15/02/2019 às 23h29min - Atualizada em 15/02/2019 às 23h29min

Bolsonaro demite Bebianno e a crise assusta Brasília

Notibras

Gustavo Bebianno foi demitido da secretaria-geral da Presidência da República. A exoneração do ministro será publicada na edição de segunda-feira, 18, do Diário Oficial da União. O presidente Jair Bolsonaro teve uma conversa ríspida com o agora ex-auxiliar no final da tarde no Palácio do Planalto. Praticante de artes marciais, Bebianno teria se contido para não agredir fisicamente o presidente.

A informação sobre a o diálogo ríspido entre os dois e a consequente demissão de Bebianno começou a circular em Brasília pouco depois das 21 horas. Os meios políticos foram pegos de surpresa, uma vez que, durante toda a tarde de sexta-feira, o que se sabia era que a crise que se anunciava no governo, provocada por velhas discussões entre Bebianno e Carlos Bolsonaro, filho do presidente, havia sido contornada.

Agora não há mais recuo, segundo confidenciaram interlocutores palacianos a Notibras. Essa nova situação contraria tudo o que aconteceu ainda pela manhã, quando Bebianno esteve reunido, no Planalto, com o vice Hamilton Mourão e os ministros Augusto Heleno (do Gabinete de Segurança Institucional) e Onyx Lorenzoni, da Casa Civil.

Antes do meio-dia, considerando que o incêndio havia sido apagado, o general Mourão viajou a Mato Grosso, onde representou Bolsonaro em algumas solenidades. Em Sorriso, no interior do Estado, o general afirmou que Bolsonaro vai ‘botar ordem’ nos filhos, numa referência ao filho Carlos, vereador no Rio de Janeiro, desafeto de Bebianno.

Ainda em Mato Grosso, Mourão garantiu que não existe crise no governo: “Essas questões são internas. Os filhos são um problema de cada família. Tenho certeza que o presidente, em momento aprazado e correto, vai botar ordem na rapaziada dele”, afirmou o vice-presidente.

Bebianno passou dois dias ‘na geladeira’, ou seja, tentava uma audiência com o presidente, e não era atendido. Por fim, Bolsonaro, sem qualquer razão aparente, decidiu se deslocar do Alvorada, onde se recupera da última cirurgia, para o Planalto, onde o aguardava Bebianno para o que teria sido a última conversa.

Os ânimos estavam alterados durante esse encontro. E Bebianno, relatam alguns dos seus apoiadores, decidiu que, confirmada a demissão – ele aguardará a edição do Diário Oficial de segunda-feira – começará a soltar, a conta-gotas, as verdades que conheceu durante a pré-campanha, a campanha, a transição e os cerca de 40 dias que ficou no governo.

O ainda ministro vai sair ‘atirando’, afirmam seus correligionários mais próximos. E revidará com palavras “o tiro que recebeu na nuca”, como o próprio Bebianno disse, ao se referir ao que considera uma traição do presidente. “Eu esperava no mínimo um pouco de consideração”, desabafou o ex-coordenador da campanha do presidente em telefonemas a amigos.


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