02/11/2017 às 05h57min - Atualizada em 02/11/2017 às 05h57min

Convite a Maria de Lourdes leva Rede a discutir rompimento com Buriti

O embarque tucano agravou a erosão da base do governo

Agenda Capital

A Rede ensaia o desembarque da aliança com governo Rollemberg (PSB), mantida desde a eleição de 2014. O descontentamento crônico da legenda com as decisões do Palácio do Buriti foi agravado com o acalorado pouso tucano no governo. Para o partido a criação de secretaria artificial para a acomodação do PSDB foi um exemplo claro da velha política fisiológica do “toma lá da cá”. O sepultamento ou uma nova sobrevida para a coligação será decidido na 3ª Conferência da Rede, prevista para os dias 17 e 18 de novembro.

“Não vamos fazer aliança do poder pelo poder. Por isso, a gente estranha muito essa conversa do governador com PSDB. E ainda tem esse processo de definição de uma secretaria que nem existia. Ainda mais neste momento em que o próprio governo faz sacrifícios, prega austeridade. Nesta crise fiscal, local e nacional, se cria uma secretaria que não tem finalidade nenhuma a não ser acomodar um partido. Esse tipo de coisa a sociedade em geral não quer mais. Ninguém tolera a velha política”, criticou o porta voz da Rede no DF, Pedro Ivo.

Para selar a aliança com os tucanos, o governo criou a Secretaria de Projetos Estratégicos. “Essa nova pasta não vai alterar nada em relação aos projetos e obras que já está sendo feitos por outros órgãos do governo. O que mais incomoda é a não discussão de programa, causas, de compromissos com a cidade. Basta de toma-lá-da-cá”, cravou o porta-voz. Segundo Pedro Ivo, os eleitores estão sinalizando o descontentamento com este tipo de postura política nas pesquisas de opinião com o aumento constante das pretensões de votos nulos e brancos.

Ao longo das últimas zonais, o deputado distrital Chico Leite, pré-candidato ao Senado Federal nas próximas eleições, tem pregado a independência da legenda, seguida pela entrega dos cargos no governo. Apesar do irmão, Valdir Oliveira, capitanear a secretaria de Economia, Desenvolvimento, Inovação, Ciência e Tecnologia, o parlamentar julga que a população deseja uma nova política, independente de interesses individuais ou corporativos. Sobre embarque do irmão no governo, Leite enfatizou que foi contra a decisão.

“Acho que o GDF precisa melhorar muito. É um governo correto, honesto, que se preocupa com a cidade, que tem responsabilidade fiscal, combate a grilagem, mas que precisa melhorar as políticas públicas. Não encontra alternativas para a crise que vivemos. Eu não achei muito correta essa história de criar cargos para receber o PSDB. Não achei positiva essa história, neste momento de contenção de despesas”, ponderou Leite.

O embarque tucano agravou a erosão da base do governo. Além da Rede, o PSD também cogita abandonar a aliança de 2014. Segundo o presidente regional, deputado federal, Rogério Rosso, a legenda fará em breve uma reunião para decidir a manutenção ou o fim da composição.

O novo diretório regional do PSB planeja estancar a sangria na aliança de 2014. A nova direção da sigla planeja conversar com Rede, PSD e SD para explicar as decisões do governo e recompor a coalizão.

Segundo Pedro Ivo, o PSB tinha o compromisso de fazer a nova política. Na avaliação do porta voz, o partido de Rollemberg tinha condição de fazer diferente. Por isso, a criação da secretaria inaugurou um momento delicado para o governo.

A Rede não apoiou o governo nos aumentos das passagens do transporte público e dos restaurantes comunitários. A legenda votou em Joe Valle para a presidência da Câmara, contra o candidato do governo e, também não endossou a criação do Instituto Hospital e Base de Brasília. Todavia votou com Rollemberg para a reforma da previdência no DF.

Estando ou não no governo Rollemberg, o projeto da Rede é compor uma aliança progressista e democrática. Ou seja, com foco em ações sociais e ao combate da desigualdade dentro de modelo de gestão que fortaleça a democracia. Caso a tendência de rompimento com o Buriti se concretize, crescerá a possibilidade de que a legenda a presente um nome para o GDF. Por enquanto o primeiro da lista é Chico Leite.

“Todos os que estamos na política queremos ajudar a cidade, mas no governo é possível ajudar mais. Eu nunca escapei desta possibilidade. Agora, isso depende da construção e do consenso. A Rede tem que querer isso e os partidos do campo a que nós somos pertencentes, como PDT e PV, também precisam apoiar. Mas minha preferência é o Senado”, concluiu Leite.

 

Crítica alcança antigos aliados

 

Seguindo o dito popular, “pau que bate em Chico, bate em Francisco”, a Rede também desaprovou os flertes do PDT com Jofran Frejat (PR). Segundo Pedro Ivo, o diagnóstico, com as devidas proporções é o mesmo do aperto de mãos de Rollemberg com o tucanato. Em outras palavras, a bronca é com a preferência de alianças estritamente pragmáticas em detrimento de projetos programáticos com coerência de projetos.

“PDT com Frejat? Claro que incomoda. Porque não está dentro do que a Rede pensa. Não tem unidade programática. Não há prática conjunta. É simplesmente formar blocos para contrapor A ou B. Na próxima eleição, os eleitores serão extremamente críticos. E esse tipo de coisa terá peso. O que tem Joe (Valle, presidente da Câmara Legislativa e membro do PDT) com Frejat? O que o PDT tem com o PR? E mais uma vez a sopa de letrinhas para combater o rival A e B. Basta disso”, desabafou Pedro Ivo.

Contudo, a Rede ainda mais diálogo com o PDT, da mesma forma como ainda conversa com o PSB e o PV. Na análise do cientista político Valdir Pucci, Rollemberg buscou o PSDB na tentativa de se antecipar ao eventual rompimento da Rede e de outros aliados originais de 2014. “Os partidos que apoiaram ele não veem nele possibilidade de vitória em 2018. A política vive de expectativa de poder”, argumentou.

Como os grandes partidos estão buscando outros caminhos, Pucci observa que Rollemberg buscará uma nova base com siglas de médio e pequeno porte no DF e nacionalmente. Este movimento será vital para que o governador tenha tempo de TV e rádio para dizer o que pretende fazer, o que entregou e explicar as promessas não cumpridas e os tropeços do governo.


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