11/08/2021 às 06h33min - Atualizada em 11/08/2021 às 06h33min

Capitão da PM que propôs motel a adolescentes é indiciado por estupro

O militar foi detido depois que o pai de um garoto de 12 anos fingiu ser o adolescente em uma conversa; outras vítimas procuraram a polícia

Laura Braga
METRÓPOLES
 
Goiânia – O capitão da reserva da Polícia Militar e subcomandante do Colégio Militar de Rio Verde, de 59 anos, preso depois de trocar mensagens com adolescentes, e que chegou a propor “Motel, topam?“, foi indiciado nesta terça-feira (10/8) por estupro de vulnerável e importunação sexual. Segundo a Polícia Civil de Goiás (PCGO), durante as investigações surgiram novas supostas vítimas do homem e, por isso, a corporação abriu novo inquérito para continuar apurando.
 
 
O militar foi preso no dia 1º de agosto em um posto de gasolina de Rio Verde, onde havia combinado de encontrar o adolescente e um primo de 18 anos, para irem até um motel. O capitão teria proposto o encontro por WhatsApp, depois de assediar o menor em um clube.
 
O caso veio à tona depois que o pai do adolescente fingiu ser o garoto, conversou com o capitão e marcou o encontro. No dia seguinte ao encontro, a prisão preventiva do militar foi decretada, a pedido do Ministério Público de Goiás (MPGO).
 
Fato consumado
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Carlos Roberto Batista, a investigação concluiu que o crime foi consumado. Ao portal G1, o investigador afirmou que, um dia antes de ser preso, o capitão teria se encontrado com os adolescentes e, na ocasião, passou a mão nas partes íntimas de um deles.
 
Segundo o delegado, o fato já tinha acontecido em maio deste ano, quando ele encontrou o adolescente no clube, situação relatada pela mãe do garoto.
 
 
Batista não informou quantas pessoas procuraram a polícia para denunciar o militar. Porém, segundo ele, os relatos são parecidos com o do adolescente e teriam acontecido no mesmo local.
 
Veja trechos das mensagens trocadas:
 
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Afastado da função
Preso em flagrante por aliciamento de menor e investigado, agora, por tentativa de estupro de vulnerável e importunação sexual, o capitão foi afastado da função e transferido para o Presídio Militar, em Goiânia.
 
Em nota, a PMGO informou o afastamento imediato e o retorno dele à reserva da tropa. Um Procedimento Administrativo Disciplinar foi instaurado para apurar o caso. “A Polícia Militar de Goiás reitera que não compactua com qualquer desvio de conduta praticado por seus membros e que o caso será apurado com o rigor devido”, diz o texto da nota.
 
Proteção das vítimas
Na audiência de custódia, o promotor argumentou sobre a necessidade de garantia da ordem pública, diante da repercussão e o abalo social causado pelo ocorrido. Também foi mencionada a necessidade de proteção de vítimas e testemunhas.
 
 
O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) concordou com o promotor e determinou a prisão preventiva do capitão, que foi levado para o presídio militar.
 
Diferente da prisão em flagrante, a prisão preventiva não tem prazo para acabar. O inquérito da Polícia Civil sobre o caso deve ser concluído até a próxima semana, segundo o MPGO.
 
Vilão
Em entrevista ao
Metrópoles
, a mãe do menor contou que o filho e um sobrinho, de 18 anos, foram abordados pelo oficial em um clube de
Rio Verde
 (GO) em novembro de 2020. A mãe relatou que gritou para o filho sair da piscina, quando viu que o homem estava muito próximo dele.
Quando chegaram em casa, o adolescente revelou que o militar passou as mãos em suas partes íntimas. Até então, a família nem suspeitava que o agressor era um policial militar.
 
 
“O que deveria proteger se tornou o vilão, e isso dá uma sensação de impotência, porque nem sempre a gente está ao lado dos filhos da gente”, desabafou a mãe do adolescente.
 
Estratégia
Em uma nova visita ao clube, no sábado (31/7), o militar voltou a abordar o adolescente, que foi embora com medo. O capitão então, teria passado seu número de telefone para o sobrinho de 18 anos, que também estava no clube.
 
A partir daí, a família começou a se comunicar com o militar por mensagens pelo WhatsApp, como se fossem as vítimas. O oficial da PM teria falado palavras obscenas pelo aplicativo e, com pouco tempo de conversa, já sugeriu a ida até um motel.
 
“Quando ele falou que queria levar eles para o motel, eu pensei: ‘esse moço está obcecado pelo meu filho’. Até então, em nenhum momento passou pela nossa cabeça que era policial”, relatou a mãe do adolescente
 

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