05/05/2018 às 07h52min - Atualizada em 05/05/2018 às 07h52min

Panatenaico: Cláudio Monteiro na mira do Ministério Público Federal

Ele teria recebido R$ 250 mil de propina a pedido do ex-governador Agnelo Queiroz (PT), em cinco parcelas

Metrópoles

O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça a abertura de um novo inquérito para apurar a atuação do ex-secretário Extraordinário da Copa (Secopa) Francisco Cláudio Monteiro no esquema de contratos superfaturados do Estádio Mané Garrincha. O caso está no âmbito da Operação Panatenaico. Ele teria recebido R$ 250 mil de propina a pedido do ex-governador Agnelo Queiroz (PT).

“O executivo da Andrade Gutierrez Carlos José Souza narrou a ocorrência de pagamento de propina em seu favor, a pedido de Agnelo Queiroz, em cinco parcelas de R$ 50 mil. Elementos probatórios reunidos nos autos denotam vínculos existentes entre o investigado Francisco Monteiro e os ora denunciados”, diz um trecho da denúncia.
A suposta propina foi relatada em outra delação, a de Rodrigo Leite Vieira, também funcionário da empreiteira. Ele contou que a construtora pagou R$ 250 mil de propina “em razão dos problemas financeiros” do ex-chefe de gabinete do petista.

 

As informações constam em inquérito que apura desvios milionários no Mané Garrincha. “Foram realizadas cinco entregas de R$ 50 mil cada. A primeira se deu no Balão do Periquito, no Gama, próximo à residência de Monteiro, e as demais no estacionamento em frente ao Living Park Sul e no Estádio Nacional de Brasília”, conforme o documento que o Metrópoles teve acesso.

Os procuradores também ressaltaram para a necessidade de aprofundamento quanto ao envolvimento nos eventos criminosos de outros executivos da Via Engenharia, como Luiz Felipe Cardoso de Carvalho e Luiz Fernando Almeida de Domênico.

Francisco Cláudio Monteiro chegou a ser preso pela Polícia Federal em 23 de maio de 2017, mas não chegou a ser indiciado nem denunciado pelo MPF. Porém, para os investigadores, ele cometeu os crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

O caso
A obra do estádio Mané Garrincha foi contratada inicialmente por R$ 696 milhões. Após 25 termos aditivos, o valor final alcançou R$ 1,577 bilhão, tornando-se o estádio mais caro da Copa do Mundo de 2014, no que se refere ao custo total e por assento.

Segundo o MPF, as ilicitudes evidenciadas nas denúncias abordam o direcionamento da licitação para as obras do estádio, o pagamento de propinas e a lavagem de dinheiro. A obra foi custeada integralmente com recursos públicos, pagos pela Terracap. À Novacap, coube realizar o processo licitatório e o acompanhamento das obras.

De acordo com os procuradores, a suposta organização criminosa se estruturou em três núcleos: político, formado pelos chefes do poder executivo do Distrito Federal em seus respectivos mandatos; econômico, formado por empresas contratadas pela Administração Pública e que pagavam vantagens indevidas a funcionários de alto escalão e aos componentes do núcleo político; e administrativo, formado pelos funcionários de alto escalão da Administração Pública com ingerência na licitação e contrato.

Metrópoles não conseguiu contato com Cláudio Monteiro até a publicação desta reportagem.


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