Diante das investidas do PT para tentar barrar que o PL coloque Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no comando da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou na terça-feira (11) que não há como o chefe do Legislativo ou outros partidos interferirem na decisão interna de uma legenda - o PL tem direito às duas primeiras pedidas dos colegiados e quer emplacar o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em uma delas.
“O líder do PL, Sóstenes Cavalcante, tem priorizado a Comissão de Relações Exteriores. Ele tem colocado que essa é uma prioridade para o PL. Estamos ouvindo os demais partidos para entender suas prioridades. Estamos tratando apenas da escolha partidária. Ainda não estamos tratando de nomes”, disse Motta a jornalistas ao chegar para o jantar da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), com líderes do Centrão
Nesta terça, Motta se dedicou a reuniões com líderes partidários para tentar avançar na distribuição das comissões da Casa. Ele quer fechar o mapa dos colegiados na quinta-feira para que eles sejam instalados na próxima semana.
O parlamentar chegou acompanhado dos líderes do PSD, Antônio Brito (BA), e do MDB, Isnaldo Bulhões (AL).
Ele descartou que a escalação de Eduardo Bolsonaro pelo PL para a CREDN possa abrir uma crise com o Supremo Tribunal Federal (STF).
“Não acredito que seja uma crise até porque essa distribuição das comissões pelos partidos já é conhecida por todos. É uma praxe regimental. Não há muito o que o presidente da Câmara e os outros partidos fazerem. Por que? Porque isso se dá pelo tamanho de cada bancada. Não há como interferir, como mudar esse bloco, que foi formado no início da legislatura”, afirmou Motta.
“Vamos cumprir regimentalmente aquilo que tem que ser cumprido por nós nessa escolha, sempre tentando da forma mais harmônica possível fazer com que os partidos possam convergir e escolher da melhor forma as comissões”, completou.
O deputado disse ver com naturalidade as divergências entre legendas durante as negociações para a distribuição das comissões. “Sempre digo aos líderes que nenhum líder senta à mesa e sai 100% satisfeito, principalmente quando um partido tem direito de escolher mais de uma comissão. Ao final, se monta a divisão daquilo que é possível fazer”.
Ainda sobre as comissões da Câmara, Motta indicou que cumprirá o acordo selado pelo seu antecessor, o deputado Arthur Lira (PP-AL), para que União Brasil e MDB fiquem à frente da principal comissão da Câmara, a de Constituição e Justiça (CCJ), nos dois últimos anos da atual legislatura. O PL, que tem direito a duas comissões, quer a CCJ e a de relações exteriores.
“Há um acordo prévio onde o PL já exerceu sua vez na presidência da CCJ, que foi no ano passado com a deputada Caroline de Toni”, disse Motta a jornalistas ao chegar para jantar oferecido pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), a líderes do Centrão.
“Sim, claro, o acordo tem que ser cumprido. O acordo é com os líderes também”, completou ao ser indagado se acordo feito por Lira seria cumprido por ele.
Um acordo construído por Lira em 2023 previa que a presidência da CCJ seria exercida por PT, PL, União e MDB nos quatro anos da legislatura.
Os deputados Rui Falcão (PT-SP) e Caroline de Toni (PL-SC) presidiram o colegiado em 2023 e 2024, respectivamente.
O União deve comandar o colegiado neste ano, já que o MDB deve ficar com a relatoria do Orçamento de 2026, que também estava na mira do partido liderado por Pedro Lucas (União-MA).
Por isso, os emedebistas devem comandar a comissão no ano que vem.