15/07/2017 às 08h03min - Atualizada em 15/07/2017 às 08h03min

Motorista da Caixa morre em delegacia de Sobradinho e revolta família

Vítima trabalhava na CEF há 28 anos e era tido como uma pessoa boa por todos os colegas de trabalho e familiares

Correioweb
 Um homem de 48 anos morreu, nesta sexta-feira (14/7), após dar entrada na 13ª Delegacia de Polícia (Sobradinho). A vítima era o motorista da Caixa Econômica Federal (CEF), Luiz Cláudio Rodrigues. Ele foi detido após dirigir embriagado e colidir o veículo que conduzia contra o carro de um policial militar, por volta das 15h. A família foi chamada e só após o pagamento da fiança, no valor de R$ 1.200, o cunhado foi autorizado a buscar o motorista na cela, quando o encontrou já sem vida. 
Marcos Eustáquio, 48, autônomo e cunhado de Luiz Cláudio, conta que a família chegou à unidade policial por volta das 16h. Segundo ele, apesar de a vítima não ter passagem pela polícia, ou apresentar qualquer sinal de periculosidade, nenhum parente recebeu autorização do delegado para vê-lo enquanto detido. "Ele tem 1,67m, é franzino. Não apresenta perigo nenhum. O Luiz Cláudio se enforcou com a própria camisa. Geralmente a polícia não deixa isso acontecer. Ele estava sob a tutela do Estado. Geralmente o policial é tão safo que, quando prende alguém, retira qualquer coisa que apresente risco: cadarço, cinto, cordões... Não fizeram isso", disse.
 
Luíz Cláudio era motorista da Caixa Econômica Federal (CEF) há 28 anos. Atualmente, cuidava da presidência do banco. "Ele era uma pessoa muito querida. Todo mundo está muito desacreditado do que aconteceu. É muito triste", lamentou o cunhado. Não tinha quadro de depressão e comemorava neste sábado (15/7) o seu aniversário de 49 anos, onde festejaria com uma feijoada entre amigos. 
 
Primo de Luíz e advogado da família, Paulo César Machado Feitoza diz que, em um primeiro momento, a família pretende processar o Estado, uma vez que Luiz Cláudio estava sob a tutela do governo. "A minha preocupação é que a perícia é da própria instituição da Polícia Civil do DF, que está no olho do furacão aqui. Outra coisa que me preocupa é o descaso. O fato de o delegado ter saído de tarde e só voltar por volta das 23h. Isso é preocupante", diz Machado.
 
Luís Nova/Esp.CB/DA Press

Luís Nova/Esp.CB/DA Press

 
Segundo Robert Araújo Menezes, delegado plantonista da 13ª DP, o corpo foi encontrado primeiramente pelo escrivão da unidade, que o chamou em seguida. "A morte aconteceu entre 18h e 18h40, quando terminou a situação de flagrante. Quem viu ele morto primeiro foi o escrivão, que me chamou. Logo depois chamei o cunhado da vítima. Infelizmente uma pessoa não precisa de uma forca para se enforcar", disse. 
 
Prima da vítima, Silvana Machado, 52, cobra justiça. Segundo ela, a polícia foi negligente. "No momento da prisão só tinha ele detido, não tinha mais ninguém na delegacia. E tinha seis agentes da polícia e ninguém ficou vigiando ele", pontuou.
  
Do lado de fora da delegacia, cerca de 20 pessoas, entre amigos, familiares e colegas de trabalho estavam estarrecidos. Todos disseram que a vítma não tinha problemas psiquíatricos, nem fazia uso de drogas.  Separado há duas décadas, Luiz Cláudio deixa um filho, de 29 anos, e dois netos, um de 5 e outro de 9 anos de idade.
 
Segundo o delegado plantonista, um inquérito será aberto para investigar o caso.

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