02/12/2018 às 06h35min - Atualizada em 02/12/2018 às 06h35min

Ministério dos preteridos: quem ficou do 1º escalão de Bolsonaro

Senador Magno Malta (PR-ES) encabeça lista de aliados esquecidos pelo presidente eleito na composição da Esplanada

METRÓPOLES

A composição dos ministérios e cargos de primeiro escalão do governo Jair Bolsonaro (PSL) preteriu aliados e pessoas próximas do presidente eleito. O senador Magno Malta (PR-ES), o general da reserva Osvaldo Ferreira – este por opção própria – e o deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) são alguns dos principais nomes especulados durante a campanha que não estarão na linha de frente do novo governo federal em 2019.

O caso mais emblemático é o de Magno Malta. Amigo de todas as horas de Bolsonaro e presença constante na campanha do candidato do PSL, ele chegou a ser convidado para compor a chapa presidencial como vice, mas recusou. Preferiu concorrer ao Senado pelo estado do Espírito Santo e acabou derrotado nas urnas. Malta esperava assumir o Ministério da Cidadania ou qualquer outra pasta, mas foi esquecido. Para essa vaga – tão sonhada por ele –, o presidente eleito escalou o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), anunciado na quarta-feira (28/11).

Bolsonaro chegou a afirmar, em vídeo, que o amigo faria parte do governo. “Ele [Malta] estará comigo sim no Palácio do Planalto. Afinal de contas, é um grande homem e um grande valor”, disse o então candidato do PSL antes do segundo turno. Como presidente eleito, o pesselista cogitou criar o Ministério da Família para abrigar Malta, mas a intenção não se concretizou. Nessa sexta-feira (30/12), Bolsonaro afirmou que o aliado não estará em um ministério, mas “não vai ficar abandonado“.
 

O senador tentou emplacar seu nome a todo custo. No entanto, perdeu para a resistência dos militares, contrários à sua indicação. O vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, chegou a dizer que Malta era um “elefante na sala”. Os militares também reforçavam a posição de Bolsonaro se afastar de políticos derrotados e priorizar um governo técnico, sem o predomínio de indicações partidárias.

Aliado do presidente eleito e amigo de Malta, o pastor Silas Malafaia criticou a escolha de Terra. Malafaia cobrou Bolsonaro ao responsabilizá-lo pela derrota do senador capixaba nas eleições. “A única pessoa que pode responder porque o Magno não foi confirmado é o próprio presidente. Para mim, Bolsonaro disse três vezes que estava pensando em colocar o Magno no Ministério da Cidadania. Apoio integralmente o Bolsonaro, mas não vou concordar 100% com as ações dele. A unanimidade é burra”, disse Malafaia.

Ao todo, Bolsonaro anunciou 20 ministros. Ainda não se sabe com certeza o que ele fará com algumas pastas como a do Trabalho, Direitos Humanos e Meio Ambiente. Mas na quinta-feira (29) começou a circular a informação de que Damares Alves, pastora evangélica e assessora de Malta, já estaria convidada para o Ministério dos Direitos Humanos e Mulheres: ela teria pedido prazo até a próxima terça-feira (4/12) para dar sua resposta. Na sexta, Bolsonaro afirmou que Damares seria “um nome forte” para a pasta.

IGO ESTRELA/METRÓPOLES
 Igo Estrela/Metrópoles
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Bolsonaro e Fraga são amigos desde a década de 1980, mas não estarão juntos no governo federal


Amigos de longa data
Deputado federal e candidato a governador pelo Distrito Federal, Alberto Fraga (DEM-DF) conhece Bolsonaro desde a década de 1980. Ele também esperava um afago do futuro presidente após perder as eleições. Embora amigo do capitão reformado, pesou contra Fraga a condenação a 4 anos, 2 meses e 20 dias de prisão em regime semiaberto. Ele foi condenado em 1ª instância pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) por cobrança de propina no setor de transportes.

A repercussão negativa entre eleitores e com os filhos de Bolsonaro levou o presidente eleito a se silenciar sobre o amigo. Ao Metrópoles, Fraga disse que, enquanto não “resolver a vida na Justiça”, ficará de fora. “A minha sentença vai ser reformada, mas o estrago que fizeram na minha vida… Me tiraram o governo, que eu ganharia, e me tiraram de participar no governo federal. Agora, eu chegaria para um cara que é meu irmão [e pedir cargo]?. Em virtude dessa condenação eu não tenho direito de falar [em assumir algum ministério]”, afirmou.

Eu vou ajudar no momento em que ficar livre [do processo]. Estou à disposição, esse é meu acordo com ele [Bolsonaro]. É a minha conversa com ele"
Alberto Fraga, deputado federal (DEM-DF)

O time de Bolsonaro: