02/02/2019 às 19h12min - Atualizada em 02/02/2019 às 19h12min

Senado: sessão que elegeu Alcolumbre durou 8 horas só neste sábado

Processo começou após posse dos parlamentares, na sexta, e prosseguiu hoje, sendo feito em duas etapas. Renan Calheiros desistiu

METRÓPOLES

O principal oponente de Renan Calheiros, David Alcolumbre (DEM-AP), é o novo presidente do Senado Federal. Ele foi eleito em primeiro turno após a desistência do emedebista.

Na segunda votação para escolha do presidente do Senado Federal e integrantes da nova Mesa Diretora, neste sábado (2/2), 74 parlamentares registraram seus votos. Além de Renan Calheiros, que desistiu de concorrer em pleno processo eleitoral, não participaram do pleito mais três emedebistas, aliados do político: Jader Barbado (PA), Maria do Carmo (SE) e Eduardo Braga (MA).

enan, Barbalho, Maria do Carmo e Eduardo Braga foram embora

Segundo votação é concluída. Votos começam a ser apurados

o preferido da disputa surpreendeu a todos e anunciou que desistia do pleito.

“Ontem [sexta], a maioria teve de judicializar a decisão do Senado. É a primeira vez que isso acontece numa casa legislativa. Agora, estamos repetindo uma votação que foi anulada, porque um senador colocou uma cédula dentro de outra cédula”, disse. “Não sou mais candidato”, afirmou Renan Calheiros (MDB-AL).

Após falar isso, em tom exaltado, Renan Calheiros deixou o plenário. Embora aliados tenham tentado impedir a continuidade da eleição, o também aliado do senador e presidente da sessão deste sábado, José Maranhão (MDB-PB), deu continuidade ao pleito. Até o também candidato Espiridião Amin (PP-SC) ficou contrariado: “Resolvemos fazer uma nova eleição porque um voto estaria fraudado. Agora, a fraude é maior. Peço que se renove a votação”. A votação prossegue, mas há tumulto na Casa.

Agora, a tendência é o Senador eleger presidente, ainda em primeiro turno, o principal opositor do emedebista: o democrata David Alcolumbre (AP). Ele tem o apoio do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), e do partido do presidente Bolsonaro, o PSL, pois o candidato da sigla, Major Olímpio (SP), tinha aberto mão da disputa em favor do democrata mais cedo. Com Renan ainda no jogo, Alcolumbre já calculava possuir 42 votos.

 

O mistério do voto a mais
Depois de mais de cinco horas de sessão neste sábado, os senadores tiveram que reiniciar o pleito porque, na conferência dos registros dados na primeira votação, verificou-se que havia um voto a mais: 82, em vez de 81. Essa diferença poderia levar à impugnação da sessão.

“Acho que a atitude mais prudente é ter uma nova votação”, disse o presidente da Mesa, José Maranhão (MDB-PB). Mesmo sem consenso, e com o plenário protestando para ser ouvido, todos as cédulas nas quais os parlamentares registraram suas preferências foram trituradas. Não tiveram alternativa a não ser votar novamente.

O senador Major Olímpio disse que a situação não ficará assim: promete pedir apuração, com requisição das imagens das câmeras de segurança da Casa, para que seja identificado quem colocou o fatídico voto extra na urna de votação, melando a primeira eleição realizada neste sábado.

No segundo sufrágio, os senadores começaram a declarar abertamente em quem tinham votado, contrariando decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, que determinou pela manhã votação secreta. Renan percebeu que corria grave risco de ser derrotado: muitos senadores, embora o considerem o candidato mais bem preparado para o posto, não querem estar ligados ao político, alvo de várias denúncias de corrupção.

Renan vem enfrentando vários protestos contra a possibilidade de presidir, pela quinta vez, o Senado Federal. Inclusive, desde ontem, há manifestação em frente ao Congresso Nacional contra o político.

Cédulas de papel
Candidato a presidente, o senador Espiridião Amin (PP-SC) fez questão de ordem, sugerindo convocar um juiz eleitoral à Casa para se pronunciar sobre a melhor forma de solucionar a questão do voto extra. Alguns senadores queriam repetir a votação e outros, apenas cancelar os registros a mais. A indefinição deu início a novo bate-boca no plenário.

O problema, indicam, ocorre porque o senador José Maranhão acatou questão de ordem para a votação ser feita em cédulas: caso fosse pelo método tradicional, eletrônico, a diferença entre o número de votos e o total de presentes não se daria. A definição de que a escolha dos parlamentares ocorreria em cédulas ocorreu após leitura da decisão do ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, que determinou neste sábado votação secreta para a escolha do comando do Senado.

Depois do problema do voto extra, há desconfiança agora na condução dos trabalhos pela atual mesa. José Maranhão deu início ao novo processo de votação antes que crescesse a ideia, ventilada entre os senadores, de que o melhor era destituir todos os responsáveis pela sessão deste sábado.

Após quatro desistências neste sábado e uma na sexta, ainda estão na disputa pela presidência seis parlamentares: além do agora único favorito David Alcolumbre, estão na disputa ainda o ex-presidente Fernando Collor (Pros-AL), Esperidião Amin (PP-SC), Reguffe (sem partido-DF)  e Angelo Coronel (PSB-BA). Deixaram o páreo, além do Renan Calheiros, Tasso Jereissati (PSDB-CE), Alvaro Dias (Podemos-RJ), Major Olímpio (PSL-SP), Simone Tebet (MDB-MS) – todos em favor do democrata Alcolumbre.

 

Polêmica
A sessão deste sábado começou com quase 50 minutos de atraso e está bastante arrastada. Candidato a presidente e responsável pela condução da tumultuada sessão de sexta-feira, por ser remanescente da Mesa Diretora passada, David Alcolumbre ficou reunido desde 7h com PSDB, Rede e demais partidos aliados, no gabinete do tucano Tasso Jereissati para analisar o impacto da decisão de Toffoli: 13 parlamentares discutiam o que fazer a partir da determinação judicial.

Na sessão que Alcolumbre presidiu, os senadores aprovaram por 50 votos favoráveis e 2 contrários requerimento assinado pela maioria dos parlamentares para que a eleição fosse por voto aberto, o que beneficiaria o democrata como candidato. Parte dos senadores reunidos pela manhã defendia que a decisão de Toffoli fosse ignorada, uma vez que é monocrática, e a maioria dos parlamentares presentes na sessão de ontem decidiu por votação aberta. Assim, o pleito que definiu eleição aberta para a escolha da Mesa Diretora se sobreporia à decisão de um único ministro, mesmo que do Supremo.

“Meu coração clama por rebeldia contra a decisão do Toffoli, mas não vou estacionar um jipe na porta do Supremo Tribunal Federal”, afirmou o senador Jorge Cajuru (PSB-GO). Até boa parte da sessão, os aliados de Alcolumbre tentavam evitar a eleição da Mesa Diretora neste sábado. A decisão, beneficiava diretamente Renan Calheiros.

 

“Eu acho que todos ganhos, mas ganhou principalmente a democracia e a Constituição”, afirmou o senador Renan Calheiros ao chegar à Casa neste sábado. “Decisão judicial não se questiona, se cumpre”, continuou. No entanto, em 2016, quando foi afastado pelo Supremo, o senador alagoano também se recusou a deixar a cadeira de presidente. Neste sábado, o parlamentar disse que “uma coisa não tinha relação com a outra”.

Na noite de sexta, a proclamação do resultado da votação que definiu eleição aberta para a escolha do presidente, vices e secretários do Senado nesta legislatura, e a condução dos trabalhos por um concorrente na disputa pela Presidência da Casa, gerou o tumulto que resultou na suspensão da sessão. O próprio Renan e a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) pressionaram, e muito, para que Alcolumbre deixasse a condução dos trabalhos e anulasse a votação que aprovou votação aberta.

Depois de muito bate-boca, os senadores concordaram, em votação simbólica, suspender os trabalhos e retomá-los nesta manhã. O frágil acordo costurado foi que, em troca da substituição de Alcolumbre pelo parlamentar mais velho – João Maranhão (MDB-PB), aliado de Renan Calheiros – na condução dos trabalhos, a eleição seria mantida aberta. Mas a decisão do STF melou o acordo.

 


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