Aconteceu algo parecido nesta segunda-feira com a filipina Alexandra Eala, que atuou na modesta Quadra 6, o que deixou espectadores em uma fila gigante e, evidentemente, muitos não conseguiram ver a promessa asiática (e não é novidade que o público asiático se faz muito presente no Australian Open).
Queue hallucinante pour accéder au court n°6. La raison ? La Philippine Alexandra Eala y disputera tout à l’heure son premier tour de l’Open d’Australie. pic.twitter.com/98PLwYcWYM
— Quentin Moynet (@QuentinMoynet) January 19, 2026
Sou quase sempre o último a criticar o scheduling de um torneio. Montar uma programação, escolhendo quem joga onde e em que horário, é solucionar um quebra-cabeças de milhares de peças. É preciso considerar: 1) pedidos de jogadores (sim, alguns pedem para jogar de dia ou à noite); 2) interesses de detentores de transmissão, que querem os tenistas de seus países jogando em um fuso horário mais amigável; 3) chaveamento (não convém escalar um tenista no primeiro jogo do dia se o jogo que determina seu próximo adversário será o último da mesma jornada); 4) quais dos simplistas estão inscritos também na chave de duplas (e como encaixar duelos de duplas quando há mais de um simplista atuando naquele mesmo dia); 5) ranking (meritocracia pura: tenistas com currículo mais premiado tendem a jogar em quadras maiores); 6) popularidade (quem atrai mais público, e aqui se encaixa a questão de nacionalidade, com tenistas da casa tendo certa prioridade); 7) igualdade de gênero (é preciso encaixar sempre o mesmo número de jogos masculinos e femininos nas quadras principais); 8) previsão do tempo (se há chance de chuva, convém escalar os jogos “atrasados” nos primeiros horários e/ou nas quadras com teto retrátil); 9) possibilidade de evitar conflitos (não faz sentido escalar, por exemplo, Alcaraz e Djokovic em quadras diferentes e no mesmo horário), etc.
O parágrafo anterior poderia ser mais longo. Muito mais. Mas deu para entender, certo? Não é fácil montar programação de jogos em um slam. Também entendo que a meritocracia pesa muito no esporte. Tênis é um esporte com tradições e egos inflados. Escalar o número 32 do mundo numa quadra central geraria inveja e dores de cabeça para árbitros e diretores. Para estes, é mais fácil esperar que Fonseca vença um par de jogos importantes.
Ainda assim, escalá-lo numa quadra para 3 mil pessoas? Num complexo tão grande, com quatro quadras maiores? Cabem 5 mil na Kia Arena, onde vão jogar Dimitrov e Machac. A John Cain Arena, onde estarão Khachanov e Michelsen, tem capacidade para 9.701 espectadores. E na Margaret Court, onde Musetti vai enfrentar Collignon, há lugar para 7.475 pessoas.
É, parece que o Australian Open ainda não processou o Efeito Fonseca.








