A decisão do ministro Alexandre de Moraes de tornar público os vídeos e áudios da delação de Mauro Cid esvazia a estratégia de defesa de Jair Bolsonaro e do general Walter Braga Netto, que foi candidato a vice em sua chapa na campanha de 2022, para postergar o início do julgamento sobre a tentativa de golpe.
Os advogados vinham se queixando de não terem tido acesso às mídias da delação do ex-ajudante de ordens da Presidência, como áudios e vídeos dos depoimentos de Cid. Diante disso, os representantes Bolsonaro e Braga Netto pretendiam solicitar a extensão do prazo de 15 dias estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para apresentarem suas defesas. Eles também se queixam de não terem acesso à íntegra dos autos, como as diligências em andamento, e apontam "cerceamento à defesa".
A publicidade do material, porém, esvazia esse argumento. O caso da tentativa de golpe deve ser julgado pela Primeira Turma do STF, formada pelos ministros Cristiano Zanin, que é o presidente do colegiado até setembro, Flávio Dino, que o substituirá, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes e Luiz Fux. Uma condenação unânime de Bolsonaro pode impedir que o processo seja remetido ao plenário do Tribunal, formado pelos 11 ministros.
Os advogados que representam o ex-presidente e Braga Netto avaliam que é pequena a chance de conseguirem levar o caso para o plenário, mas vão investir nesta frente.