Sábado, 17/01/26

Corretora acusou síndico de agressão antes de desaparecer em Caldas Novas

Corretora acusou síndico de agressão antes de desaparecer em Caldas Novas
Corretora acusou síndico de agressão antes de desaparecer em Caldas Novas – Reprodução

Acusações da corretora desaparecida

Meses antes de desaparecer no condomínio onde morava em Caldas Novas, a corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, registrou um boletim de ocorrência acusando o síndico do prédio de perseguição e agressão física. No depoimento, prestado em agosto do ano passado, ela descreveu uma série de conflitos com a administração do condomínio e afirmou ter levado uma cotovelada durante uma discussão, tornando-se um caso de corretora desaparecida.

Segundo o relato da corretora à polícia, o síndico teria iniciado uma perseguição em janeiro de 2025 para impedi-la de trabalhar no local, mesmo sendo proprietária, junto com a família, de seis apartamentos no prédio. A corretora afirmou que passou a sofrer restrições no dia a dia. “Foi me negado o acesso à lavanderia, às áreas comuns, às entregas, e até a chave do apartamento da minha mãe eles se recusaram a entregar”, disse.

Ela contou que precisou acionar a Justiça para conseguir uma liminar para obter acesso às áreas comuns do prédio.

Outro ponto destacado no depoimento foi a falta recorrente de água nos apartamentos da família. Segundo a corretora, o controle dos registros ficava exclusivamente com o síndico. “A água começou a desaparecer e ninguém me dava resposta. Eu e meu padrasto fomos atrás dele porque ele é a única pessoa que tem as chaves dos registros”, afirmou.

Quando encontrou o síndico, os dois começaram uma discussão. “De repente ele me deu um soco e uma cotovelada no rosto. Meu celular caiu, meus óculos caíram”, relatou. A corretora também afirmou que não agrediu o síndico em nenhum momento. “Eu não encostei nele, nem com palavras, nem com nada. Eu só quero tranquilidade e segurança na casa da minha mãe”, disse.

Investigação aponta divergências

Durante as investigações, testemunhas ouvidas pela Polícia Civil apresentaram depoimentos diferentes sobre a situação. Um morador do prédio afirmou que ouviu gritos e foi até a recepção, onde encontrou a corretora exaltada, batendo nos vidros e tentando quebrar uma porta de uso comum.

Imagens de câmeras de segurança do condomínio também contradizem o depoimento da corretora. Os vídeos mostram uma discussão intensa na recepção, com Daiane alterada, enquanto o síndico aparece observando a situação, sem registros de agressão física.

Expulsão e desaparecimento

Os conflitos entre Daiane e a administração do prédio se estenderam por meses, ao ponto de que, em agosto, uma reunião de moradores aprovou a expulsão da corretora do condomínio. Dos 58 votos, 52 foram favoráveis a retirá-la do local.

A corretora desapareceu em 17 de dezembro, após descer ao subsolo do prédio para verificar um corte de energia elétrica em seu apartamento. O caso é investigado pela Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH), que apura se o histórico de conflitos e as versões contraditórias têm relação com o desaparecimento. Até o momento, nenhuma hipótese foi descartada.

T LB

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