29/08/2018 às 07h04min - Atualizada em 29/08/2018 às 07h04min

Candidatos ao Governo do DF insistem no mesmo do mesmo

Hélio Doylle
Metrópoles

O confronto direto, cara a cara, entre o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) e o ex-governador Rogério Rosso (PSD) foi o único momento marcante do debate promovido nesta terça-feira (28/8) pela TV Brasília/Correio. Rollemberg e Rosso animaram um pouco, com agressões mútuas, um debate sem graça, em que os sete candidatos, quase todos inseguros e despreparados, repetiram propostas, argumentos e defesas que já haviam exposto em outras oportunidades e nada apresentaram de realmente novo.

Os candidatos não convenceram e ficaram no mesmo do mesmo. Na forma, Ibaneis Rocha (MDB), fluente e seguro, foi o melhor. No conteúdo não houve vencedor. Eliana Pedrosa (Pros) e Rosso mantiveram a linha de propostas demagógicas, mas os demais se contiveram nesse quesito, em relação a desempenhos anteriores. Foram, como se esperava, seis contra Rollemberg, que aproveitou cada segundo para arrolar suas realizações, mas apenas em poucos momentos mostrou firmeza, sem brilho.

Houve, porém, um problema que prejudicou o debate: ter deixado de fora quatro candidatos, dois dos quais podem ser chamados de outsiders e têm mostrado um discurso diferente do feito pelos demais. Não se justifica, especialmente, a exclusão de Alexandre Guerra, do Novo, e do general Paulo Chagas, do PRP.

Concorde-se ou não com o que pensam e propõem, Guerra e Chagas fogem do padrão de promessas demagógicas adotado pelos demais candidatos, têm abordado a questão da gestão – que, apesar de fundamental, tem sido ignorada pelos demais – e, sobretudo, têm o direito de serem ouvidos.

 

É enganosa a alegação dos organizadores do debate para justificar a exclusão de quatro candidatos – Antônio Guillen, do PSTU, e Renan Rosa, do PCO, também não foram convidados. É verdade que, ao convidar os sete candidatos filiados a partidos com pelo menos cinco representantes no Congresso Nacional, a emissora e o jornal estão cumprindo o que determina a legislação eleitoral. Mas o que os promotores do debate omitem é que a eles é facultado convidar os demais, mesmo que seus partidos não tenham cinco parlamentares federais.

A questão prática não deveria ser sobreposta à democrática. É certo que a presença de muitos candidatos no debate dificulta sua fluidez e limita muito o tempo destinado a cada um. Um debate com dois a quatro candidatos realmente tende a ser mais interessante do que com 10 ou 11.

Mas, se a mesma legislação permite que haja 11 candidatos, é absurdo dividi-los em postulantes de primeira classe e de segunda classe, com base no número de parlamentares que os partidos elegeram quatro anos antes ou cooptaram e literalmente compraram nas “janelas” para refiliação.

Uma disputa eleitoral, como qualquer outra, exige igualdade de condições. Se a legislação é errada, as emissoras e os demais veículos de comunicação não deveriam ser coniventes com o erro e legitimar a desigualdade de oportunidades para todos os que se habilitaram a disputar o governo.

O favorecimento a alguns em detrimento de outros manifesta-se também na divisão do tempo nos horários gratuitos e distribuição do fundo eleitoral. Mas esses fatores não têm como ser minimizados, ao contrário da ausência de candidatos nos debates. Basta convidá-los.


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