03/04/2018 às 07h34min - Atualizada em 03/04/2018 às 07h34min

Derrotado na eleição interna e mais turbulências pela frente

Os eleitos foram Daniel Vargas de Siqueira Campos, Maria José Silva Martins de Napólis e João Carneiro Aires.

Ana Maria Campos
Eixo Capital

Derrotado na eleição interna e mais turbulências pela frente

O defensor público-geral do DF, Ricardo Batista Sousa, foi derrotado na eleição interna para escolha de seu sucessor. Nenhum dos candidatos apoiados por ele conseguiu entrar na lista tríplice escolhida pela classe a ser encaminhada ao governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Os eleitos foram Daniel Vargas de Siqueira Campos, Maria José Silva Martins de Napólis e João Carneiro Aires. A gestão foi combatida internamente pelas denúncias de vazamento de informações repassadas para a deputada Celina Leão (PP). Grupos contrários à gestão já se organizam para realizar uma enxurrada de ações populares e representações ao Ministério Público do DF.

Paulo Octávio confirma a aliados: será candidato ao Senado

Agora é oficial. O empresário Paulo Octávio reuniu representantes de entidades do setor produtivo para anunciar que pretende concorrer pelo PP a uma vaga ao Senado em outubro. Começou o retorno à política entre seus pares. Estavam lá Adelmir Santana, da Fecomércio, Luís Carlos Botelho, do Sinduscon, Paulo Muniz, da Ademi, Edson Castro, do Sindivarejista, e Cleber Pires, da Associação Comercial do DF. Todos gostaram da ideia. Ninguém falou abertamente, mas muitos vão se interessar pela vaga de suplente. Na última vez que Paulo Octávio foi senador, Adelmir Santana herdou quatro anos de mandato, em 2007, quando o titular virou vice-governador. A história, quem sabe, se repete, com um possível retorno de Paulo Octávio ao Executivo, em 2022. Se tudo der certo para o empresário da construção.

Abaixo-assinado surgiu como medida contra a criminalidade

Apesar da adesão e do entusiasmo de Rodrigo Janot e de Deltan Dallagnol, não partiu de nenhum procurador ligado à Lava-Jato a iniciativa de colher assinaturas a serem encaminhadas ontem ao STF em defesa da manutenção da jurisprudência sobre a execução da pena após a condenação em segunda instância. O movimento surgiu espontaneamente num grupo de WhatsApp de promotores de Justiça do DF e de outros estados como uma preocupação para que não haja um revés no combate à criminalidade, à corrupção e à impunidade, com a liberação de bandidos perigosos, latrocidas, assassinos e ladrões. Os responsáveis pelo abaixo-assinado até chegaram a discutir se o apoio de Janot e Dallagnol poderia dar a impressão errada, de que se tratava de um movimento contra o ex-presidente Lula. Mas, claro, a participação das duas estrelas do combate à corrupção foi bem-vinda.

À QUEIMA-ROUPA

Carlos Alberto Torres, Professor da Universidade de Brasília (UnB) e um dos líderes do Movimento “Vamos pra Rua”

O que vocês esperam alcançar com este movimento? O movimento “Vamos pra Rua” tem um objetivo primordial, entre outros. Queremos mostrar ao STF, nesta terça-feira, que nós, brasileiros, não vamos mais tolerar a impunidade. O acatamento do habeas corpus do Lula e a protelação do Supremo Tribunal Federal em julgá-lo nos deixa apreensivos. Fique claro que não nos referimos exclusivamente ao caso do Lula, mas ao fato de que a prisão pós-segunda instância é a garantia de que centenas de processos envolvendo crimes do colarinho branco no Brasil não se estenderão indefinidamente, possibilitando, muitas vezes, a prescrição do crime. Cito três democracias, digamos, maduras, como a França, os Estados Unidos e nossa vizinha Argentina, onde a prisão após segunda instância existe há anos e, se não extinguiu a impunidade e a corrupção, reduziu ambas substancialmente.

Alguns defendem a intervenção militar. E vocês? Repudiamos totalmente essa ideia. O Brasil não quer e não merece qualquer retrocesso político.

O nome “Vamos pra Rua” não vai confundir o cidadão com grupos de extrema-direita?” De maneira nenhuma. Somos um grupo que vem mostrar sua própria identidade como um segmento diferenciado do movimento “Vem pra Rua”, a quem cabe a paternidade dessa convocação. Mas não somos uma dissidência. Defendemos incondicionalmente os valores democráticos, não somos, enquanto iniciativa mobilizadora da cidadania contra a impunidade, ligados a qualquer partido, embora respeitemos e valorizemos a política e as preferências e opções partidárias de cada um. Os brasileiros precisam romper com uma polarização situada nos extremos do espectro político que olha pelo retrovisor da história; ambos esses polos são populistas, autoritários e salvacionistas; um se declarando de esquerda, outro de direita, e representados na sociedade pelo “lulopetismo” e pelo “bolsonarismo”. Mas nenhum deles é toda a esquerda ou toda a direita, pois existe mais ao centro um amplo contingente majoritário de brasileiros que vão da esquerda democrática até a direita democrática, incluídos os liberais.

Por que o grupo de Brasília buscou outra identidade? Nossa identidade inclui até mesmo a cor que vamos usar no dia 3 de abril (hoje), a cor azul. Expressa a ideia de que manifestamos nossa indignação, mas de modo pacífico e democrático. A palavra “Vamos” é um convite. Queremos atrair aqueles que não querem se sujeitar a qualquer tipo de extremismo, nem se misturar ao tumulto de carros de som estridentes com palavras de ordem autoritárias ou irresponsáveis.

O “Vamos pra rua” quer a prisão do Lula? Como dissemos, a prisão do Lula não é um paradigma para o “Vamos pra Rua”. Ela é importante sim, mas estamos focados no combate amplo à impunidade em todos os seus aspectos.

A corrupção é coisa antiga e de solução difícil. A sociedade brasileira conseguiu avanços importantes com a aprovação da Lei da Ficha Limpa, a Lei de Acesso à Informação e com o projeto das 10 Medidas de Combate à Corrupção, que apesar de seus 2,5 milhões de signatários, infelizmente está parado no Congresso Nacional. O trabalho da Lava-Jato tem sido fundamental nesse sentido e deve continuar, mesmo que atinja ex-presidentes, eventualmente o atual presidente da República, o que torna o caso Lula emblemático. Mas não seria o único, pois há todo um exército de investigados por corrupção que devem responder pelos desvios de verba que consomem dezenas de bilhões dos recursos públicos, todos os anos.

O senhor enxerga alguma luz no fim do túnel? O Brasil precisa continuar evoluindo e creio que vai evoluir no sentido de acabar com a impunidade e com o foro privilegiado, que é parte desse processo. Os brasileiros estão muito mais alertas e participativos em relação aos acontecimentos políticos. Hoje, nas filas, nos táxis, nos restaurantes, fala-se de política até mais do que de futebol, o que é muito surpreendente em se tratando do nosso país. Estamos assimilando a ideia transformadora de que é preciso ter responsabilidade sim, quando depositamos nosso voto na rua. Mas nossa responsabilidade de cidadãos não termina aí. Democracia é um processo em constante evolução. Nossa participação como cidadãos precisa acontecer não apenas quando votamos, ou nas manifestações públicas, mas permanentemente. Cada um em sua atividade, tende a estar cada vez mais atento à participação, à exigência de transparência e eficiência por parte dos poderes públicos. Vigilância, controle social permanente, cidadania, são valores importantes para o Vamos pra Rua. Estamos também dizendo: Vamos transformar o Brasil. Ir pra rua com nossas ideias e nossa identidade. Todos somos parte desse movimento.


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