Sexta-feira, 01/05/26

Livro explora contrastes sociais do Rio pela linha de ônibus 474

Livro explora contrastes sociais do Rio pela linha de ônibus 474
Livro explora contrastes sociais do Rio pela linha de ônibus – Reprodução

No Rio de Janeiro, a linha de ônibus 474, que conecta o Largo do Jacaré, na Zona Norte, ao Posto 6 de Copacabana, na Zona Sul, serve como espelho das profundas fraturas sociais da metrópole. Essa rota de 22 quilômetros, percorrida em média 80 minutos e com 50 paradas, é o foco do livro ‘474: Jacaré/Copacabana’, lançado pela Subinfluencia Edições e escrito pelo arquiteto e urbanista Gabriel Weber.

A obra, com 127 páginas em formato de bolso, baseia-se em pesquisas de mestrado do autor na Universidade do Porto, em Portugal, premiada com o Viana de Lima na área de Arquitetura e Belas Artes. Weber, que atualmente cursa doutorado em programa conjunto com a Southern Methodist University, nos Estados Unidos, utilizou suas próprias experiências como passageiro, além de entrevistas com motoristas, despachantes e usuários, e acesso a grupos de WhatsApp de moradores de Copacabana, para compor o retrato.

Durante a semana, o ônibus transporta trabalhadores de bairros pobres da Zona Norte – outrora centros industriais, mas hoje em declínio – para empregos em serviços domésticos, comércio e lazer nas áreas centrais e nobres da Zona Sul. No entanto, aos fins de semana, quando usado para o ócio, a linha ganha fama de perigosa, associada a arruaças que viram manchetes.

O livro evita estigmas e romantizações, apresentando um ‘suco de Rio de Janeiro’ repleto de contrastes entre penúria e opulência, ordem e desordem. Weber descreve cenas de violência, como assaltos no interior do veículo, arrastões em paradas ricas, depredações, surf no teto do ônibus e até recepções hostis de moradores da Zona Sul, que organizam brigas via WhatsApp contra visitantes do Jacaré. Também aborda discriminação racial em revistas policiais e operações de segurança.

Em meio aos conflitos, a narrativa destaca momentos de solidariedade: camaradagem entre profissionais do transporte, códigos éticos informais contra roubos a pobres, o cansaço dos trabalhadores no retorno, o cuidado de mães com filhos e a alegria de famílias levando crianças à praia. Inclui mapas do trajeto e flagrantes que revelam a vitalidade da linha para o funcionamento da cidade, sem ignorar suas tensões sociorraciais. As informações foram retiradas da Agência Brasil.

T LB

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