17/11/2021 às 13h45min - Atualizada em 17/11/2021 às 13h45min

Presos, líderes do Comboio do Cão executaram ao menos 30 pessoas

Dois cabeças do Comboio do Cão foram detidos nesta quarta. O líder do grupo, conhecido como Willinha, está preso desde abril

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) acredita que a facção criminosa Comboio do Cão seja responsável por ao menos 30 homicídios, todos cometidos com requinte de crueldade. A facção é reconhecida pelo “exibicionismo” nos assassinatos. Nesta quarta-feira (17/11), a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Draco/Decor) prendeu a cúpula da quadrilha. Foram expedidos 19 mandados de prisão cautelar. Desses, 15 foram cumpridos nas primeiras horas do dia.
 
Além das prisões, bens, dinheiro, drogas, armas, e aproximadamente 10 mil munições foram apreendidos. O delegado chefe da Draco, Adriano Valente, e o delegado adjunto da especializada, Jean Mendes, detalharam que os mandados foram cumpridos em cidades do DF e do Entorno.
 
Os presos vão responder, a princípio, por tráfico de drogas, organização criminosa, posse e porte ilegal de arma de fogo, tráfico de arma de fogo, lavagem de dinheiro. “Além de uma série de homicídios que, com a operação de hoje, a gente acredita que vai conseguir elucidar grande parte deles”, pontuou Valente. “No total, hoje, há cerca de 30 homicídios que são imputados ao Comboio do Cão”, contou o delegado.
 
O Comboio do Cão atua principalmente no Riacho Fundo e no Recanto das Emas. A PCDF acredita que grande parte dos homicídios tenha ocorrido por disputa de território com outras facções.
 
A Operação Cálifa foi a quarta grande ação deflagrada contra a organização criminosa, além de ações pontuais, a exemplo da prisão de Ruan Rodrigues de Souza, 27 anos, conhecido como R7, acusado de cometer um feminicídio dentro de um motel no DF, no início deste mês. Antes da ação desta quarta, a PCDF tinha deflagrado as operações Rosário, Judas e a prisão do líder do Comboio do Cão, Willian Peres Rodrigues, conhecido como “Willinha”, na cidade de Paranhos (MS), na fronteira com o Paraguai, em abril de 2021.
 
 “Esse monitoramento em cima do Comboio do Cão vem sendo feito ininterruptamente pela Draco. Com a prisão do Willinha no mês de abril, a gente conseguiu um abalo muito grande no grupo. E essa operação de hoje visava dar o golpe final para desestruturar definitivamente essa facção no DF”, contou Valente. Foram presos dois membros responsáveis por substituir o antigo líder, encarregado da parte financeira do grupo criminoso.
 
“Esse é um ponto muito importante nas operações da Draco, que promover a asfixia financeira das organizações criminosas. Porque de nada adianta a prisão, se o dinheiro continua com a organização para que os membros sejam substituídos”, explicou. Mesmo assim, a PCDF continuará o monitoramento na facção. Somando todas as operações, 70 membros do grupo criminoso estão atrás das grades, segundo a corporação.
 
A Draco também prendeu o integrante que tinha a missão de abastecer os bandidos com armas e munições. “O membro que realizava a comercialização dessas munições tem o certificado de CAC, de colecionador. Ele utilizava disso para adquirir essas munições e repassar aos comparsas”, explicou Valente.
 
Segundo o delegado, a facção nascida no DF começava a avançar para o Entorno do DF e outras unidades da federação. E buscava parcerias com grupos criminosos internacionais, a exemplo de facções do Paraguai. A Cáfila contou com apoio da Divisão de Operações Aéreas da PCDF, do Departamento de Operações Especiais (DOE), Polícia Militar de Goiás (PMGO) e a Polícia Civil de Goiás (PCGO).
 
A operação apreendeu 20 armas, inclusive pistolas com seletor de rajada e carregador estendido, que são marcas características da facção para homicídios e execuções de grupos rivais. Os investigadores recolheram R$ 20 mil em espécie, grande parte em notas pequenas que caracterizam o tráfico, mais de 1 kg de cocaína, além de porções de outras drogas.
 
De acordo com a PCDF o grupo estava avançando na lavagem de dinheiro. Na operação, foram bloqueados dois imóveis de alto padrão no Recanto das Emas e Riacho Fundo 2. Ambos de elevado padrão, com valores de R$ 1 milhão e R$ 500 mil. Além disso, os investigadores apreenderam três carros de luxo.


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