12/08/2022 às 06h52min - Atualizada em 12/08/2022 às 06h52min

Polícia investiga bando que vende vaga na fila do Cras-DF por R$ 100

Em perfis nas redes sociais e em fóruns específicos na internet, os suspeitos ofereciam vagas nas filas dos centros de atendimentos

Carlos Carone / Mirelle Pinheiro
Portal Metrópoles

Um grupo criminoso que fatura vendendo vagas em filas do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) é alvo de inquérito policial instaurado pelo Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). As investigações apontam que os suspeito chegariam a cobrar até R$ 100 por uma vaga na fila de quem deseja atendimento.
 
A coluna apurou que seis suspeitos devem ser ouvidos a partir desta sexta-feira (12/8), na sede do departamento. Em perfis nas redes sociais e em fóruns específicos na internet, os suspeitos ofereciam vagas nas filas. Os valores variam de acordo com a posição e o tempo de espera em cada umas filas.
 
Entre os suspeitos estaria uma mulher vista por usuários do Cras oferecendo vagas para o atendimento no centro em troca de pagamento.
 
Os Cras são as unidades de porta de entrada para obtenção de benefícios como o Auxílio Brasil. A pandemia aprofundou os problemas sociais do país. No Distrito Federal, a fila de espera para atendimento nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) cresceu 278% entre 2019 e 2021.
 
Segundo relatório da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do DF (CLDF) finalizado esta semana, havia 48.988 pessoas aguardando por atendimento nos Cras, em julho de 2019. Em outubro de 2021, o número subiu para 185.139.
 
Em entrevista ao Metrópoles o secretário da Casa Civil do DF, Gustavo Rocha, disse que a capital ganhará mais 14 pontos de atendimento para preenchimento e atualização do Cadastro Único, porta de entrada para concessão de benefícios. A ideia é desafogar os Cras e acabar com as filas.
 
Rocha afirmou à coluna Grande Angular que a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) assinou contrato com a Organização da Sociedade Civil (OSC) Mãos Solidárias para a gestão das unidades.
 
 “A OSC vai fazer a triagem e agilizar o atendimento à população que mais necessita. Com as novas unidades, o DF terá 50 pontos de assistência social”, disse.
 
Paralisação
Inconformados com as condições de trabalho, servidores da assistência social do DF realizaram, em junho último, uma assembleia sindical com paralisação de 24h para debaterem a situação atual nos Cras de toda a capital. Segundo o sindicato da categoria, o Sindasc, eles querem mais diálogo com o GDF e uma resolução de curto prazo para as filas de pessoas que buscam algum benefício social.
 
Conforme explica Clayton de Souza Avelar, diretor da entidade, há três propostas dos trabalhadores para reduzirem o problema da falta de atendimento. A primeira delas é a nomeação de 28 agentes e 259 especialistas do concurso realizado em 2018. “Reconhecemos que houve o chamamento, mas ainda é insuficiente”, comenta.
 
Outra solução seria o aumento da carga horária de 700 servidores de 30 para 40 horas semanais. “É um pedido nosso e que traria aí em torno de 7 mil horas a mais de trabalho”, diz. A terceira proposta é retomar a função de aproximadamente 100 auxiliares.
 
Segundo Clayton, esta é uma oportunidade de reivindicar uma conversa com a Secretaria de Desenvolvimento Social do DF. “A tensão está muito elevada e a gente espera o diálogo. Temos segurança do que estamos fazendo, que é tentar resolver o problema”.


Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »