Os bancos brasileiros estão em uma encruzilhada por conta da falta de esclarecimento sobre a aplicação da Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes, afirmou o economista Alexandre Schwartsman em entrevista ao UOL News hoje.
Schwartsman recorreu à Odisseia, célebre poema épico da Grécia Antiga, para ilustrar a delicada situação dos bancos diante das dúvidas sobre as sanções impostas ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).
“Para usar uma figura mitológica, os bancos estão entre Cila e Caribdis. Em um episódio da Odisseia, Ulisses tem que passar em um estreito onde de um lado há Cila, um monstro, e do outro está Caribdis, que é um redemoinho. Ele precisa escolher para qual dos lados terá que ir para minimizar o dano. Ulisses escolhe Cila, que mata seis marinheiros dele, para não ir para Caribdis, que afundaria o barco”.
“A questão dos bancos brasileiros agora é descobrir quem é Cila e quem é Caribdis nessa história. Tudo ainda é hipotético. Sequer sabemos se a Lei Magnitsky se aplica à questão das contas em reais no Brasil ou não. Até agora não houve uma ordem que bloqueia as contas de Moraes no Banco do Brasil, por exemplo”.
Alexandre Schwartsman, economista.
Schwartsman alertou para os riscos à economia brasileira caso não se encontre um meio-termo sobre a aplicação da Lei Magnitsky.
“Digamos que essa ordem venha. O banco brasileiro pensa ‘acato essa ordem, senão serei cortado do Swift?’. O Banco do Brasil tem uma operação lá e tem subsidiárias, que estão sujeitas à lei norte-americana. Que tipo de sanções ele pode enfrentar por desrespeitar isso? Ao mesmo tempo, se decidir aceitar a decisão dos EUA, terá que falar ‘o que vocês têm a dizer?’. Ou seja: correrá risco dos dois lados”.
“Os bancos foram colocados em uma situação complicada. O comentário geral é que uma decisão que viole uma ordem do Supremo expõe o banco a uma reação mais rápida, mas menos pesada. Já no caso americano, seria mais lenta, mas mais dura”.
“Não é correto colocar bancos e nenhuma empresa em uma situação dessa. Ou se acerta o meio do caminho ou teremos algo particularmente delicado. Temos efeitos potencialmente grandes sobre a economia brasileira. Não adianta fingir; estamos integrados financeiramente com o resto do mundo”.
“No caso de sanções severas aos bancos brasileiros, corremos o risco de ficarmos isolados”.
Alexandre Schwartsman, economista.
Correio de Santa Maria, com informações do UOL








