29/10/2018 às 06h25min - Atualizada em 29/10/2018 às 06h25min

Ibaneis quer menos comissionados e servidores em 70% dos cargos

O governador eleito concedeu ao Metrópoles a primeira entrevista exclusiva, transmitida ao vivo no Facebook, logo após o resultado das urnas

Metrópoles



Conversa com Rollemberg
" Já conversei com Rodrigo Rollemberg e ele se colocou à disposição para uma transição sadia.. Ele é uma pessoa que eu prezo muito, que eu gosto muito. Gosto dele, da sua família. Acho que os embates eleitorais ficam no passado. Tenho certeza que, daqui para frente, ele vai nos ajudar a fazer o melhor para Brasília", disse Ibaneis.

O governador eleito do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), assegurou, em entrevista exclusiva concedida ao Metrópoles, a primeira após a eleição, que vai dar protagonismo aos servidores: quer 70% dos cargos públicos ocupados por funcionários efetivos até o fim do mandato. O emedebista garantiu a nomeação dos aprovados em concursos, além de mais seleções nas áreas de educação, saúde, segurança pública e transporte.

“Quero diminuir ao longo do tempo essa dependência dos cargos comissionados”, pontuou, no bate-papo com a diretora-executiva do Grupo Metrópoles, Lilian Tahan, e o colunista Hélio Doyle, transmitido ao vivo pelo Facebook do portal horas após o resultado do pleito no domingo (28/10). O GDF tem atualmente em torno de 13 mil comissionados.

Ao longo da conversa, o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Distrito Federal (OAB-DF) interagiu com pessoas que assistiam à live e fizeram perguntas. Ibaneis explanou seus planos sobre diversos temas.

O emedebista venceu a disputa pelo Governo do Distrito Federal com 69,79% dos votos válidos: 1.042.574 eleitores escolheram o emedebista. Rollemberg, com 451.329 votos, ficou com 30,21%.
 

Primeiro dia como governador
Vou conceder entrevistas e tenho uma reunião com o presidente Michel Temer. Vamos falar sobre o orçamento, quero trazer dinheiro para o Distrito Federal. Também pedi que o presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle, nos receba. Nós precisamos falar sobre o orçamento para o Distrito Federal. E tenho um encontro com o deputado Vitor Paulo, relator do orçamento federal no Congresso.

Transição
Quero começar já a montar a transição. Já conversei com Rodrigo Rollemberg e ele se colocou à disposição para uma transição sadia. Eu acredito nisso. Ele é democrata, é uma pessoa que quer uma Brasília melhor. Vou esquecer tudo que aconteceu na campanha.

Estrutura do novo governo
Ainda não tenho secretários nomeados. Apenas o André Clemente, que será secretário da Fazenda. Os outros devem surgir ao longo da transição. Quero descobrir os meus secretários, nomeando os melhores.

André Clemente
Ele é experiente, ligado à área da auditoria fiscal do Distrito Federal. Um funcionário que tem história nessa cidade e vai nos ajudar a trazer os recursos que nós precisamos para cumprir todos os compromissos que assumimos ao longo da campanha. Ele me ajudou com o plano de governo.

Plano de governo
Nosso plano de governo nasceu com a equipe do Frejat. Algumas das propostas eu vou ter que adaptar em virtude dos partidos que vieram nos apoiar no segundo turno. Quero trazer essa concepção de união em prol do DF. Chega de “azul e vermelho”, isso fez muito mal para a nossa cidade. Nós temos que fazer uma política diferenciada, que honre a cidade, trazendo as melhores ideias, que tem inúmeras capacidades. Esse é um momento de unir o DF.

Conversa com Rollemberg
Ele é uma pessoa que eu prezo muito, que eu gosto muito. Gosto dele, da sua família. Acho que os embates eleitorais ficam no passado. Tenho certeza que, daqui para frente, ele vai nos ajudar a fazer o melhor para Brasília.

Secretarias
Eu prefiro ter 50 secretarias com quadros reduzidos do que ter 15 com muita gente e sem ninguém saber quem é que manda. Quero pessoas para as quais eu possa ligar e que apresentem resultados. Eu vou reduzir o quadro, principalmente, de comissionados. Quero fazer uma gestão na qual eu saiba quem eu estou cobrando, e quero resultados. Delegar e cobrar é o que eu mais aprendi na minha vida.

 

Secretário de Saúde
Tenho algumas opções, mas quero, nesse período de transição, ouvir todos. Quero um secretário de Saúde que converse com todos os servidores, todos os profissionais da saúde. Logo abaixo, no segundo escalão, quero pessoas que sejam gestores, que saibam fazer compras, manter os hospitais funcionando. Quero descentralizar e deixar as regionais de saúde bem atendidas, com autonomia. O secretário de Saúde não precisa ser a melhor pessoa do mundo, mas tem que ter interlocução com todos os profissionais. E tem que ter gestão. Embaixo, nós vamos ter quem vai fazer a compra dos remédios, quem vai gerir os hospitais, quem vai cuidar da limpeza, quem vai cuidar da reforma. Vamos ter em torno de cinco gestores em cada uma das áreas para que funcionem de forma produtiva. E isso vai ser feito de forma imediata. Saúde não espera. Quero deixar isso bem claro: o primeiro ato nosso será para cuidar da Saúde. A pessoa que vai para a fila do hospital precisa ser atendida. Vou fazer, em um primeiro momento, parceria com a iniciativa privada. Quero zerar a fila de cirurgias. Quero zerar toda a demanda que existe hoje. A partir daí, nós vamos fazer uma coisa bem organizada, onde todos vão ter atendimento, vão ter um sistema de saúde de qualidade.

Hospital de Base
Eu quero conhecer o que o é o Instituto Hospital de Base. O que eu sabia, tomei conhecimento por meio denúncias do Ministério do Público do Trabalho. Se o Instituto Hospital de Base for esse que não tem seleção pública para contratar pessoas, sem licitação para fazer compras, ele acaba. Se ele estiver dentro da legalidade, ele continua.

Aplicativos de transportes
Todo mundo tem que ter liberdade. Mas, na maioria dos lugares, o aplicativo é o segundo emprego, complementação de renda. No DF, por conta do desemprego, virou a única opção. Temos muitos motoristas cadastrados e, ao mesmo tempo, os taxistas estão passando necessidades. Nós vamos chamar todos, vamos regulamentar para que todos tenham o direito de ganhar seu direito, mas sem gerar o empobrecimento geral.

Centro Administrativo
É um abacaxi que precisa ser descascado. Vou sentar e conversar com todos os envolvidos: Caixa Econômica, construtoras, Ministério Público e Justiça. Se houver possibilidade de resolver, e eu espero que tenha, nós vamos abrir aquilo ali. A população de Ceilândia e de Taguatinga aguardam aquela obra. Mas não acredito que seja uma solução concentrar tudo lá. Quero montar administrações regionais muito bem consolidadas para que as pessoas possam resolver seus problemas perto de casa.

Escolha dos administradores regionais
Não se pode ter administradores escolhidos apenas pelo dedo do governador. Eles precisam ter vínculo com a população. A participação dos moradores na indicação é importantíssima. Eu vou ouvir a população, será definida uma lista tríplice e desses três nomes eu vou indicar um. E os moradores vão avaliar os administradores. Eu vou dar todas as condições para eles trabalharem, mas se forem mal avaliados, serão retirados, e a população indicará outro nome.

Relação com deputados
Nenhum deputado me pediu cargo. Acho que estão assustados com o Ibaneis. Ninguém chegou aqui para pedir nada. Estou tranquilo. Terei uma relação democrática com a CLDF, vou ouvir os deputados distritais. Aliás, eu estou em uma situação muito tranquila. Eu só não vou fazer um bom governo se eu não quiser. Se der errado, a culpa será minha.

Nomeação de concursados
Vou trabalhar ao máximo para nomear concursados. Quero diminuir ao máximo os comissionados e chegar ao final da minha gestão com pelo menos 70% de profissionais concursados. Então, todos que fizeram concurso público, nós vamos chamar. O problema da Lei de Responsabilidade Fiscal é a arrecadação. Todo mundo fala que 80% do orçamento do DF é gasto com servidores. O problema aí é que o DF está arrecadando pouco. Tem pouco emprego, pouca renda e pouco imposto. Quero abrir concursos para várias áreas: educação, saúde, segurança pública e transporte. Vou diminuir, ao longo do tempo, essa dependência dos cargos comissionados.

Polícia Civil
Vou tratar com muito respeito todas as forças de segurança. Uma das pautas que eu tenho com o presidente Temer é essa. O DF não é só a capital da República que abriga todos os Poderes. Brasília tem que ser exemplo de segurança pública. E eu vou levar uma proposta para aumentar o Fundo Constitucional para que a gente possa realmente cumprir todos os nossos compromissos. Já vinha tratando esse assunto com ele. E espero, no primeiro mês de governo, ter tratado de todos os reajustes, tanto da Polícia Civil quanto da Polícia Militar.

Fundo Constitucional
É possível aumentar o Fundo Constitucional no Congresso, através do encaminhamento do presidente da República. Eu sei que tenho o apoio de parlamentares. E o presidente eleito, Jair Bolsonaro, vai trabalhar muito essa questão de segurança. Ele não vai querer que a capital da República tenha essa segurança pública que temos hoje.

Diálogo
Há muita falta de diálogo. Vou ser um governador que vai acolher todos os demais governadores. Vou trabalhar em conjunto com todos os senadores, todos os deputados federais. Serei o anfitrião de todos. E eles vão saber a importância de a gente ter mais Brasil e mais Brasília.

Creches
Vamos, primeiramente, fazer parcerias com o terceiro setor. Hoje nós temos muitas crianças que são atendidas dentro das igrejas e eu vou ampliar esse trabalho. Em um segundo momento, vamos construir novas creches. Mas com as parcerias vamos acolher, já no primeiro ano, 10 mil crianças.

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