Domingo, 24/05/26

Rússia usa supermíssil em mega-ataque contra Ucrânia

Rússia usa supermíssil em mega-ataque contra Ucrânia
Rússia usa supermíssil em mega-ataque contra Ucrânia – Reprodução

IGOR GIELOW

A Rússia promoveu um dos maiores ataques aéreos contra a Ucrânia nos mais de quatro anos de guerra contra o vizinho na madrugada deste domingo (24), empregando pela primeira vez o supermíssil Orechnik contra um alvo próximo de Kiev.

Ao menos 4 pessoas morreram e outras 80 ficaram feridas na ação, descrita pelo Ministério da Defesa russo como uma retaliação pelo bombardeio que matou 18 em um dormitório estudantil na região ocupada de Lugansk, no leste ucraniano, na sexta (22).

“Foi uma noite terrível em Kiev”, disse o prefeito da capital ucraniana, Vitali Klitschko, no Telegram. A cidade foi o foco da ação russa, que envolveu 90 mísseis e 600 drones.

O escopo do ataque, em termos de equipamento, foi inédito. Houve o lançamento de ao menos um Orechnik, míssil balístico de alcance intermediário disparado apenas em outras duas ocasiões no conflito, em novembro de 2024 e em janeiro deste ano.

O supermíssil foi desenhado para conflitos nucleares: ele pode levar múltiplas ogivas, que fazem sua reentrada na atmosfera em velocidades hipersônicas indefensáveis, na prática.

No caso dos ataques contra a Ucrânia, foram usadas ogivas sem explosivos, que causam destruição apenas por sua força cinética. Neste domingo, o alvo foi Bila Tservka, 64 km a sul de Kiev, mas houve relatos não confirmados de um segundo ataque contra a capital.

O uso do Orechnik, cujo nome significa a árvore aveleira em russo, é também uma sinalização para a Europa, que está tentando mediar uma solução diplomática para a guerra que favoreça o governo de Volodimir Zelenski.

Na semana passada, a Rússia fez o maior exercício nuclear desde a Guerra Fria, disparando mísseis estratégicos, que visam ampla destruição, e táticos, mais restritos ao campo de batalha –estes foram lançados em conjunto com a aliada Belarus, que faz fronteira com membros da aliança ocidental Otan.

A ideia era demonstrar força aos europeus, ao americano Donald Trump e até ao aliado Xi Jinping, líder chinês visitado por Vladimir Putin no mesmo período.

O Orechnik se encaixa no padrão de ameaça, pois pode atingir qualquer capital europeia em questão de minutos com suas múltiplas ogivas. Os europeus passaram recibo: o premiê alemão, Friedrich Merz, foi ao X criticar a ação, dizendo que ela é uma “escalada irresponsável”.

Segundo a Defesa russa, foi usado também quase todo o arsenal operacional de armas hipersônicas de Putin: o míssil ar-terra Kinjal (punhal, em russo) e o Tsirkon (zircão), disparado de baterias costeiras Bastion que foram posicionadas em terra no sul russo.

Também foram empregados mísseis balísticos Iskander-M, os mesmos testados nos jogos de guerra nuclear da semana passada. Com alcance de 500 km, o modelo está posicionado em Belarus, tendo em sua mira todo o Leste Europeu até Berlim.

Putin também tem um batalhão armado com o Orechnik em solo de Belarus. A ditadura de Aleksandr Lukachenko apoia a Rússia e permite o uso de seu território e espaço aéreo contra Kiev, mas não se envolveu diretamente no conflito até aqui.

Apesar da entrada de recursos oriundos do relaxamento das sanções ocidentais contra a venda de petróleo russo devido à crise no Oriente Médio disparada pela guerra de Trump contra o Irã, Putin está pressionado na Ucrânia.

Sem um avanço decisivo, algo que vinha sendo vendido por seus generais após vitórias pontuais no começo do ano, suas forças têm sofrido algumas derrotas na linha de frente –que, na prática, segue congelada.

Nessa semana, houve até um raro momento de dissenso crítico na Rússia quando um proeminente especialista geopolítico alinhado ao Kremlin, Vitali Kachin, publicou um artigo na revista Rússia nos Assuntos Globais dizendo que Putin deveria fazer a paz imediatamente.

Segundo Kachin, não há condições para nenhum dos lados ganhar a guerra de forma definitiva, e assim o melhor negócio para o Kremlin seria contentar-se com os 20% que já conquistou da Ucrânia e forçar a neutralidade militar do vizinho num acordo.

T LB

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