10/12/2016 às 07h29min - Atualizada em 10/12/2016 às 07h29min

Ex-executivo da Odebrecht: Dinheiro foi entregue em escritório de amigo de Temer

Em delação, Cláudio Melo Filho afirma que repasse em escritório de José Yunes fazia parte de R$ 10 milhões negociados entre Temer e Marcelo Odebrecht, para campanha de 2014

Revista Época

O teor da delação de Melo Filho foi divulgado pelo site Buzzfeed e confirmado por O Globo

 

Um dos executivos que assinaram os acordos de delação premiada da Odebrecht afirmou que, na campanha eleitoral de 2014, foi entregue dinheiro vivo no escritório do advogado José Yunes – amigo de Michel Temer, hoje assessor especial da Presidência, ex-tesoureiro do PMDB em São Paulo. Segundo Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, a quantia entregue em São Paulo era parte de um repasse de R$ 10 milhões, combinado em um no Palácio do Jaburu, quando Temer, então vice-presidente da República, recebeu Marcelo Odebrecht, na época, presidente da empreiteira. O encontro ocorreu em maio de 2014, dois meses depois do início da Operação Lava Jato.

 

O ex-vice-presidente da Odebrecht afirmou que, dos R$ 10 milhões, R$ 6 milhões foram para a campanha de Paulo Skaf, presidente da Fiesp, candidato do PMDB ao governo de São Paulo naquelas eleições. Os outros R$ 4 milhões foram repartidos por outras campanhas do partido, disse o delator. A divisão ficou a cargo Eliseu Padilha, hoje ministro da Casa Civil, informa O Globo.

 

José Yunes é um dos mais próximos conselheiros de Temer. Ele é amigo do presidente há mais de 30 anos. O nome dele já apareceu em outra ocasião ligado a movimentações financeiras de Temer. O ex-deputado federal Eduardo Cunha, preso na Lava Jato, citou Yunes em duas perguntas endereçadas a Temer, arrolado como testemanha no processo em que Cunha é acusado de receber propina em negociações para venda de campo de petróleo no Benin para a Petrobras. Uma pergunta era qual é a relação de Temer com Yunes. A outra questão dizia: “O senhor José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB, de forma oficial ou não declarada?“. As duas perguntas e mais 19 foram vetadas pelo juiz Sergio Moro, entre 41, porque não diziam respeito ao que é investigado no processo.

 

O advogado José Yunes, assessor especial da Presidência, amigo de Michel Temer há mais de 30 anos (Foto: Mastrangelo Reino/Folhapress)O advogado José Yunes, assessor especial da Presidência, amigo de Michel Temer há mais de 30 anos (Foto: Mastrangelo Reino/Folhapress)

Segundo O Globo, o secretário de Comunicação da Presidência, Márcio Freitas, negou as afirmações da delação de Melo Filho envolvendo Yunes. Disse que Temer pediu contribuiação a Marcelo Odebrecht para a campanha, mas que tudo que foi arrecadado foi declarado à Justiça Eleitoral e não houve entrega em dinheiro vivo no escritório do assessor de Temer.


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