24/03/2018 às 11h41min - Atualizada em 24/03/2018 às 11h41min

O governador Rodrigo Rollemberg determinou a exoneração de todos os servidores que foram alvos da operação da Polícia Civil do Distrito Federal realizada na manhã deste sábado, 24 de março.

Subsecretaria de Relações com a Imprensa


Entenda o caso:
A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu temporariamente, na manhã deste sábado (24), o responsável pela unidade de controle de bilhetagem automática do DFTrans, Harumy Tomonori Honda. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa dele e na residência do diretor-geral do órgão, Léo Cruz.
O Palácio do Buriti informou que o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) determinou a exoneração dos servidores que foram alvos da operação da Polícia Civil realizada neste sábado.
A detenção é um desdobramento da operação Trickster – deflagrada na semana passada – que desmascarou fraudes no Sistema de Bilhetagem Automática (SBA) do DF e prendeu ao menos 20 pessoas. O G1 aguarda posicionamento do órgão sobre a prisão do servidor.
Prisão preventiva
Na sexta-feira (23), a Justiça do DF decretou a prisão preventiva de seis suspeitos de participação no esquema, entre os quais o auditor fiscal de atividades urbanas Pedro Jorge Oliveira Brasil. Segundo as investigações, ele liderava o grupo.
A decisão, da 3ª Vara Criminal de Brasília, ocorreu a partir de uma representação da Polícia Civil. O pedido foi elaborado pela Coordenação de Combate à Corrupção (Cecor) e pela Divisão de Repressão a Corrupção e aos Crimes contra a Administração Pública (Dicap).
Operação
A estimativa da polícia é de que o grupo tenha desviado R$ 1 bilhão desde 2014. A Justiça autorizou que a investigação tenha acesso ao banco de dados do sistema administrado pelo DFTrans para analisar o tamanho do rombo nos cofres públicos.
As prisões da semana passadas foram feitas no DF, em Valparaíso (GO), na Cidade Ocidental (GO), em João Pessoa (PB) e no Recife (PE). Entre os alvos, estava o auditor fiscal Pedro Jorge Brasil, preso na operação Check List, deflagrada no ano passado. A mulher dele, Hedvane Ferreira, também foi detida.
O auditor é servidor da Secretaria de Mobilidade do DF, com salário líquido de R$ 13.228,46. Ele teria criado empresas fantasmas e se aproveitado da condição de fiscal de atividades urbanas para vincular nestas companhias funcionários falsos que passavam a receber vale-transporte.
A divisão de tarefas era feita assim:
  1. Inseridores: colocavam as empresas fantasmas e os funcionários falsos no sistema do DFTrans, dando início ao esquema;
  2. Validadores: validavam a compra de crédito de vale-transporte para os cartões gerados de forma fraudulenta;
  3. Descarregadores: permissionários que descarregavam os cartões nos ônibus; transformavam os créditos do vale-transporte em dinheiro em espécie.
Quem participava
Segundo as investigações, Pedro Jorge contava com o apoio de um analista de sistemas, que inseria no sistema do DFTrans as empresas inexistentes, e com o de outros funcionários do DFTrans, que atualizavam senhas de acesso ao sistema.
O grupo descarregava os créditos dos cartões de vale-transporte nos validadores de ônibus que faziam trajetos rurais de forma sequencial e em linhas distintas. A última "equipe", que transformava créditos fictícios em dinheiro em espécie, tinha pessoas físicas e jurídicas prestadoras do serviço de transporte público.
Lista de crimes
Os integrantes do grupo criminoso são investigados pelos seguintes crimes:
  • Quadrilha ou bando (artigo 288)
  • Estelionado majorado (artigo 171, §3º)
  • Peculato (artigo 312)
  • Inserção de dados falsos em sistema de informação (artigo 313-A)

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