26/02/2017 às 07h09min - Atualizada em 26/02/2017 às 07h09min

Aliados admitem que governo Temer passa por pior momento desde a posse

Licença do ministro Eliseu Padilha, pivô da instabilidade, deve se prolongar mais do que o previsto

Correioweb

O pedido de licença médica para uma cirurgia de próstata do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, pode se prolongar por mais tempo que o esperado. Diante das graves denúncias feitas pelo ex-assessor da presidência da República José Yunes ao Ministério Público Federal, afirmando ter servido de “mula” para levar a Padilha um envelope lacrado entregue pelo doleiro Lúcio Funaro, há quem acredite que os dias do peemedebista no governo estão contados. No Planalto, há uma nítida perplexidade e incômodo, não apenas porque dois dos aliados mais próximos do presidente Temer estão sob severas dúvidas, mas também porque o próprio presidente está envolvido no caso.
 

 

Ele encontrou-se com Yunes na quinta-feira, horas antes do pedido de licença médica feito por Padilha. “Não dá para agir da mesma maneira que agimos em outros casos. Não é um delator preso de uma empresa que tinha contratos com o governo. É um amigo do presidente, que esteve trabalhando no Planalto até dezembro, acusando seriamente outro amigo do presidente”, lamentou, perplexo, um interlocutor palaciano. “A situação não está boa”, resumiu.
 

Pessoas próximas ao presidente consideram possível, caso Padilha tenha, de fato, de sair do governo, que o substituto natural seja o atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Ele comanda atualmente as finanças públicas, o orçamento e ainda pode gabar-se do fato de a economia já dar sinais de retomada. Na Casa Civil, teria influência sobre todos os setores do governo e condições de fazer o Executivo decolar.

A percepção é de que, sem os principais aliados, alvejados pela Operação Lava-Jato, Temer poderia adotar essa solução para tentar restabelecer a sua combalida credibilidade. Além disso, abriria espaço para Meirelles convidar para o governo mais um economista de peso que manteria o mercado tranquilo.

Investidores alertam que Temer não pode vacilar na escolha. Padilha tem sido fundamental na negociação da reforma da Previdência com o Congresso e tem “a mente antenada com as mudanças que o país precisa”, elogiou um analista de mercado. Meirelles poderia se sair bem nesse papel, uma vez que tem conseguido apoio dos diversos partidos da base aliada, entre eles, o PSDB, para aprovar propostas para recuperar as finanças públicas.

Sua ida para a Casa Civil, entretanto, fortaleceria uma possível candidatura a Presidência da República em 2018 e incomodaria caciques de outros partidos. Inclusive do PSDB, que, neste momento, diminui o fogo amigo contra o titular da Fazenda, mas que, no fim do ano passado, defendia a troca de Meirelles pelo ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga.

Insegurança

Por enquanto, oficialmente, Padilha está de licença médica, que dura, em tese, até 6 de março. Nesta semana, ele já havia sido internado, por dois dias, por conta de uma obstrução urinária, decorrente do aumento da próstata. O procedimento a que ele vai se submeter é mais simples, pois trata-se de um tumor benigno e há o prazo para recuperação total. O que preocupa o meio político é a insegurança. Padilha já havia sido citado na delação do ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht Cláudio Mello Filho.

Segundo Mello Filho, a empreiteira teria doado R$ 10 milhões em 2014, a pedido do então vice-presidente Michel Temer, para campanhas do PMDB. Padilha teria ficado com R$ 6 milhões e outros R$ 4 milhões teriam sido destinados à campanha de Paulo Skaff ao governo de São Paulo. Ontem, a secretaria de comunicação da Presidência foi obrigada a soltar uma nota reafirmando a lisura da operação.

“Quando presidente do PMDB, Michel Temer pediu auxílio formal e oficial à Construtora Odebrecht. Não autorizou nem solicitou que nada fosse feito sem amparo nas regras da Lei Eleitoral. A Odebrecht doou R$ 11,3 milhões ao PMDB em 2014. Tudo declarado na prestação de contas ao TSE. É essa a única e exclusiva participação do presidente no episódio”, resumiu a nota
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