29/04/2018 às 12h04min - Atualizada em 29/04/2018 às 12h04min

Concorrentes começam a se definir para a corrida eleitoral no DF

Ana Maria Campos
Correio Braziliense

 

Concorrentes começam a se definir para a corrida eleitoral no DF

Concorrentes começam a se definir para a corrida eleitoral no DF

A família de Roriz pode até apoiar a possível candidatura de Eliana Pedrosa ao Buriti, mas os antigos aliados do ex-governador não estarão com ela.

Por Ana Maria Campos - Correio Braziliense - 29/04/2018 - 09:47:52

 

A família de Roriz pode até apoiar a possível candidatura de Eliana Pedrosa ao Buriti, mas os antigos aliados do ex-governador não estarão com ela. Nessa lista, estão cabos eleitorais, líderes comunitários e integrantes dos quatro governos que preferem Frejat. Mas dona Weslian Roriz tem muito peso como porta-voz da família. Será uma confusão na cabeça do eleitor.

Concorrentes começam a se definir para a corrida eleitoral

A seis meses das eleições, o cenário para a disputa ao Palácio do Buriti começa a clarear. O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) fala abertamente sobre a reeleição e os adversários estão sendo definidos. Jofran Frejat (PR) consolidou-se como candidato de um grupo que deverá contar com o apoio do MDB, do PP e do DEM. Em outra frente, disputam a cabeça de chapa o deputado Izalci Lucas (PSDB) e o ex-distrital Alírio Neto (PTB). A ex-deputada Eliana Pedrosa (Pros) trabalha uma aliança com o clã Roriz, tendo a seu lado a mulher do ex-governador, Weslian Roriz, as filhas, Jaqueline e Liliane, e o neto Joaquim Domingos Neto. Como uma aposta do Partido Novo, há o empresário Alexandre Guerra, herdeiro do grupo Giraffas, até agora numa chapa puro sangue. Na esquerda, o PSol tem a enfermeira Maria de Fátima Sousa, ex-presidente da Faculdade de Ciências da Saúde da UnB, como representante da briga pela sucessão de Rollemberg. Mas ainda faltam três meses e meio para o registro das candidaturas. O prazo termina em 15 de agosto.

Vice do MDB Na chapa de Jofran Frejat (PR), também há discussões quentes sobre quem será o vice. Até o momento, a única certeza é de que a escolha passa por uma indicação de Tadeu Filippelli (MDB), aliado de primeira hora de Frejat. Mas deverá ser alguém aprovado pelo candidato a governador. Por isso, muita negociação ainda deve ocorrer.

Quem vai ceder?

A chapa que se forma com a aliança de Izalci Lucas e Alírio Neto pode rachar também. Uma pesquisa vai definir quem está em melhores condições.

Mas essa análise é subjetiva e nenhum dos dois abre mão de concorrer ao GDF.

Plano B O PDT insiste em lançar candidato ao Palácio do Buriti, mas o presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle, maior expoente do partido, não quer. Garante que, se não integrar a chapa de Jofran Frejat, deverá se retirar da política. Por isso, o presidente da legenda, Georges Michel, estuda um plano B para a disputa ao GDF.

Estilo Marco Maciel No grupo de Rollemberg, não há vice definido. Os aliados apostam que o governador procura um substituto ou substituta no estilo Marco Maciel, o número dois de Fernando Henrique Cardoso: discreto, leal, de um partido político que agregue na campanha e com habilidade política para ajudar a governar. Difícil será encontrar alguém assim.

“Se o 'acordo' com a polícia tiver concordância do MP, ok (mas o MP, nesse caso, deve assinar o acordo). Não havendo concordância, nada feito. Num processo penal de partes e verdadeiramente garantista, quem não é parte não pode solapar o poder-dever do titular da ação penal”.

Procurador regional da República Bruno Calabrich, sobre o acordo de delação premiada fechado por Antônio Palocci com a PF, sem passar pelo MP

“A delação é um dos meios de obtenção de prova. Quando se trata do dever de investigar, é uma função de Estado. Os delegados e a PF são instituições de Estado encarregadas de investigar a verdade. É, portanto, a polícia a primeira destinatária das ferramentas de investigação estipuladas pelo Poder Legislativo”

Advogada-geral da União, Grace Mendonça, defendendo a possibilidade de delegados fecharem acordos de delação premiada

Mandou bem A Terracap impede que a questão fundiária seja moeda de campanha entre eleitores e políticos ao deflagrar em vários condomínios em área pública o processo de regularização.

Mandou mal Quatro anos depois da Copa do Mundo no Brasil, o estádio nacional de Brasília Mané Garrincha só produz notícias negativas, com denúncias de superfaturamento e corrupção.

Enquanto isso... Na sala de Justiça Apesar de o laudo do Instituto de Criminalística do DF apontar que a falta de manutenção provocou o desabamento do viaduto da Galeria dos Estados, algumas dúvidas persistem. A Polícia Civil agora vai dizer se houve dolo (culpa) e quem, afinal, deve responder pela queda. O Ministério Público do DF também apura responsabilidades.

À QUEIMA-ROUPA

Deputado federal Rogério Rosso Presidente do PSD/DF

“Jamais tive qualquer informação de acerto de empresas para a licitação do estádio ou de qualquer outra obra no governo. E se soubesse de alguma informação sobre isso seguramente a licitação não ocorreria”

Arruda, Agnelo e Filippelli foram denunciados por corrupção no Mané Garrincha. Na sua gestão, houve algum acerto com o consórcio responsável pela obra? Assim que assumimos o governo em abril de 2010, na maior crise política de Brasília, existia uma tempestade perfeita de problemas como serviços públicos paralisados, falta de medicamentos e equipamentos nos hospitais, dezenas de obras suspensas e uma falta absoluta de comando e organização do governo. Sem falar que havia um pedido de intervenção federal feito pela Procuradoria-Geral da República e naquele ano mesmo julgado improcedente devido ao conjunto de medidas que tomamos visando ao combate à corrupção e à adoção de mecanismos institucionais. Em abril de 2010, a licitação do estádio já se encontrava em análise pelos órgãos de fiscalização e controle, em especial o Tribunal de Contas do DF. Assim que o tribunal autorizou o andamento da licitação, as etapas técnicas e legais prosseguiram.

Os empresários da Andrade Gutierrez ou da Via Engenharia em algum momento comentaram que havia um acerto com outros políticos? Jamais tive qualquer informação de acerto de empresas para a licitação do estádio ou de qualquer outra obra no governo. E, se soubesse de alguma informação sobre isso, seguramente a licitação não ocorreria e eu teria denunciado às autoridades competentes. Lembro que, em 2010, a Novacap licitou a obra do estádio por R$ 696 milhões ou aproximadamente US$ 200 milhões a preços de hoje para um estádio com capacidade de mais de 70 mil lugares. Outros estádios menores custaram bem mais do que isso proporcionalmente ao número de lugares. Se na execução da obra, já no outro governo, gastaram quase o triplo desse valor, já não saberia dizer quais foram os motivos.

Acha que o Mané Garrincha foi uma obra faraônica com aplicação de recursos que deveriam ir para outras áreas? Na época em que assumi, não existia outro projeto a ser licitado. Não fazer significaria que Brasília, a capital do Brasil, deixaria de ser cidade-sede da Copa do Mundo. A sociedade, a opinião pública, o governo federal e o Comitê dos Jogos à época faziam intensas cobranças das cidades-sede em relação aos atrasos nas obras e no cumprimento do cronograma tanto para a Copa das Confederações quanto para a Copa do Mundo. Cheguei a mandar uma carta para a Fifa informando que o estádio de Brasília, por estar na capital do Brasil, deveria receber o jogo de abertura da Copa, além dos outros jogos previstos. Na mesma carta, solicitei também que Brasília sediasse o Centro Internacional de Mídia da Copa, onde tradicionalmente e obrigatoriamente grandes investimentos das empresas de comunicação de todo o mundo são realizados antes e durante a cobertura dos jogos. O modelo do estádio escolhido pelo governo anterior era de utilização de recursos próprios do GDF, através da Terracap e de outras fontes, para a execução da obra.

Acha que Rollemberg tem algum preconceito em relação a Renato Santana, como o vice-governador declarou na semana passada? Preconceito é intransferível. Só quem sente preconceito pode dizer o que está sentindo. O Renato é uma pessoa muito trabalhadora, séria e se esforçou muito na vida. A nota pública que dezenas de partidos fizeram e a nota da deputada Érika Kokay de solidariedade ao Renato retratam com exatidão essa questão. Vale lembrar que o Renato nunca foi chamado pelo governador para qualquer decisão, desde a transição até os dias de hoje. O Renato publicamente se manifestou contra muitas dessas decisões, tais como o aumento das passagens, o não pagamento dos reajustes dos servidores, a criação do Instituto Hospital de Base e a derrubada de igrejas e casas habitadas por famílias.

Há alguma chance de aliança com Rollemberg para as próximas eleições? Absolutamente nenhuma.


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