18/02/2019 às 06h38min - Atualizada em 18/02/2019 às 06h38min

Fragmentados, blocos e deputados buscam espaço dentro da CLDF

A Casa tem, hoje, 11 grupos. O maior conta com cinco parlamentares. Em contraponto, há os “líderes de si mesmos”

METRÓPOLES

Iniciados os trabalhos com apenas dois blocos – voltados para a eleição da Mesa Diretora –, a Câmara Legislativa já conta com 11 grupos entre os 24 deputados que compõem a Casa. A pluralidade de bancadas tem dado trabalho nas negociações de projetos que entram e saem de pauta, tanto para o governo quanto para a presidência da CLDF.

Praticamente todos os blocos se formaram após o término da disputa pela presidência da Câmara. O DF Acima de Tudo (PRB, Pros e PP) e o Brasília em Evolução (PSB, PTB e MDB) têm quatro membros cada um. O Democracia e Resistência (PT e PSol) e o DF para Todos (Avante e PHS) possuem três distritais cada.

 

Em seguida, vem o PDT, com dois deputados. Depois, o que ocorre é uma fila dos chamados “líderes de si mesmos”: deputados que não estão em nenhum bloco. É o caso dos parlamentares do Novo, PR e Rede.

Todas essas matizes se aglutinam em dois grande grupos: as lideranças da Maioria e da Minoria, que formam, respectivamente, a base e a oposição.

O maior de todos
Hoje, o bloco com o maior número de parlamentares é o mais antigo a declarar unidade. O Justiça Social, inicialmente chamado de Quarteto Fantástico, que começou a criar forma antes mesmo de os membros tomarem posse.

Jorge Vianna (Podemos), Eduardo Pedrosa (PTC), Iolando Almeida (PSC) e Daniel Donizet (PSL) tinham o objetivo de abrir espaço para a eleição das comissões da Câmara Legislativa. Levaram ainda mais: conseguiram assento na Mesa Diretora. Após o início dos trabalhos, Robério Negreiros (PSD) passou a integrar o grupo.

“Temos um bloco muito unido. Os quatro que começaram a aproximação tiveram o mesmo entendimento. Estamos bem tranquilos na forma como conduzimos nossas decisões. O Robério quis ingressar em um bloco com cinco deputados, porque com esse número se decide qualquer votação. O recebemos de bom grado”, afirma o vice-líder do bloco, Jorge Vianna.

Advindo do serviço público, Vianna foi o único a não apoiar o grupo na votação que criou o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges-DF) – para gerir o Hospital de Base, o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) e seis Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Apesar disso, a decisão do distrital, segundo ele, não abalou as relações entre os membros do grupo.

“Temos um acordo de votar em bloco o que é consenso e em separado quando não. Não temos um norte impositivo. Tanto que votei contra o instituto. O que é padrão é a autonomia. Em muitas coisas somos afinados. Em outros, somos divergentes. Ficou bem definido que cada um votará de acordo com sua consciência”, conclui Vianna.

Bloco do eu sozinho
Diferentemente do colega, Leandro Grass (Rede) será líder de si mesmo após o fim do bloco que comportava Rede, PDT e Novo. O grupo foi desfeito devido a posicionamentos conflitantes, especialmente dos membros do bloco em relação a Cláudio Abrantes (PDT), líder do governo Ibaneis Rocha (MDB).

Dos quatro membros, três eram contrários ao governo – Júlia Lucy (Novo), o próprio Grass e o companheiro de partido de Abrantes, Reginaldo Veras (PDT), especialmente na votação do Iges-DF e, recentemente, nas críticas às mudanças do Passe Livre Estudantil.

“Fazer parte de um bloco é importante para dar alguns encaminhamentos, mas ser líder também facilita em outros casos, como nos pronunciamentos nas sessões e em reuniões. Facilita na organização”, analisa Grass. “Mas não vou trabalhar sozinho. Quando preciso, vou me articular em volta das pautas que defendo. Existem deputados que defendem pautas como as minhas, como o próprio Reginaldo Veras, e estou montando frentes parlamentares. Elas têm menos força, mas cumprem seu papel”, complementa o deputado.

Por outro lado, a não participação dos deputados em blocos é uma desvantagem também nas decisões das pautas. O presidente da Câmara Legislativa, Rafael Prudente (MDB), explica que, dentro das reuniões de líderes, valerá a proporcionalidade de cada grupo. Os maiores com seu peso, e os deputados que estão sozinhos, com os seus.

“Todos os deputados que participam do Colégio de Líderes terão sua posição respeitada. Mas é um colegiado, no qual a maioria será respeitada”, afirma Prudente.

Encontro nesta segunda-feira
Nesta segunda-feira (18/2), Rafael Prudente realizará apenas a segunda reunião com os deputados desde que assumiu o comando da Casa. O presidente levará à pauta apenas novos vetos, ainda não apreciados pelo plenário, e projetos do governo.

“Os projetos dos deputados estão em início de tramitação nas comissões da Casa e não têm nenhum apto a ser levado ao plenário. Temos, do governo, a extinção da Agefis [Agência de Fiscalização do DF], a redução de impostos, a criação de uma agência de fomento e a eleição para as administrações”, anunciou.

Fragmentado
A fragmentação dos blocos mudou o comportamento da equipe do Executivo que trabalha na Câmara Legislativa. O secretário de Articulação Política do GDF, Bispo Renato Andrade, está tendo que se desdobrar para negociar o apoio dos distritais às pautas governistas.

“Estou conversando individualmente com cada deputado, independentemente do bloco. Até por que alguns deles são compostos de parlamentares que votam diferente, como o caso do PDT, com um deputado da base e outro de oposição. O importante é que mesmo com esse grande número de votos, o governo tem uma boa base, com média de 15 votos ao nosso favor”, conclui Bispo Renato.


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