Silêncios institucionais, denúncias e desconfiança popular alimentam questionamentos sobre poder, pressão e a legitimidade das decisões da mais alta Corte brasileira
Depois de tantas especulações, cobranças e pedidos de explicações feitos por meio das redes sociais, o chamado “semideus” Alexandre de Moraes parece se enrolar ainda mais a cada nova tentativa de esclarecimento. Em vez de dissipar dúvidas, suas manifestações acabam ampliando a sensação de confusão e desgaste diante da opinião pública.
Como se não bastasse esse cenário, o silêncio do presidente da Corte, ministro Fachin, e a omissão do senador Alcolumbre quanto ao pedido de impeachment do outrora todo-poderoso “Xandão” são atitudes que constrangem qualquer cidadão, por mais leigo que seja em assuntos jurídicos ou políticos.
E, como perguntar não ofende, fica aqui o questionamento: será que Alexandre de Moraes, ao pressionar instituições como a PF e o Banco Central — com nomes como Galípolo sendo citados — acreditava que nada viria à tona, a exemplo das pressões que supostamente exercia sobre parlamentares? Algo do tipo: “Veja bem como você vai votar, há um processo seu aqui parado que pode andar”.
Entretanto, como todo castelo erguido sobre bases tortas tende a ruir, a máscara de Xandão acabou caindo, em uma situação digna da clássica peça “O Rei Está Nu”. O resultado disso é um evidente mal-estar tanto com os colegas da Corte quanto com a sociedade em geral.

Afinal, muitos se perguntam: onde está agora a credibilidade daquele que dava 24 horas para explicações, mandava prender, determinava o uso de tornozeleiras eletrônicas e impunha ordens sem contestação? E agora, Xandão, quem ainda acredita em você?
Mais ainda: será que alguém ainda acredita no chamado “golpe” de 8 de janeiro ou ficou evidenciado, de uma vez por todas, que tal narrativa não passou de uma armação arquitetada, conforme denúncias atribuídas ao ex-assessor Tagliaferro?
Diante desse quadro, creio que a única saída seria a renúncia. Uso o termo “renúncia” apenas para suavizar a expressão, pois, assim como o seu modus operandi baseado em pressão demorou, mas veio à tona, da mesma forma pode acontecer com um processo de impeachment.
Esse desfecho, inclusive, já foi anunciado por homens e mulheres de fé, bem como por videntes que afirmam ter visto tal destino nas cartas. Portanto, renuncie. E, enquanto essa decisão não vem, chore — dizem que dói menos.
Correio de Santa Maria- Por Vital Furtado








