Terça-feira, 13/01/26

Proposta inclui avaliação da população sobre serviços públicos em lei da administração pública

Proposta inclui avaliação da população sobre serviços públicos em lei da administração pública
Proposta inclui avaliação da população sobre serviços públicos em lei – Reprodução

Um grupo formado por técnicos do governo, especialistas e professores em administração pública apresentou ao Executivo proposta para substituir regras de gestão válidas desde 1967, que prevê a avaliação da população sobre os serviços públicos.

Batizada de Lei Geral da Administração Pública, a sugestão foi entregue em dezembro à AGU (Advocacia-geral da União) e ao MGI (Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos), que irão analisá-la e poderão levá-la ao Congresso.

A ideia de avaliação dos usuários aparece em dois artigos da minuta. No primeiro, afirma-se que as políticas públicas deverão ser continuamente aprimoradas conforme as necessidades e experiências dos usuários, com abordagens centradas em eventos da vida, jornadas do cidadão e situações concretas de uso.

Esse aprimoramento seria feito por “escuta ativa e avaliação da satisfação dos usuários”.

Em outro artigo, afirma-se que essa avaliação deverá ser feita em “canais acessíveis, presenciais ou digitais, que assegurem diversidade e inclusão”. Os parágrafos determinam que devem ser feitas perguntas de satisfação e que isso deve ser implementado progressivamente.

O professor de administração pública da USP Fernando Coelho, um dos autores do projeto, afirma que o antigo decreto foi pensando na década de 1960 com um Estado desenvolvimentista mais centralizador. A proposta atual, ele diz, é tentar traduzir direitos sociais em políticas públicas e o ponto de partida é fazer uma gestão por resultados, com transparência e foco no que ele chama de usuário cidadão.

Coelho afirma que a proposta de lei busca enfrentar disfunções burocráticas do Estado, como o distanciamento em relação às demandas da sociedade e a falta de monitoramento e avaliação capazes de retroalimentar políticas públicas.

Segundo ele, o texto incorpora inovações recentes, como o conceito de ciclo laboral na gestão de pessoas do setor público, com a intenção de orientar órgãos e entidades da administração.
Trata-se de uma tentativa de “começar a ajustar [a administração pública] para um modelo com flexibilidade e orientação para resultados. A norma antiga já não representa o espírito da época”, afirma ele.

A lei também organiza regras para a transição de governo, sobretudo nos estados e municípios, onde a alternância de poder muitas vezes ocorre de forma conflituosa e judicializada.

REFORMA ADMINISTRATIVA

Na de reforma administrativa que tramita no Congresso também há uma proposta de avaliação dos usuários dos serviços públicos.

O texto cria um sistema nacional de avaliação que ficaria responsável por isso e por garantir que os resultados sejam usados como referência no processo de Orçamento (ou seja, o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias e a Lei Orçamentária Anual).

Pela situação atual no governo federal, quem lidera as avaliações de políticas públicas é o CMAP (Conselho de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas), que reúne órgãos como o Ministério do Planejamento e a Casa Civil. Há um comitê técnico voltado para os gastos diretos do governo e outro para os subsídios e benefícios tributários. Órgãos como o Ipea e o IBGE dão apoio.

No plano plurianual vigente, elaborado em 2023, a avaliação de políticas públicas ficou vinculada ao planejamento de longo prazo (cada programa de governo precisa apresentar indicadores claros e resultados esperados desde a sua concepção).

No texto da reforma administrativa que tramita no Congresso, afirma-se que, apesar da estrutura montada, faltam profissionais especializados e as decisões sobre orçamentos não levam em conta muitos relatórios de avaliações.

T LB

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