18/01/2019 às 07h44min - Atualizada em 18/01/2019 às 07h44min

“Governo de Maduro é mecanismo de crime organizado”, diz Itamaraty

Opositores pediram a Jair Bolsonaro para reconhecer presidente da Assembleia Nacional como chefe do Executivo e impor sanções à Venezuela

METRÓPOLES

Depois de mais de 10 horas de reunião, um grupo de venezuelanos que faz oposição ao presidente Nicolás Maduro deixou o Palácio do Itamaraty. Eles pediram que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e os demais países integrantes do Grupo de Lima apliquem sanções contra a Venezuela, além de reconhecerem o presidente da Assembleia Nacional, o parlamentar de oposição Juan Guaidó, como novo chefe do Poder Executivo do país. Mais de 40 nações, incluindo o Brasil, não reconhecem o segundo mandato de Nicolás Maduro.

Em nota divulgada após a conclusão dos trabalhos, o Itamaraty informou que “a reunião teve por objetivo analisar a situação na Venezuela decorrente da ilegitimidade do exercício da presidência por Nicolás Maduro e da manifestação do presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, de sua disposição de assumir a Presidência da Venezuela interinamente, seguindo a Constituição venezuelana”

No trecho mais duro do documento, o governo brasileiro afirma: “O sistema chefiado por Nicolás Maduro constitui um mecanismo de crime organizado. Está baseado na corrupção generalizada, no narcotráfico, no tráfico de pessoas, na lavagem de dinheiro e no terrorismo”. No entanto, o Ministério das Relações Exteriores não deixou claro seu posicionamento quanto ao pedido de sanção feito pela oposição.

 

Segundo o ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma, hoje exilado em Madrid (Espanha), é possível aos países amigos aplicar sanções econômicas, como o bloqueio de ativos e capital. Ele pediu ainda que os demais chefes de Estado da região colaborem em investigações capazes de provar atos de corrupção de Maduro e como os direitos humanos são desrespeitados no país.

“O papel-chave do Brasil, sob a liderança do presidente Bolsonaro, na mudança do cenário venezuelano, onde pela primeira vez em muitos anos ressurge a esperança da democracia, foi reconhecido por todos os líderes venezuelanos”, diz trecho da nota divulgada pelo Itamaraty. “O Brasil tudo fará para ajudar o povo venezuelano a voltar a viver em liberdade e a superar a catástrofe humanitária que hoje atravessa”, acrescenta o texto.

Ao todo, cerca de 25 pessoas participaram das negociações comandadas pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Além de integrantes do chamado Grupo de Lima, que reúne chanceleres de 14 países, representantes do governo dos Estados Unidos estiveram no Itamaraty ao longo do dia. Outros exilados venezuelanos também vieram para Brasília, inclusive o ex-presidente da Assembleia Nacional da Venezuela Julio Borges, exilado em Madrid, e o número dois do partido de oposição Vontade Popular (VP), Carlos Vecchio, que mora em Miami (EUA).

Conversa com Bolsonaro
Mais cedo, uma comitiva dos opositores venezuelanos deixou os compatriotas no Itamaraty e foi até o Palácio do Planalto para se encontrar com o presidente Jair Bolsonaro e alinhar a posição contra Nicolás Maduro. O presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), Miguel Ángel Martín, atualmente exilado em Miami, foi um dos que passou pelo Palácio do Planalto.

Na gravação, o presidente chama o segundo mandato de Maduro à frente da Venezuela de “desgoverno”, instaurado “com a ajuda de presidentes que o Brasil teve, como Dilma e Lula”.

 

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