FOLHAPRESS
A Península Ibérica, que nos últimos dias foi atingida por fortes chuvas, continua com cidades alagadas nesta sexta-feira (6), e mais de 9.000 pessoas já foram forçadas a sair de suas casas de forma preventiva.
A situação pode piorar pois agências meteorológicas de Portugal e da Espanha já alertam para a chegada de uma nova tempestade, Marta, neste sábado (7).
Na cidade do Porto, o rio Douro transbordou nesta sexta, causando inundações em cafés e restaurantes à beira do Rio. A navegação fluvial no local foi cancelada pelas autoridades.
No sul do país, partes do município de Alcácer do Sal, às margens do rio Sado, permaneceram parcialmente submersas pelo terceiro dia consecutivo. “Fiquei sem nada, nada. Só com as roupas que eu vestia”, disse à Reuters a moradora Rita Morgado.
O país foi atingido pela tempestade Leonardo, a sexta deste ano, que matou um homem de cerca de 60 anos. O primeiro-ministro Luís Montenegro disse na quinta-feira (5), que seu governo havia prorrogado o estado de calamidade em 69 municípios. Ele alertou que chuvas “sem precedentes” e riscos de enchentes ainda ameaçavam várias regiões.
O serviço de proteção civil de Portugal disse que seis rios, incluindo o Tejo, estavam sob risco de inundações.
Na Espanha, autoridades retiraram pessoas de áreas residenciais no sul do país por medo de transbordamento de rios e alertaram, nesta sexta-feira, para deslizamentos de terra causados por aquíferos cheios.
Marta atingirá a península no sábado, trazendo mais chuvas intensas. A Agência Estatal de Meteorologia da Espanha alertou que as precipitações podem atingir áreas já bastante afetadas.
A Península Ibérica está na linha de frente das mudanças climáticas e há anos registra ondas de calor cada vez mais longas, que começam até antes do verão, e episódios de chuvas intensas cada vez mais frequentes.
Uma mulher segue desaparecida no sul da Espanha, depois de ter se jogado em um rio para tentar salvar seu cachorro, durante a passagem da tempestade Leonardo.
A região da Andaluzia é, até o momento, a mais afetada na Espanha, onde cerca de 8.000 pessoas desalojadas de suas casas de forma preventiva. O premiê Pedro Sánchez visitará nesta sexta as áreas afetadas, anunciou o governo.
Os cerca de 1.500 moradores de Grazalema, um vilarejo de montanha turístico, também foram obrigados a sair à medida que a água se infiltrava pelas paredes das casas e descia em cascata pelas ruas íngremes de paralelepípedos.
“Não conseguimos dormir porque estamos muito estressados e ansiosos”, disse a moradora Maria Fernandez à emissora estatal TVE em um ginásio esportivo em Ronda, a cerca de 30 km de distância, para onde os moradores foram levados.
O líder regional da Andaluzia, Juan Manuel Moreno, disse à rádio SER que os aquíferos nas montanhas de Grazalema estavam cheios e poderiam provocar deslizamentos de terra devido à pressão acumulada. Ele acrescentou que geólogos estavam avaliando a situação em Grazalema para determinar quando os moradores poderão retornar às suas casas.








