Quarta-feira, 04/02/26

Entre drones e ciberdefesa: Itália monta uma das maiores operações de segurança da história para Jogos Olímpicos de Inverno

Entre drones e ciberdefesa: Itália monta uma das maiores operações de segurança da história para Jogos Olímpicos de Inverno
Entre drones e ciberdefesa: Itália monta uma das maiores operações – Reprodução

SEGURANÇA

Os jogos Olímpicos de Inverno estão previstos para começar oficialmente no próximo dia 6 de fevereiro

Anéis dos Jogos Olímpicos de Inverno. Foto: Divulgação – COI

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Por O Globo: Antes mesmo de a primeira medalha ser entregue, autoridades italianas já miram um “momento de ouro”: garantir a segurança da cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno, marcada para sexta-feira no estádio San Siro, em Milão. O evento reunirá milhares de dignitários, mais de mil artistas e uma audiência global de bilhões — combinação que, segundo especialistas, transforma a cerimônia em alvo prioritário.

— Se alguém quiser sabotar os Jogos, a abertura é o caminho — afirmou Franz Regul, que liderou a cibersegurança dos Jogos Olímpicos de Paris-2024. Para evitar riscos, a Itália colocou em campo uma das operações de segurança mais amplas de sua história recente: cerca de 6 mil policiais e agentes, além de drones e robôs para inspeções em áreas sensíveis.

A complexidade aumenta porque as competições ocorrerão simultaneamente em diferentes regiões, incluindo áreas montanhosas próximas a Cortina d’Ampezzo e Livigno. Além do policiamento físico, o plano prevê um centro de comando de cibersegurança 24 horas para monitorar redes olímpicas e a infraestrutura de transporte — modelo inspirado no adotado em Paris.

A cautela tem precedentes. Em 2018, um ataque cibernético interrompeu a cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno de Pyeongchang, derrubando transmissões, sites e sistemas de ingressos. A ofensiva foi atribuída à Rússia, que, desde a exposição de um esquema estatal de doping e a invasão da Ucrânia em 2022, é vista como ameaça recorrente ao ambiente olímpico. Em Milão-Cortina, atletas russos só poderão competir como neutros.

Segundo Daniel Byman, do Center for Strategic and International Studies, organizadores temem especialmente ações patrocinadas por Estados, “mais sofisticadas e com mais recursos”. Ainda assim, a maior tensão pré-Jogos veio de outro flanco: a presença anunciada de agentes do U.S. Immigration and Customs Enforcement acompanhando delegações americanas.

A notícia provocou protestos em Milão e críticas de autoridades locais. O embaixador dos EUA na Itália, Tilman J. Fertitta, afirmou que a atuação será apenas consultiva e de inteligência, sem poder de patrulhamento. Mesmo assim, a reação foi intensa a ponto de o comitê olímpico dos EUA rebatizar o espaço de hospitalidade “Ice House” para “Winter House”, numa tentativa de reduzir ruídos.

T LB

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