23/04/2017 às 06h34min - Atualizada em 23/04/2017 às 06h34min

Delator relata caixa 2 para Lupi defender privatização do setor de água e esgoto

De acordo delator Fernando Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental, foram doados R$ 400 mil para para Carlos Lupi, presidente do PDT

G 1

O delator Fernando Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental, disse em seu depoimento que após repassar caixa 2 para o Partido Democrático Trabalhista (PDT), foi procurado em setembro de 2014 por um intermediário do presidente do partido, Carlos Lupi, que pediu recursos para sua campanha ao Senado.


Fernando Reis contou que por conta disso, em outubro de 2014, foram doados R$ 400 mil para Carlos Lupi com o objetivo de que ele defendesse, caso fosse eleito, a privatização do setor de água e esgoto. O intermediário teria sido o tesoureiro do PDT, Marcelo Panella. 


"Ele [Panella] na verdade pediu o que nós pudéssemos dar, acho que pediu mais R$ 1 milhão e eu ofereci. Chegamos a um número depois de uma negociação, de R$ 400 mil", disse o delator.


Fernando Reis acrescentou que o propósito a Odebrecht Ambiental era a privatização do setor de saneamento, privatização dos serviços de água, esgoto. "Então, qualquer político que viesse a levantar, a defender esse propósito institucional, nos interessava", explicou o delator.


Doação para partidos da base aliada
O delator lembra que, em junho de 2014, recebeu uma mensagem de Marcelo Odebrecht para que procurasse Alexandrino Alencar, o diretor de relações institucionais da construtora, para que fizesse pagamentos a determinados partidos da base aliada do Partido dos Trabalhadores por meio de caixa 2.


Esse pedido, segundo relatos do delator, foi feito pelo ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, para garantir os partidos aliados na chapa e, com isso, garantir os minutos de televisão na propaganda eleitoral gratuita. A negociação rendeu 4 minutos e 30 segundos a mais para a chapa da ex-presidente Dilma sobre o candidato Aécio Neves (PSDB).


O pedido de Mantega, disse Fernando Reis, foi de que fossem feitos repasses entre R$ 4 milhões e R$ 7 milhões para cada um dos seguintes partidos: PCdoB, PROS, o PDT, o PRB e o PP.

 

Fernando Reis também relatou que foi incumbido de intermediar o repasse para o PDT. Disse que o tesoureiro do partido, Marcelo Panella, achou os R$ 4 milhões pouco dinheiro, mas aceitou e recebeu via "drousys" (sistema de distribuição de propina da Odebrecht), pelo codinome "canal".


"Sabendo que ele [Marcelo Panella] era torcedor do Fluminense e eu também torcedor do Fluminense, já estabelecemos, inclusive as senhas [para repasse dos recursos] nos referindo a jogadores do time do Fluminense: Fred, Conca, Washington, Assis, isso tudo conta no nosso sistema Drousys", declarou o delator.


PDT
No último sábado, quando surgiu a informação de que o PDT teria recebido recursos de caixa 2 da Odebrecht, o partido divulgou uma nota à imprensa. Veja a íntegra:


"O PDT foi o primeiro partido político que declarou oficialmente apoio à chapa de Dilma Roussef. Foi no dia 10 de junho de 2014, quando a então candidata Dilma Roussef foi ao partido em ato público amplamente divulgado pela imprensa. Isso já comprova, diante das datas apresentadas pelo delator, que o anúncio aconteceu meses antes do suposto pagamento.


O PDT irá agir no âmbito da Justiça e tomar as medidas necessárias para que o delator comprove o que afirmou. Para nós está clara a tentativa de ganhar algum tipo de benefício contra seus crimes, inventando calúnias contra o PDT".


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