28/03/2018 às 07h15min - Atualizada em 28/03/2018 às 07h15min

Com cueca recheada de dinheiro, “loja da corrupção” leva polêmica da Netflix ao Aeroporto JK

Jbr

As polêmicas em torno da série “O Mecanismo” chegaram ao Aeroporto JK. Ali, a provedora de filmes e séries Netflix montou um showroom com itens como uma cueca recheada de dinheiro, sapato com gravador, gravata com filmadora e capas de tornozeleiras eletrônicas. Tudo isso para chamar a atenção para a série que trata dos escândalos da operação Lava Jato.

O local recebe visitantes constantemente, que riem e fazem comentários como “sensacional” e “muito criativo”. A maioria das pessoas que passa pelo estande faz fotos, filma e tira selfies. Enquanto a equipe do JBr. esteva no local, também pôde-se ouvir queixas que evolviam “fascismo” e “falta de democracia”, e até um burburinho sobre políticos que estariam pressionando para o fechamento do estande.

A série “O Mecanismo” tem início com a história que precede a Operação Lava Jato e foi inspirada no livro “Lava Jato – O Juiz Sergio Moro e os Bastidores da Operação que Abalou o Brasil”, escrito pelo jornalista Vladimir Netto. A produção, criada por Elena Soarez e com direção de José Padilha, Daniel Rezende, Felipe Prado e Marcos Prado, estreou em 190 países. No elenco, Selton Mello, Enrique Diaz e Caroline Abras.

O programa vem causando polêmica entre os telespectadores. Tudo começou quando a ex-presidente Dilma Rousseff identificou que uma fala dita pelo senador Romero Jucá estaria na boca da personagem que interpreta o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde então a confusão na internet só vem crescendo.

Famosos e anônimos têm expressado suas opiniões por meio das redes sociais. O cantor Chico César anunciou que cancelou sua assinatura na Netflix. No Facebook, ele recomendou que as pessoas não financiem “a mentira torpe que o esgoto ideológico da direita sem votos quer empurrar goela abaixo”.

Para o servidor público César Oliveira, a série erra ao creditar a expressão “estancar a sangria” ao personagem que representa o ex-presidente Lula. “Em cada episódio o espectador é avisado de que se trata de ficção, mas o momento de nosso País exige mais cuidado no trato das informações, mesmo que seja para efeitos dramáticos”, pondera.

Loja da Corrupção

Assim como a série, o estande no aeroporto denominado “loja da corrupção” também é polêmico. Há quem destaque que corrupção não é motivo de piada. É o caso do Antônio Matos de Souza, de 60 anos. O aeroportuário se diz envergonhado. “Quem vem de fora chega sorrindo, achando maravilhoso, e acho uma vergonha. Isso não é piada”, lamenta.

O jornalista e documentarista Armando Sampaio Lacerda, de 68 anos, estava chegando de uma turnê que fez na Europa, sobre um documentário que realizou sobre o ex-deputado federal Mário Juruna. Assim que se deparou com a loja fictícia, sentiu-se indignado. “Acho um abuso, uma provocação gratuita. O próprio filme não fala bem do Brasil”, reclama.
 

Por outro lado, o policial militar Luir Rodrigues, 39, considerou o estande muito interessante: “Achei genial. Conseguiram chamar nossa atenção de uma forma irreverente e intrigante”, afirma. Para ele, o item mais interessante da loja são as capinhas de tornozeleira e a cueca de doleiro.

Para Carla Damasceno, a ação é trágica e cômica. Ela conta que assistiu à série e acredita que condiz com a realidade. “Serve para alertar a população. Por outro lado, não é só gente corrupta que existe no mundo”, completa.


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