A movimentação para a construção de uma nova capital federal foi precedida por um acontecimento marcante em 1955, quando um goiano de Jataí ganhou destaque nacional. Conhecido como Toniquinho JK, após questionar o então candidato à presidência da República sobre o cumprimento da Constituição Federal em relação à construção da nova metrópole que viria a ser Brasília, um homem contribuiu para a história do país. A indagação: “Queremos saber se vossa excelência, eleito, vai mudar a capital da República conforme está previsto na Constituição Federal”, foi reconhecida pelo próprio então candidato à presidência como um fator impulsionador para a construção no Planalto Central e o movimento conhecido como Marcha para o Oeste. A morte deste goiano completa seis anos nesta sexta-feira (21/11).
Conforme registros da Secretaria Municipal de Cultura do município e do Memorial JK, o homem não possuía liderança política nem era conhecido por discursos públicos. Ele era um trabalhador comum de Jataí. O episódio que o tornou histórico surgiu de forma quase espontânea, movido pela curiosidade e pela percepção de que a questão da capital poderia permanecer inalterada sem uma manifestação.
A Pergunta Histórica de Toniquinho JK
Em um vídeo divulgado pela prefeitura em outubro deste ano, em homenagem ao marco “Toniquinho JK: 100 anos”, o autor da pergunta histórica relembrou aquele momento. Ele observou a multidão de pessoas simples ao seu redor, como agricultores e comerciantes, acostumadas a ouvir promessas sem questioná-las.
Quando o evento abriu espaço para questionamentos da população, a pergunta do homem surgiu sem planejamento prévio. Apesar de sua simplicidade, a indagação teve um impacto significativo, atravessando a multidão pela forma direta com que foi feita, algo que poucos teriam coragem de expressar.
Resposta do Candidato e o Início de Brasília
A reação do candidato, conhecido como JK, também foi direta. Ele mesmo recorda que sua resposta ao questionamento inesperado de um eleitor foi objetiva: “Se a Constituição exige a construção da nova capital do Brasil, vou respeitá-la e construirei a nova capital do Brasil.”
Com essa declaração simples, mas conclusiva, cinco anos mais tarde, Brasília deixou de ser apenas uma promessa para começar a ganhar forma no Planalto Central, influenciada por aquele momento crucial.
O Legado de Toniquinho JK em Jataí
Décadas após a pergunta histórica, mesmo com a capital do Brasil já estabelecida no Cerrado, Toniquinho JK manteve uma vida discreta, sem alardear o episódio como mérito pessoal. Sua proeminência surgiu com o tempo, impulsionada pelas memórias e registros históricos. Em 2018, com seu falecimento, a cidade reconheceu a perda de alguém que, de forma inesperada, direcionou parte do país a um novo rumo.
O homem, que perdeu os pais antes dos 16 anos, cresceu com responsabilidades precoces e uma vida simples que, posteriormente, foi dividida entre a advocacia e o serviço público, de onde se aposentou. Hoje, seis anos após sua morte, Jataí o recorda não apenas como o homem da “pergunta certa”, mas como alguém que demonstrou o impacto que uma ação individual pode ter na trajetória de um país.
Por Correio de Santa Maria, com informações do Arquivo Nacional.








