Lula a Tarcísio: "Só temos um lado: atender bem o povo de São Paulo e do Brasil. Esse é o nosso lado e esse é o nosso compromisso, o restante a gente deixa passar" -
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscou pacificar a relação com opositores ao discursar, nesta quinta-feira (27/2), durante evento de lançamento de um túnel submerso entre Santos e Guarujá, em São Paulo. Junto ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), principal nome da oposição na disputada presidencial em 2026, o petista fez questão de demonstrar boa relação com prefeitos, governadores e parlamentares de outros partidos.
"Mais do que a fala, a fotografia que foi tirada hoje aqui possivelmente marca um novo momento na história do Brasil. Eu vou, possivelmente na semana que vem, Tarcísio, ao estado que tem o governador que mais fala mal de mim (Jorginho Mello, do PL). E eu vou também fazer o que tem que fazer, porque (em Santa Catarina) tem um porto que ficou parado dois anos e nós vamos colocar aquele porto, que é o segundo de containers do Brasil, para funcionar. E eu não estou preocupado com o governador, estou preocupado com o Brasil, com Santa Catarina, e de levar a possibilidade de as pessoas poderem trabalhar", iniciou Lula.
Na sequência, o presidente destacou que Tarcísio estaria fazendo "história" pela parceria com o governo federal. "Pode ficar certo que o povo compreende o que está acontecendo. Tem gente do lado do Tarcísio que não gosta de vê-lo do meu lado, e tem gente, do meu lado, que não gosta de me ver do teu lado. O que temos que ter consciência é que só temos um lado: atender bem o povo de São Paulo e do Brasil. Esse é o nosso lado e esse é o nosso compromisso, o restante a gente deixa passar", apontou.
O chefe do Executivo frisou que "jamais" vai "perseguir alguém porque votou contra" ele ou "deixar de emprestar dinheiro". "Não foi para isso que eu quis ser presidente da República outra vez. Eu quis ser presidente para provar que é possível, de forma civilizada, resolver os problemas deste país", argumentou.
Lula agradeceu aos parlamentares aliados do governo e também aos de oposição. "Os deputados federais e os senadores conseguiram fazer com que a gente provasse ao Brasil que o fato de as pessoas não serem do teu partido não significa muita coisa. O PT só tem 70 deputados entre os 513. Só tem nove senadores em 81. E nesses últimos dois anos, nós aprovamos 99% das coisas que queríamos aprovar para o bem deste país. Inclusive, aprovamos uma reforma tributária que eu jamais acreditei que seria aprovada em um regime democrático. E ela foi aprovada e agradeço sempre aos deputados e senadores", disse.
"O que esta acontecendo hoje é uma coisa que prometi durante a campanha, eu quero trazer o Brasil à normalidade. A normalidade é a relação civilizada entre os entes federados, prefeitos, governadores, presidente da República. Essa é uma relação civilizada. Ninguém precisa concordar com ninguém, ninguém precisa ser da mesma religião, ninguém precisa torcer para o mesmo time, ninguém precisa almoçar na mesma mesa. O que nós temos que ter em conta é o que estamos fazendo quando governamos um estado, um país ou uma cidade. Para o que somos eleitos. Nós não fomos eleitos para brigar, para fazer desaforo para os outros, fomos eleitos para compartilhar o nosso esforço e fazer com que o povo sinta prazer de ser governado por alguém que está preocupado com ele", resumiu o presidente.
Segurança pública
Durante discurso, Lula comentou ainda sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre segurança pública, que está sendo discutida junto a governadores e prefeitos.
"Todo mundo sabe que, em todos os estados da Federação, a segurança é um problema. Todo mundo está preocupado com a violência, com o roubo de celular, com o roubo de carro, com o genocídio, com o feminicídio, com a polícia matando a torto e a direito pessoas que, por serem negras, pagam um preço maior. Todo mundo sabe. E não adianta a gente ficar falando que a questão da segurança é de responsabilidade do Estado. Isso está na Constituição. Mas a segurança é uma coisa que interessa ao prefeito e nós vamos colocar na PEC o direitos das prefeituras terem a Guarda Municipal agindo para combater o crime e a violência", declarou o presidente.
O governo Lula tem enfrentado resistência dos governadores na proposta, pois muitos questionam se a interferência de outras esferas do poder não irá alterar a autonomia dos estados. "Se a gente não fizer isso, as balas perdidas vão continuar matando crianças na porta da escola, matando inocente. É um papel que temos que assumir. Daqui para frente tudo tem que ser compartilhado, as coisas boas e ruins. A gente tem que compartilhar para mudar um pouco a história deste país", defendeu o petista.
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Lula participou, nesta manhã, do lançamento do edital para a construção de um túnel submerso entre Santos e Guarujá, no litoral de São Paulo. A estrutura será o primeiro túnel submerso do Brasil, e o maior da América Latina, com extensão de 1,5 km, dos quais 870 metros imersos. Incluída no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a obra terá investimento de R$ 6 bilhões.
De acordo com o governo federal, cerca de 78 mil pessoas passam por dia entre Santos e Guarujá, com tempo de travessia entre 20 minutos e duas horas, a depender da formação de filas, incluindo trecho com balsa.
A opção do túnel foi feita por causa do tamanho dos navios que passaram pelo trecho, em direção ao Porto de Santos, o que inviabilizaria a construção de pontes. O leilão está previsto para agosto deste ano, e a empresa vencedora terá a concessão por 30 anos. A expectativa é de que as obras comecem em 2026, e levem cinco anos.
Também participaram da cerimônia os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos). Além do edital para o túnel, o evento também anunciou um financiamento de R$ 2,4 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a fase 1 da Linha 2 do metrô de São Paulo.