de propinas.

 

Já em 2014, quando Gim tentava se reeleger no Senado, ele teria feito uma nova solicitação de propina. O pedido ocorreu durante uma reunião em um dos escritórios da construtora. Cláudio Melo afirmou que sugeriu um repasse de R$ 1,3 milhão, autorizado por Marcelo Odebrecht. O valor foi dividido entre R$ 250 mil para o PTB do DF e R$ 50 mil para a conta da candidatura. O restante foi repassado a Gim.

 

CPMI no Congresso

Além dos repasses da empreiteira, Gim queria arrecadar dinheiro atuando dentro do Senado na CPMI da Petrobras no Congresso, da qual ele era integrante. Delatores da Lava Jato afirmaram que, ao longo de 2014, o ex-senador pediu R$ 5 milhões para cada empreiteira suspeita de envolvimento com os desvios na estatal.

 

Cláudio Melo confirmou o pedido de “apoio ilícito” em troca de proteção às empresas no colegiado. Ao longo das investigações da CPMI, empresários alvos da comissão almoçaram na casa de Gim, no Lago Sul.

 

Em um desses encontros, Cláudio Melo foi no lugar de Benedito Júnior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura. O almoço teria sido convocado pelo próprio Gim. Segundo o delator, o ex-senador conversou amenidades, mandou servir o almoço e avisou que o então senador Vital do Rêgo também estava chegando. “A presença do Vital ali seria para dizer que era membro da comissão também e que a comissão não era para fazer o mal, mas esclarecer os fatos”, detalhou Cláudio Melo na delação.

 

O pedido de dinheiro ilícito no âmbito da CPMI foi comprovado pelo empresário Márcio Faria, também da Odebrecht. Em delação, ele afirmou que foi procurado por Júlio Camargo, executivo da Toyo-Setal, para tratar do pedido feito por Gim. “O Júlio Camargo disse ter sido procurado por Gim, que prometeu interferir favoravelmente às companhias nas investigações (da CPMI). Falei que não tinha interesse e que não levaria o assunto para frente”, afirmou Faria aos procuradores.

 

Em vídeo, Marcelo Odebrecht reafirmou que autorizava os pagamentos ilegais e que alguns políticos recebiam com mais frequência. Sobre Gim, diz que a relação era resolvida com Cláudio Melo, mas que o ex-senador ficava “no meio do caminho” entre os que mais recebiam apoio da empreiteira.

 

Até a última atualização desta reportagem, o Metrópoles não havia conseguido contato com a defesa de Gim Argello.

 

 

Preso e já condenado a 19 anos de prisão no âmbito da Lava Jato, o ex-senador Gim Argello também esteve na mira dos delatores da Odebrecht — assim como de outras empreiteiras envolvidas no esquema. Ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho afirmou aos procuradores que Gim recebeu ao menos R$ 2,8 milhões entre 2010 e 2014. Também relatou o pedido de propina que ele teria feito em troca de não atacar as empreiteiras na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras no Congresso Nacional enquanto era senador.

 

A delação de Cláudio Melo foi feita em 13 de dezembro do ano passado. Segundo o ex-executivo, ele mesmo recebeu o pedido de “apoio financeiro” feito por Gim durante as campanhas eleitorais de 2010 e de 2014. O delator disse que o ex-senador recebeu a verba, mas não sabe se ele usou o dinheiro na disputa eleitoral.

 

Em 2010, Gim, que tinha mandato no Senado, não concorreu a um novo cargo político. Mesmo assim, Marcelo Odebrecht teria autorizado um repasse de R$ 1,5 milhão a ele, então presidente regional do PTB. A carta branca para o repasse do dinheiro foi dada durante um café da manhã entre Marcelo, Cláudio Melo e Gim em um hotel em Brasília.

O pagamento foi feito em três parcelas, entre julho e agosto de 2010, em São Paulo. Gim Argello é identificado com o codinome “Campari” na planilha de corrupçãa da empreiteira. O repasse foi feito por meio do Setor de Operações Estruturadas da empresa, destinado ao pagamento de propinas.

 

Já em 2014, quando Gim tentava se reeleger no Senado, ele teria feito uma nova solicitação de propina. O pedido ocorreu durante uma reunião em um dos escritórios da construtora. Cláudio Melo afirmou que sugeriu um repasse de R$ 1,3 milhão, autorizado por Marcelo Odebrecht. O valor foi dividido entre R$ 250 mil para o PTB do DF e R$ 50 mil para a conta da candidatura. O restante foi repassado a Gim.

 

CPMI no Congresso

Além dos repasses da empreiteira, Gim queria arrecadar dinheiro atuando dentro do Senado na CPMI da Petrobras no Congresso, da qual ele era integrante. Delatores da Lava Jato afirmaram que, ao longo de 2014, o ex-senador pediu R$ 5 milhões para cada empreiteira suspeita de envolvimento com os desvios na estatal.

 

Cláudio Melo confirmou o pedido de “apoio ilícito” em troca de proteção às empresas no colegiado. Ao longo das investigações da CPMI, empresários alvos da comissão almoçaram na casa de Gim, no Lago Sul.

 

Em um desses encontros, Cláudio Melo foi no lugar de Benedito Júnior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura. O almoço teria sido convocado pelo próprio Gim. Segundo o delator, o ex-senador conversou amenidades, mandou servir o almoço e avisou que o então senador Vital do Rêgo também estava chegando. “A presença do Vital ali seria para dizer que era membro da comissão também e que a comissão não era para fazer o mal, mas esclarecer os fatos”, detalhou Cláudio Melo na delação.

 

O pedido de dinheiro ilícito no âmbito da CPMI foi comprovado pelo empresário Márcio Faria, também da Odebrecht. Em delação, ele afirmou que foi procurado por Júlio Camargo, executivo da Toyo-Setal, para tratar do pedido feito por Gim. “O Júlio Camargo disse ter sido procurado por Gim, que prometeu interferir favoravelmente às companhias nas investigações (da CPMI). Falei que não tinha interesse e que não levaria o assunto para frente”, afirmou Faria aos procuradores.

 

Em vídeo, Marcelo Odebrecht reafirmou que autorizava os pagamentos ilegais e que alguns políticos recebiam com mais frequência. Sobre Gim, diz que a relação era resolvida com Cláudio Melo, mas que o ex-senador ficava “no meio do caminho” entre os que mais recebiam apoio da empreiteira.

 

Até a última atualização desta reportagem, o Metrópoles não havia conseguido contato com a defesa de Gim Argello.


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