15/09/2019 às 07h03min - Atualizada em 15/09/2019 às 07h03min

“Maior desmatador da Amazônia” comanda quadrilha de incendiários, diz MPF no Pará

Em 2015, empresário foi condenado a 54 anos e prisão, mas passou apenas seis meses na cadeia

Investigações do Ministério Público Federal no Pará indicam que uma quadrilha envolvendo grileiros, madeireiros e produtores rurais, que tinha sido desbaratada em 2015, voltou a atuar com força na região e teria sido responsável, entre outras ações, pelo “ Dia do Fogo ” - série de queimadas criminosas realizadas num único fim de semana de agosto e que acabaram chamando a atenção do país para o que vinha acontecendo na Amazônia.

 

“O trabalho deles é feito por vários grupos de criminosos”, afirmou o procurador federal de Santarém, Paulo de Tarso Moreira Oliveira, segundo matéria da revista Globo Rural.

 

 

O empresário Ezequiel Castanha pé preso durante operação da Polícia Federal em 2014

 

“Tem gente encarregada de desmatar, outros de vender a madeira de lei, os incendiários, que se encarregam de queimar o que restou e semear o pasto. E depois entra outro grupo, encarregado de encontrar laranjas que emprestam seus CPFs para assumir esses crimes. Esses laranjas são transformados em posseiros, eles alugam seus nomes para a produção de documentação falsa, e até para assumir as multas do IBAMA. Dentro da quadrilha tem também o setor imobiliário, que se encarrega de oferecer essas áreas a preços irrisórios, principalmente no sul do país”, disse ele.

 

Em 2014, a quadrilha foi alvo da “ Operação Castanheira ”, ação conjunta da Polícia Federal, Ibama, Receita Federal e Ministério Público que resultou em quatro condenações, entre eles o líder do grupo, o empresário Ezequiel Antônio Castanha.

 

Na época, Castanha foi apontado como “o maior desmatador da Amazônia”. A somatória dos crimes atribuídos a ele foi de 54 anos, mas Castanha ficou apenas seis meses preso.

 

Segundo o promotor, após a condenação, o empresário, que é dono de uma rede de supermercados, foi processado mais três vezes pelo Ministério Público.

 

“Se a Polícia Civil do Pará e a Federal, que estão investigando há mais de 30 dias, não desvendarem os autores desse crime, nós do Ministério Público vamos entrar em ação”, afirmou Oliveira. “O desmatamento deixa muitos rastros e nós vamos segui-los”.

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