25/05/2022 às 07h32min - Atualizada em 25/05/2022 às 07h32min

Adolescente de 15 anos é suspeita de planejar atentado contra agente no DF

Em nota, o Sindicato dos Servidores do Sistema Socioeducativo (Sindsse) alerta para a falta de segurança na unidade. O caso é investigado pela Polícia Civil do DF

Apreendida na Unidade de Internação Feminina do Gama por roubo, uma adolescente de 15 anos é suspeita de planejar a morte de uma agente socioeducativa. O fato ocorreu quando a menor estava em liberdade, em março deste ano, mas só veio à tona no último sábado (21/5), após o registro de ocorrência na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). Em conversa informal com outros servidores, a reeducanda confessou que roubou um carro, juntou-se a outras pessoas e, com uma arma de fogo, esperou a mulher sair para o intervalo do jantar em uma estrada de chão para cometer o crime.
 
Desde os 13 anos, a adolescente acumula 10 infrações por tráfico de drogas e roubos, sendo a primeira registrada em agosto de 2019. Na última apreensão, em 28 de abril, por roubo, a reeducanda estava em uma sala multiuso da unidade, quando relatou a outros agentes que não era bem tratada por alguns servidores, sentia-se constrangida com os olhares intimidadores e chegou a ser chamada de “peba” pela agente, motivo este que teria se enfurecido e planejado um ataque.
 
Entre 20 de dezembro de 2021 e 18 de março deste ano, período em que estava solta, a garota roubou um Cobalt no estacionamento de uma universidade do DF com outras pessoas e fez uma campana no caminho da estrada de chão que liga a Unidade de Internação Feminina do Gama à pista principal — . O objetivo, segundo ela, era fazer “algum mal” à agente. Contudo, o plano só não foi executado porque, neste dia, a servidora não saiu da unidade para jantar.
 
Ainda em detalhes, a adolescente contou que o carro estava sem placa e farol e estacionou próximo aos arbustos no caminho de estrada de chão, onde aguardou a policial sair para jantar. Questionada sobre o motivo do plano, a menor alegou que foi a única vez em que preparou uma “campana” e se sentiu “diminuída” pela servidora. O caso segue em apuração pela Polícia Civil do DF.
 
Falta de segurança
Em 2019, um outro agente socioeducativo estava dentro da Unidade de Internação do Recanto das Emas, quando dois jovens de 18 anos passaram pela área e começaram a gritar pelo nome do servidor. Os homens foram presos e condenados na Justiça posteriormente.

 
O Sindicato dos Servidores do Sistema Socioeducativo (Sindsse) se manifestou sobre o caso. De acordo com a categoria, foi feita uma visita técnica da entidade sindical na Unidade do Gama, em que foi constatado a vulnerabilidade da segurança pública nos arredores da unidade. “Guaritas desativadas; iluminação noturna precária; vigilância desarmada; falta de local apropriado para cautela de arma de fogo dos servidores que possuem porte de arma particular; falta de comunicação da Gestão da Unidade com os Agentes do módulo sobre o fato ocorrido; entre outras vulnerabilidades, foram constatados”, destacou a categoria.
 
Ainda em nota, o Sindsse afirmou que este cenário abrange outras unidades de internação e que, em 2019, a Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania (Sejus) desativou os postos policiais fixos das unidades, o que teria agravado as ocorrências de ameaças de morte por parte de internos e ex-internos contra agentes socioeducativos.
 
Em 18 de maio, o sindicato oficiou, em caráter de urgência, a Sejus, requerendo informações acerca das providências tomadas em relação ao caso. “Até o presente momento não obtivemos nenhuma resposta”, concluiu.


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