Uma mulher, que se passava por advogada e ostentava uma vida de luxo, foi indiciada pela Polícia Federal (PF) por supostamente integrar um esquema de comunicação para uma facção criminosa no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Investigações apontam que, durante a pandemia, ela recebeu R$ 8.100 em auxílio emergencial.
De acordo com a apuração, o companheiro da mulher, um homem integrante da facção Bonde do Maluco (BDM), também foi beneficiado com R$ 3.300 do auxílio. Ele é réu por organização criminosa e responde por posse de arma de fogo encontrada em sua residência durante a operação policial.
A apuração também revelou que a mulher foi casada e teve uma filha com um homem apontado como chefe da facção Comboio do Cão (CDC).
As investigações indicaram que a mulher auxiliava na comunicação de membros da facção Bonde do Maluco (BDM) com um dos líderes da organização, que está preso na Papuda. Este líder é apontado como responsável pela morte do policial federal Lucas Caribé, em 2023.
Detalhes da investigação sobre o auxílio emergencial
As investigações sobre o líder da facção Bonde do Maluco (BDM) revelaram seu histórico criminal e atuação contínua mesmo após a prisão.
- O homem, líder do Bonde do Maluco (BDM), possui um histórico de crimes que inclui tráfico de drogas e envolvimento na morte do policial federal Lucas Caribé, em setembro de 2023, durante uma operação em Salvador.
- Conhecido como Caboclinho, ele é um dos principais alvos da Operação Cravante, deflagrada em outubro de 2024.
- Mesmo preso na Papuda, ele continuou a exercer influência no tráfico, coordenando as atividades do BDM.
- A articulação permitiu que ele ampliasse sua rede criminosa e se comunicasse com outros detentos, gerenciando atividades ilícitas de dentro da prisão.
- Sua posição no crime se fortaleceu após integrar e auxiliar o Primeiro Comando da Capital (PCC) na penitenciária, utilizando conexões com advogados para manter o controle sobre o tráfico.
- Em 2024, a operação cumpriu seis mandados de prisão e nove de busca e apreensão na capital federal e na Bahia.
- Informações da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape) mencionam indícios de que várias pessoas teriam se passado por um advogado, com sua anuência, para se comunicar com detentos do sistema prisional do DF.
Falsa advogada e ostentação
Bacharel em direito, a mulher investigada realizou o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e entrou com uma ação judicial para revisar sua nota, mas o pedido foi negado. Sem autorização para atuar, ela se apresentava como advogada, enganava clientes e usava o nome “Tatiane Adv Silva” em seu perfil de WhatsApp.
Nas redes sociais, a investigada se descrevia como pós-graduanda em direito penal dogmática moderna, afirmava ser “apaixonada por justiça” e ostentava roupas, bolsas e relógios de luxo. A mulher chegou a ficar foragida após a expedição de um mandado de prisão, que foi posteriormente revogado.
A OAB foi contatada sobre o exercício ilegal da profissão, mas não se pronunciou até a publicação da matéria. A reportagem não localizou a investigada para comentar o caso.
Conexões com “gerente do tráfico”
O relatório da PF incluiu registros de conversas e ligações da mulher com uma advogada apontada como “gerente do tráfico” e namorada de um homem conhecido como “Bolão”, que era líder da organização. Acusada de facilitar a comunicação de membros da facção Bonde do Maluco (BDM), a advogada é namorada do homem apontado como líder da mesma organização.
Ex-mulher de um policial e inscrita na OAB, a advogada também possui passagens pela polícia por tráfico de drogas e comércio ilegal de armas de fogo. Em outubro de 2024, ela foi presa em Serrinha (BA) por facilitar a comunicação entre líderes da facção e membros em liberdade. A apuração indicou que a advogada não está mais presa na Bahia e responde por organização criminosa em liberdade.
Segundo a PF, por meio de mensagens de WhatsApp, a advogada atuava como “gerente do tráfico” na Bahia, sendo responsável por promover o comércio de drogas e a venda de armas. Ela usava o nome “Deus de Israel” no perfil para ocultar sua identidade.
Além das duas mulheres e do líder do Bonde do Maluco, outras sete pessoas respondem ao processo, incluindo advogados que facilitavam a comunicação. A advogada, outros quatro advogados e um estagiário de direito tiveram o direito de exercer a profissão suspenso. O processo corre em sigilo no Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT).








