08/12/2016 às 19h12min - Atualizada em 08/12/2016 às 19h12min

Eleição para Presidência da Câmara Legislativa: A conta não fecha

Faltando pouco mais de uma semana para a eleição dos novos ocupantes da Mesa Diretora da Câmara Legislativa, a movimentação política é grande, porém insuficiente para apontar o nome do futuro Presidente da Casa

Por João Zisman

O poder executivo, que normalmente tenta dissimular seu interesse nesse tipo de eleição, trabalha na surdina para emplacar Agaciel Maia, por considerá-lo um aliado conciliador e incapaz de arroubos políticos que possam instigar crises, que praticamente foram a tônica no convívio entre o governo Rollemberg e a Câmara Legislativa comandada por Celina Leão.

 

A favor de Agaciel, pesa o fato de sua ampla expertise em orçamento público, que tanto ajudou Rollemberg a desafogar o caixa do GDF desde o início de sua gestão, além do seu bom trânsito na esfera federal. Nas contas dos entendidos de plantão, Agaciel já teria o apoio fechado de Juarezão, Lira, Luzia de Paula, Júlio César, Bispo Renato, Cristiano Araújo e Robério Negreiros. Com a garantia de oito votos mais o dele, Agaciel trabalha para conquistar a confiança de mais 7 companheiros.

 

O Distrital Joe Valle também goza de simpatia no Buriti, apesar da “lenda” política de que ele e o governador Rollemberg mantenham uma distância regulamentar em razão de estranhamentos passados. Mesmo que isso seja verdade, tudo parece superado, tendo em vista que Joe foi até bem pouco tempo o supersecretário do governo, cuja força e prestígio ficaram claramente evidenciadas com a manutenção de seu afilhado no comando da pasta do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, por ocasião de seu retorno ao parlamento.

 

Valle resolveu profissionalizar sua campanha pela cadeira da presidência da CLDF. Para tanto, tem contado com a experiência de Alírio Netto, ex-presidente da Casa e atual Presidente do PTB no DF. A presença de Alírio reforça os alicerces da ponte construída entre Joe e Tadeu Filipelli, que como presidente do PMDB local, em tese, poderia garantir os votos dos distritais da legenda: Rafael Prudente e Wellington Luiz. Somados os 2 votos do PMDB com os 2 votos do PDT, mais o voto de Liliane Roriz do PTB de Alírio e ainda de Abrantes e Chico Leite da Rede, Joe teria garantidos 7 votos. Faltariam, no mínimo, 6 votos para chegar lá.no entanto, esse tipo de eleição não se resolve matematicamente. Até o final da contagem de votos, não há conta que feche.

 

O presidente da CPI da Saúde, Wellington Luiz é oposição declarada ao Buriti e também almeja a cadeira de presidente. Resta saber se Filipelli dará carta branca para que ele lance sua candidatura. O discurso duro de Wellington pode atrair os votos de Celina Leão e Raimundo Ribeiro, ambos do PPS, e magoados até a tampa com o governador, além da bancada petista. Essa engenharia permitiria a Wellington somar de largada 7 votos, ou seja: 2 do PMDB, 2 do PPS e 3 do PT. Tudo dando certo nessa conta, ainda faltariam mais 6 preciosos votos para sua eleição.

 

A distrital Sandra Faraj, nunca escondeu seu desejo de presidir a Casa, e, portanto, vem trabalhando seu nome junto aos seus pares. Faraj tenta unir a bancada evangélica em torno de si, o que lhe daria uma largada de 4 votos. Nesse contexto, Sandra também pretende reunir o voto feminino de Telma Rufino, Celina, Luzia de Paula e Liliane Roriz. Considerando a improvável possibilidade de Celina e Liliane convergirem em qualquer circunstância, Sandra Faraj teria 4 votos evangélicos mais os votos de Luzia e Telma e pelo menos de uma das duas desafetas. Opa! 7 votos garantidos com Sandra. Faltam mais 6 para chegar no topo.

 

De acordo com o cenário acima descrito, encontraremos o resultado de 29 votos, considerando a soma dos votos “garantidos” de cada possível postulante. Isso é prova que esse tipo de eleição não se resolve com base em modelos matemáticos. Afinal, o quórum total de votantes é de 24, sobrando, portanto, 5 votos que estão sendo computados para mais de um dos candidatos. Todavia, isso é, sem dúvida, uma análise meramente numérica e simplista.

 

A composição numérica dos partidos e/ou dos blocos partidários, por praxe das Casas legislativas, tem sido o norte para a composição hierárquica das Mesas Diretoras, formando o que se costuma chamar de chapa oficial, no entanto, não raras são às vezes em que se abrem disputas pelos cargos com candidaturas avulsas.

 

O Governador Rollemberg tem tudo para emplacar um presidente que seja alinhado ao seu governo, no entanto, a mediação de um acordo entre Joe, Sandra e Agaciel é necessária, antes que a disputa entre eles deixe ressentimentos que certamente alimentarão qualquer candidatura de oposição, no caso, a do distrital Wellington Luiz.

 

No momento só há uma certeza: a conta de nenhum dos candidatos fecha.

 

Por João Zisman


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