11/08/2018 às 08h59min - Atualizada em 11/08/2018 às 08h59min

BAND TIRA GENERAL DE DEBATE E ENGOLE CEREJA DO BOLO

Notibras

A primeira emissora de TV a promover os debates para eleições majoritárias – presidente e governadores – é sempre a Band, de acordo com entendimento entre as redes. Entretanto, é ela também que está revelando uma situação que tangencia um desserviço público no âmbito do jornalismo.

No Distrito Federal, por exemplo, onde uma das novidades para as próximas eleições é o general Paulo Chagas (PRP), que aparece em várias pesquisas entre os primeiros colocados, inclusive com um empate técnico entre os três que lideram, não foi convidado pela emissora para o debate de estreia no certame para governadores que disputarão o Palácio do Buriti.

A justificativa é antiga: a de que o partido do general perdeu os deputados que elegeu e não ocupa nenhuma cadeira atualmente na Câmara Federal. Teoricamente esse fato desobriga a emissora de convidar o candidato. Entretanto, nesse momento, o mercado eleitoral que vota em candidatos mais à direita, como Bolsonaro, que inclusive apoia o general na capital da República, aguarda para conhecer mais as propostas de um nome considerado até pouco tempo como autêntico outsider e que agora consolida a sua candidatura.


Essa ação da Band, caso seja articulada com outros veículos para prejudicar o candidato do PRP, poderá ter efeito contrário. Um batalhão de internautas está pronto para um contra-ataque, segundo o serviço de inteligência que atende ao candidato.Para muitos, o general Paulo Chagas é a cereja do bolo. Não faz mesmo sentido retirar de um serviço de utilidade pública importante um nome nacional que poderá tornar esse impedimento o fermento para a consolidação da sua liderança, especialmente agora que Rodrigo Rollemberg (PSB) tem sua reeleição à beira do abismo.

Uma coisa é certa. Nesse momento em que há uma demanda reprimida aguardando mudanças, a exclusão de nomes expressivos dos debates pelo velho e decadente critério adotado, pode manchar a seriedade do jornalismo difundido pelas emissoras de rádio e televisão.

Melhor seria se ouvissem os anseios da população e deixar que a sociedade julgue os políticos. O pré-julgamento pode não ser um bom caminho e isso Bolsonaro já deixou claro em diversas entrevistas. Seus apoiadores dizem que torcem para que voltem atrás os dirigentes da Band. Poderão, inclusive, ganhar alguns pontos a mais de audiência. O militar é disparado o que mais conquista engajamento nas redes sociais. E, caso seja eleito, poderá reverter para si os índices de audiência que a TV julga ter.


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