08/04/2018 às 06h42min - Atualizada em 08/04/2018 às 06h42min

Lula chega à terra da Lava Jato

Jbr

 

Lula aterrissou em Curitiba, terra da Lava Jato. Em um monomotor da Polícia Federal, o ex-presidente da República chegou ao aeroporto Afonso Pena às 22h11 deste sábado, 7.
Uma sala especial na carceragem da corporação, no Paraná, está à espera do petista, condenado a 12 anos e um mês de reclusão na Operação Lava Jato. Ele ficará isolado dos demais presos da operação que investiga desvios bilionários na Petrobrás.
Após dois dias entrincheirado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, ele saiu à pé e se entregou às 18h40 deste sábado, 7, à Polícia Federal.
Passou por exame de corpo de delito no serviço médico da Superintendência de São Paulo, no 10ª andar. De lá, partiu em helicóptero do governo estadual ao aeroporto de Congonhas, onde um monomotor da corporação o esperava.
 
Cada passo antes de LULA se entregar:
 
Lula: “Estou à disposição. Eles que me busquem aqui”
As negociações entre advogados e Policia Federal sobre a efetivação da prisão do ex-presidente Lula serão retomadas nesta manha, antes da missa por dona Marisa, marcada para 9h30min.  Pode ser que ele se entregue depois da missa, mas pode haver acordo para que isso só aconteça na segunda-feira. Até lá, o ministro Edson Fachin já teria decidido sobre a reclamação apresentada pela defesa contra o fato de o juiz Sergio Moro não ter esperado a conclusão da análise de embargos no TRF-4.
Segundo a deputada Jô Morais (PC do B- MG), que ficou até tarde da noite no Sindicato dos Metalúrgicos, Lula manteve a serenidade o tempo todo e dele ela teria ouvido.
- Estou à disposição. Eles que me busquem aqui.
Um auxiliar do presidente disse ao JB, mais cedo, que Lula “não tem sequer dinheiro para ir de avião para Curitiba”, pois Moro bloqueou todas as suas contas.
Por isso, a tal “logística” da prisão também vem sendo discutida. A PF teria que se encarregar de todos os aspectos operacionais de sua prisão e tralado  para Curitiba.
POLÍCIA FEDERAL DÁ ULTIMATO, AMEAÇA INVADIR SINDICATO, E LULA, COM MEDO, SE ENTREGA
Cansada de esperar para que Lula se entregasse, a Polícia Federal, quase no limite da paciência, deu um ultimato: ou o ex-presidente se entregava em meia hora, ou o prédio do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC seria invadido e Lula levado a força.
O recado foi dado à presidente do PT, Gleisi Hoffmann por volta das 17h50 deste sábado, 7. E quando menos se esperava, Lula, temendo consequências graves, se entregou. Ele saiu a pé do prédio do sindicato, entrou em um carro oficial e foi escoltado até o embarque em Congonhas, com destino a Curitiba.
Acaba, assim, o impasse para a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado a 12 anos 1 1 mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. As últimas 48 horas ele se refugiu nas instalações do sindicato.
 
Exatamente às 18h42, o ex-presidente deixou, a pé, o Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo para se entregar à Polícia Federal e seguir para a prisão da Lava Jato, cerca de seis horas depois de comício. Ele vai iniciar o cumprimento da pena uma “sala reservada” na sede da PF em Curitiba.
Impasse – A primeira tentativa de saída do ex-presidente em um carro cor prata – acompanhado de seu advogado Cristiano Zanin Martins – foi marcada por forte tensão. Militantes postados no portão de saída do sindicato impediam o deslocamento do automóvel onde estava o ex-presidente. “Cercar, sentar e não deixar prender”, entoavam.
Lula deixou o carro e tornou a entrar no prédio. Às 18h42, saiu a pé para fora do edifício, em meio à multidão que se aglomerava, e percorreu alguns metros até viatura da PF estacionada ali perto.
Apesar de Moro ter sugerido ao petista que se apresentasse até às 17h desta sexta-feira, 6, Lula não arredou pé do sindicato, onde passou duas noites e fez seu último comício antes do cárcere.
À espera do ex-presidente, a carceragem da Polícia Federal preparou uma sala especial. Moro vetou expressamente o uso de algemas.
Lula se entrega após quase dois dias de negociação intensa. A PF aceitou aguardar que ele presenciasse a missa em homenagem a sua mulher Marisa Letícia e depois se entregasse.
 
'A PF deu meia hora para a gente resolver essa situação', diz Gleisi Hoffman
A senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, subiu às 17h50 deste sábado, 7, no carro de som e disse à militância que não arreda pé da porta do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, e não deixa Lula sair para se entregar à Polícia Federal.
"Vocês estão na mais absoluta liberdade, mas preciso conversar com vocês", disse a senadora.
"Não vim aqui pra induzir nenhuma decisão, vocês estão aqui de livre e espontânea vontade tentando proteger o presidente Lula. Tenho que dividir um problema. Vocês estão na mais absoluta liberdade, mas preciso conversar com vocês. A consequência pode ser para nós, que a polícia venha aqui dar paulada na gente", alertou.
A senadora ainda disse que o fato é que a consequência para Lula, do ponto de vista jurídico, é alta."A Polícia Federal deu meia hora para a gente resolver essa situação" afirmou.
 
Bombas de efeito moral dispersam manifestantes em frente à PF de Curitiba
O helicóptero que trazia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de São Paulo pousou há pouco no prédio da Polícia Federal em Curitiba.
Com a chegada de Lula, os manifestantes contrários e favoráveis ao petista se exaltaram e a polícia precisou conter a multidão com bombas de efeito moral.
Integrantes da Rotam, grupo de elite da Polícia Militar, fizeram um cordão na área que divide os dois grupos.
 
 
Justiça do Paraná proíbe manifestantes de ficarem no entorno da PF -
A Justiça do Paraná determinou que os manifestantes não permaneçam no entorno da sede da Polícia Federal em Curitiba.
O pedido foi feito pela Prefeitura da capital paranaense. O juiz Ernani Mendes Silva Filho justificou a decisão para "evitar confrontos que podem levar a dezenas de feridos e depredação do patrimônio público e privado".
O requerimento judicial ocorre em razão da transferência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a sede da PF, no bairro Santa Cândida.
Neste momento, integrantes da direção nacional do PT estão reunidos com membros da Polícia Federal para discutir a decisão.
 
Médicos que examinaram Lula na PF atestam nenhuma lesão
Os médicos que examinaram Lula na Polícia Federal em São Paulo na noite deste sábado, 7, não constataram nenhuma lesão no ex-presidente. O exame de corpo de delito foi realizado pelo diretor do Instituto Médico Legal Nélson Bruni.
A confusão durante a saída do petista do prédio do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, não deixou ‘nenhuma marca aparente’, nem o petista queixou-se ao médico-legista de nenhuma lesão. Lula saiu do sindicato a pé e rompeu a multidão até chegar no carro da PF que o esperava.
Lula foi examinado no ambulatório médico da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Em razão de ser ex-presidente e por causa ‘do risco á ordem pública’, o exame deixou de ser feito na sede central do Instituto Médico-Legal (IML), na Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.
Bruni, médico-chefe daquela unidade, examinou ‘o custodiado’ na presença dos advogados do petista. Ele anotou ‘lesões antigas’ do presidente, que devem constar o laudo.
Depois de Bruni concluir o exame, Lula foi levado para o heliporto da Superintendência, onde embarcou em um helicóptero da Policia Militar rumo ao aeroporto de Congonhas. Depois, seguiu para Curitiba.
 
Aliados de Lula desembarcam em Curitiba
Aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcaram há pouco em Curitiba. Eles embarcaram em São Paulo em um avião fretado. Entre eles estão a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). O desembarque ocorreu no aeroporto Afonso Pena, o mesmo onde Lula é aguardado.
Mais cedo, Gleisi afirmou que a militância do partido faria uma vigília na sede da PF. Tanto ela quanto o senador estavam com o ex-presidente na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde ele permaneceu por dois dias, antes de se entregar à polícia.
 
Cela com TV e banho quente espera por Lula
Uma cela especial, com TV, 15 metros quadrados de área e banho quente, espera pelo ex-presidente Lula na Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba, o berço da Operação Lava Jato.
Após dois dias entrincheirado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, ele saiu à pé e se entregou às 18h40 aos agentes da PF. Passou por exame de corpo de delito no serviço médico da Superintendência de São Paulo, no 10ª andar. De lá, partiu em helicóptero do governo estadual ao aeroporto de Congonhas, onde um monomotor da corporação o esperava. Às 20h46, o avião decolou para a terra da Lava Jato.
Na ordem de prisão, o juiz federal Sérgio Moro determinou que Lula ficasse em uma cela especial na carceragem da PF em Curitiba.
Na cobertura do prédio de quatro andares, no bairro Jardim Santa Cândida, um cômodo que servia de alojamento para policiais de outras cidades, em missão na capital paranaense, foi transformado nos últimos dois meses em cela especial para receber o petista.
O Complexo Médico Penal (CMP), em Pinhais, região metropolitana de Curitiba, que é unidade prisional do governo do Estado, onde estão a maior parte dos presos provisórios e alguns dos condenados da Lava Jato, foi descartada desde o início.
Como ex-presidente, Lula tem direito a uma cela especial. Cogitou-se um espaço no quartel do Exército, no bairro Pinheirinho, em Curitiba, mas a hipótese também foi desconsiderada por integrantes do grupo. Segundo apurou a Agência Estado a solução consensual foi a sede da PF, que reunia as condições ideais de segurança.
Cárcere
O dormitório na superintendência fica isolado da Custódia, onde estão encarcerados os demais presos da Lava Jato e os presos comuns, no segundo andar do prédio, uma exigência colocada na mesa. Na Custódia, estão hoje dois de seus ex-companheiros e atuais algozes: o ex-ministro Antonio Palocci e o ex-diretor da Petrobrás Renato Duque – ambos colaboradores da Justiça.
O alojamento usado para federais em passagem por Curitiba tem cerca de 3 metros por 5 metros, banheiro próprio, com pia, privada e chuveiro quente, janelas pequenas de vidro, com grades de segurança doméstica. O dormitório contava com três beliches, uma mesa pequena e TV, segundo policiais que já dormiram no local.
O alojamento fica no último andar do edifício, que tem área menor do que os demais e está abaixo do heliponto. O andar é usado pelo Núcleo de Inteligência Policial, que lida com dados sensíveis de investigações.
Havia agentes em missão no alojamento, no início do ano, quando foram comunicados que teriam que deixar o local. Desde então, as beliches foram removidas, a mesa também. Sobrou uma cama e o colhão. As janelas dão acesso ao terraço do edifício, de onde se chega ao heliponto, mas estão isoladas.
Rotina
Apesar de a cela preparada para Lula estar fisicamente isolada da carceragem, o tratamento em relação aos demais presos, caso ele venha a ser detido na PF, deve ser o mesmo dado aos demais presos da carceragem: café com leite e pão com manteiga pela manhã e quentinhas no almoço e na janta, com direito a alimentos especiais levados pela família uma vez por semana, dentro de uma lista pré-estabelecida pela polícia.
Os contatos com os advogados, familiares e horas de banho de sol por dia devem ser os mesmos. Mas isso será decidido por Moro, em sua ordem de prisão, caso seja dada. Será ele também que estipulará se Lula terá que se apresentar em 48 horas, após a ordem, como fez com o último preso da Lava Jato que teve execução de pena cumprida, o ex-presidente da Engevix Gerson de Mello Almada, ou se optará por uma outra medida.
A passagem do ex-presidente pela cela preparada na PF de Curitiba também pode estar limitada aos primeiros dias de cárcere. Cumprida a ordem do TRF-4 por Moro, abre-se um processo de execução penal para Lula e o caso passa para a 12.ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela execução penal. Um pedido da defesa do ex-presidente levará o juiz da área a analisar se mantém o petista no local ou se o transfere para outra cidade, perto de sua residência.
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