Domingo, 01/03/26

Pesquisa revela impactos da pandemia na saúde mental de idosos

Pesquisa revela impactos da pandemia na saúde mental de idosos
Pesquisa apoiada pela FAPDF revela impactos emocionais da pandemia em idosos – Reprodução

Uma pesquisa apoiada pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) e desenvolvida na Universidade Católica de Brasília (UCB) analisou os impactos da pandemia de covid-19 na saúde mental da população idosa. Coordenado pelo pesquisador Vicente Paulo, o estudo buscou compreender como pessoas com 60 anos ou mais vivenciaram o isolamento social, o medo e as perdas, considerando o papel da religiosidade e da espiritualidade como estratégias de enfrentamento.

Impactos da pandemia na saúde mental de idosos

A campanha Janeiro Branco, dedicada à conscientização sobre a saúde mental, convida à reflexão sobre cuidado, escuta e bem-estar em todas as fases da vida. Nesse contexto, o impacto da pandemia de covid-19 sobre a população idosa foi além dos riscos físicos. O isolamento social, o medo da morte, as perdas afetivas e a sobrecarga de informações negativas afetaram profundamente a saúde mental de pessoas com 60 anos ou mais.

A pesquisa “Percepções de idosos infectados e não infectados pelo SARS-CoV-2 sobre o envelhecimento, morte e saúde mental: uma abordagem qualitativa e ecumênica” contou com fomento da FAPDF, por meio do edital Demanda Espontânea, com investimento de R$ 70 mil. O trabalho foi coordenado por Vicente Paulo, docente e pesquisador na área da Gerontologia e da Saúde Mental.

“Envelhecer é um processo complexo, que vai muito além dos aspectos biológicos. Envolve dimensões emocionais, sociais, culturais e espirituais que precisam ser consideradas quando falamos de saúde mental e cuidado com a população idosa”, explica o pesquisador.

Para o diretor-presidente da FAPDF, Leonardo Reisman, apoiar pesquisas como essa é essencial para aproximar a ciência das demandas da sociedade. “Investir em pesquisas que olham para as pessoas, para suas vivências e para os desafios concretos do envelhecimento é uma forma de transformar conhecimento científico em impacto social. A FAPDF tem o compromisso de apoiar estudos que contribuam para políticas públicas mais humanas, inclusivas e conectadas com a realidade do Distrito Federal”, destaca.

Envelhecimento e sofrimento psíquico em uma crise sanitária

A pandemia evidenciou de forma intensa a vulnerabilidade da população idosa, não apenas do ponto de vista físico, mas também do emocional e do social. O afastamento do convívio social, a exposição constante a notícias negativas e a vivência do luto impactaram diretamente o bem-estar emocional desse grupo.

Diante desse cenário, a pesquisa partiu de uma pergunta central: quais fatores ajudam a proteger a saúde mental dos idosos em contextos extremos, como o vivido durante a pandemia? A religiosidade e a espiritualidade surgiram como elementos fundamentais para compreender como muitos idosos lidaram com o medo da morte, a solidão e o sofrimento psíquico.

Respeito à diversidade religiosa e políticas públicas

Diferentemente de estudos baseados em dados quantitativos, a pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, permitindo ouvir diretamente os idosos e compreender suas narrativas, sentimentos, medos, esperanças e estratégias pessoais de enfrentamento.

A pesquisa segue uma abordagem ecumênica, ou seja, considera de forma aberta e inclusiva diferentes crenças, espiritualidades e visões de mundo. O estudo contemplou desde o catolicismo, protestantismo e espiritismo até religiões de matriz africana, judaísmo, islamismo, espiritualidades não institucionais e também a não religiosidade.

“A pesquisa mostra que a religiosidade e a espiritualidade, em suas diferentes expressões, foram importantes estratégias de enfrentamento para muitos idosos. Nosso objetivo foi ouvir essas experiências com respeito, sem privilegiar crenças específicas”, afirma o pesquisador Vicente Paulo.

Desdobramentos da pesquisa

Os resultados da pesquisa oferecem contribuições importantes para o planejamento de políticas públicas voltadas à saúde mental da população idosa, especialmente em situações de emergência sanitária. O estudo indica que religiosidade, espiritualidade e senso de comunidade podem atuar como fatores de proteção emocional, apontando para a importância de ações mais integradas.

Um dos desdobramentos da pesquisa foi o desenvolvimento do aplicativo Eu Confio, concebido como uma solução tecnológica experimental voltada ao apoio emocional e espiritual de pessoas idosas. Criado a partir das necessidades identificadas durante as entrevistas, o app foi estruturado de forma ecumênica e pensado para uso em dispositivos móveis acessíveis.

O aplicativo passou por etapas de prototipação e testes com idosos, incluindo avaliações de usabilidade e aplicabilidade. Embora tenha havido a intenção inicial de dar continuidade à iniciativa, o app foi descontinuado após o término do projeto, permanecendo como um exemplo de como os achados científicos podem se traduzir em soluções inovadoras.

*Com informações da FAPDF

T LB

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