Quarta-feira, 04/02/26

Câncer de pênis causou mais de 2,9 mil amputações

Câncer de pênis causou mais de 2,9 mil amputações nos últimos 5 anos 2.359 mortes foram registradas entre 2021 e 2025
Câncer de pênis causou mais de 2,9 mil amputações – Reprodução

Um novo levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), divulgado nesta terça-feira, mostra que 2.949 amputações parciais ou totais foram registradas no país devido ao câncer de pênis nos últimos cinco anos.

Os dados, extraídos do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, são referentes ao período de janeiro de 2021 até novembro do ano passado.

Além das amputações, os registros mostram que 2.359 morreram pela doença no Brasil. Neste mês, a SBU promove uma campanha nacional de conscientização para informar a população sobre os sinais precoces do câncer de pênis e reforçar a importância das medidas de prevenção.

“Apesar de ser uma doença amplamente prevenível, o câncer de pênis ainda provoca mutilações evitáveis todos os anos no Brasil, principalmente em decorrência do desconhecimento, do estigma e do diagnóstico tardio. Trata-se de um tumor raro nos países desenvolvidos, mas que ainda apresenta incidência significativa no Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde se concentram os maiores índices da doença”, diz Roni de Carvalho Fernandes, presidente da entidade médica, em nota.

Segundo o urologista, a infecção pelo HPV é uma causa frequente entre os casos de câncer no pênis. Por isso, uma das principais medidas de prevenção é a vacinação contra o vírus, disponível no Programa Nacional de Imunizações (PNI) para meninos e meninas de 9 a 14 anos e imunossuprimidos até os 45 anos. Até junho, a pasta da Saúde vacina ainda jovens de 15 a 19 anos que não se imunizaram no período indicado, basta procurar um posto de saúde.

Junto à proteção contra o HPV, outras medidas importantes de prevenção do câncer de pênis envolvem o uso de preservativo, as práticas de higiene íntima e a postectomia, também conhecida como circuncisão, para retirada da fimose quando clinicamente indicada por um profissional da saúde.

Entre as medidas de cuidado com o pênis, a SBU reforça a higienização diária do órgão com água e sabão, puxando o prepúcio para remoção do esmegma (secreção esbranquiçada que se acumula sob o prepúcio), inclusive após as relações sexuais.

Detecção precoce

Além de ser fácil de evitar, quando detectada de forma precoce, no momento em que as células cancerígenas ainda estão localizadas na superfície do pênis, as chances de cura da doença são altas.

“O câncer de pênis tem comportamento previsível quando identificado precocemente. Lesões iniciais podem ser tratadas com procedimentos conservadores, preservando a função urinária e sexual. O grande problema é que muitos pacientes chegam após meses ou anos de evolução, quando a amputação parcial ou total passa a ser a única alternativa”, diz Rui Mascarenhas, supervisor da Disciplina de Câncer de Pênis da SBU.

Para Fernandes, presidente da sociedade, um entrave ainda é a falta de informação, o preconceito e o tabu que envolvem o tema, o que faz com que muitos homens só procurem atendimento quando a doença já está em estágio avançado.

Sintomas

De acordo com a SBU, o câncer de pênis é mais incidente em homens com 50 anos ou mais. Geralmente os sintomas iniciais incluem:

  • Ferida que não cicatriza na glande ou no corpo do pênis;
  • Sangramento sob o prepúcio;
  • Secreção com forte odor;
  • Espessamento, irregularidade ou alteração na cor na pele da glande;
  • Aparecimento de nódulos (ínguas) na região da virilha.

“Em fases iniciais, o câncer de pênis pode ser notado como uma área avermelhada persistente no pênis, como feridas persistentes ou como uma verruga que aumenta progressivamente de tamanho. Nessas situações, deve-se sempre procurar avaliação especializada de um médico urologista”, afirma Fernando Korkes, coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da SBU.

Tratamento

Segundo Korkes, o tratamento pode incluir realização de biópsias, remoção das lesões, uso de cremes ou cirurgias de maior porte em alguns casos. Em situações em que a doença está maior e acometendo os gânglios da virilha, podem ser necessárias cirurgias adicionais nessa região, quimioterapia ou imunoterapia. Em alguns casos, radioterapia também pode ser indicada.

  • É VERDADE? Homens com narizes maiores têm o pênis mais comprido? Confira

Em relação aos óbitos pela doença, o levantamento da SBU mostra que eles ocorrem principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Para o coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da entidade, um dos principais fatores para isso é o menor acesso aos serviços de saúde:

“As mortes por câncer de pênis ocorrem proporcionalmente mais nas regiões Norte e Nordeste do país. O Nordeste do Brasil é historicamente um dos locais de maior incidência desta doença no mundo. Embora os casos detectados inicialmente sejam passíveis de tratamento e cura, muitas vezes a limitação de acesso ao sistema de saúde ou a demora para procurar ajuda levam a um diagnóstico tardio, o que pode associar-se à morte pela doença”.

Fatores de risco

Entre os fatores que aumentam o risco de um diagnóstico de câncer de pênis, segundo a SBU, estão:

  • Baixas condições socioeconômicas;
  • Higiene íntima inadequada;
  • Fimose (quando o homem não consegue expor a glande, a cabeça do pênis, devido ao estreitamento do prepúcio, a pele que a recobre, dificultando a limpeza);
  • Infecção pelo vírus HPV (papilomavírus humano);
  • Tabagismo.

“Nenhuma ferida no pênis deve ser encarada com vergonha ou simplesmente com remédios caseiros. Dor, odor, secreção, alteração de espessura ou coloração da pele, ou dificuldade de expor a glande exigem avaliação médica o mais precocemente possível. Em se tratando de câncer de pênis, quanto mais cedo o homem chegar ao consultório, maiores são as chances de cura e de preservação do órgão”, completa Karin Anzolch, diretora de comunicação e coordenadora das campanhas de awareness da SBU.

*VIA O GLOBO

T LB

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *