12/02/2017 às 10h10min - Atualizada em 12/02/2017 às 10h10min

Estupro na travessia subterrânea da Asa Sul

O crime aconteceu na passarela subterrânea entre a 106 Sul e a 206 Sul: estruturas em condições precárias, malcheirosas e pouca iluminação

Correio Breaziliense

Vítima de 48 anos sofreu o ataque em passagem subterrânea da Asa Sul, por volta das 22h. O agressor foi preso em seguida por PMs. No ano passado, o Plano Piloto registrou 38 ocorrências de abuso sexual.

 

O estupro de uma mulher de 48 anos em uma passagem subterrânea da Asa Sul trouxe à tona a falta de segurança nesses locais. O cenário é de abandono e de estruturas descuidadas. Os pedestres têm pela frente túneis escuros, pichados e malcheirosos. Quem mora ou trabalha nas proximidades evita passar por ali por causa da violência. Furtos e roubos são frequentes. Desta vez, a vítima foi violentada quando andava entre as quadras 105/106 Sul e 205/206 Sul. O crime aconteceu na noite de quinta-feira. O criminoso chegou em uma moto, segurou-a pelo braço e, em seguida, a atacou. No DF, em janeiro, houve 58 estupros. No ano passado, foram 666, contra 624, em 2015. No Plano Piloto, em 2016, ocorreram 38 casos.

 

O suspeito rendeu a mulher por volta das 22h. Policiais militares que patrulhavam a área foram acionados pela vítima, que relatou o crime. Ela descreveu a motocicleta, as características físicas e as roupas do agressor. A partir disso, os PMs localizaram o veículo usado pelo agressor em frente ao comércio local da 106 Sul. Em seguida, o identificaram e o encaminharam para a 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul). Na unidade policial, o acusado alegou que a relação sexual foi consentida, “mesmo sem, ao menos, conhecer ou saber o nome da vítima”, segundo descreve a ocorrência policial.

 

Ao longo do Eixão, há 16 passagens subterrâneas. Quem frequenta a região prefere se arriscar na rodovia do que seguir pela passagem subterrânea. É o caso da atendente Francisca Rodrigues, 28 anos. Moradora de São Sebastião, ela trabalha há cinco meses em um comércio da 205 Sul e precisa atravessar o local para pegar o ônibus no Eixinho. “Procuro sempre estar acompanhada. Quando não estou com algum colega de trabalho, costumo esperar alguma mulher para ir junto”, relata. E, se for fim de semana, Francisca nem se arrisca. “É muito perigoso”, acrescenta.

 

Eunice Dias, 49, também se sente vulnerável nessas passagens. “Eu tenho medo de passar a qualquer hora do dia. Fico apreensiva com a situação; por isso, às vezes, me arrisco, passando por cima”, revela. Na visão dela, falta policiamento nesses locais. “Não vemos policiais por aqui. Pelo menos, desta vez, pegaram o abusador”, comenta.

 

Francisca Rodrigues, 28 anos, evita esses locais: "É muito perigoso" Quem encara as passagens dá preferência por estar acompanhado. 

Solução

 

Uma norma distrital garante que deve ser mantido o patrulhamento em período integral nas passagens subterrâneas do Plano Piloto. A Lei nº 1.522/97 foi concebida a partir de um estudo feito há mais de 20 anos pelo advogado e arquiteto Ricardo Montalvão. À época, ele identificou que a violência nos locais é de 70% a 80% a mais do que as que figuram nas estatísticas da Secretaria de Segurança pelo fato de as vítimas não registrarem as ocorrências. “As pessoas evitam passar por ali por medo. Muitas presenciaram alguma cena de pudor ou viram violência. Só é possível enxergar policiamento nos horários de maior movimento. Estão descumprindo a legislação”, apontou Ricardo. “Como solução, deveriam manter as passagens como pontos de descanso dos policiais que fazem segurança nas comerciais e residências próximas”, sugeriu.

 

Em nota conjunta enviada pelo GDF, a Polícia Militar informou que a segurança nas passarelas das asas Sul e Norte é realizada diuturnamente por equipes de motociclistas e carros. “Por isso, a incidência de crimes nestes locais é mínima”, justifica. Sobre a iluminação das passagens, a Companhia Energética de Brasília (CEB) atestou que revitalizou esses locais com média de 25 luminárias por cada um, com investimento de R$ 4,2 milhões. Quanto à manutenção, a Novacap relatou que realizou reparos nesses espaços, como conserto de muretas de proteção e limpezas de bocas de lobo. “O SLU limpa as passagens subterrâneas do Plano Piloto três vezes por semana, com uma equipe composta por um motorista e seis garis, ao custo mensal de R$ 67 mil”, concluiu.

 

* Estagiária sob supervisão de Guilherme Goulart

 

16

Total de passagens subterrâneas ao longo do Eixão, nas asas Sul e Norte


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